Pelo Mundo

EUA: novos pedidos de auxílio de desemprego só se comparam à Grande Depressão

Os números são surpreendentes e provavelmente estão subestimados

16/04/2020 14:18

Voluntários da Sociedade Islâmica da Flórida Central distribuem alimentos do %u218Second Harvest Food Bank of Central Florida%u219 para famílias carentes em 9 de abril de 2020, em Orlando (Paul Hennessy/NurPhoto via Getty Images)

Créditos da foto: Voluntários da Sociedade Islâmica da Flórida Central distribuem alimentos do %u218Second Harvest Food Bank of Central Florida%u219 para famílias carentes em 9 de abril de 2020, em Orlando (Paul Hennessy/NurPhoto via Getty Images)

 

O Departamento do Trabalho dos EUA registrou 5,2 milhões de pedidos iniciais de seguro-desemprego, na semana que terminou em 11 de abril, elevando o total de pedidos para 22 milhões, desde que as medidas de distanciamento social entraram em vigor em março - um ritmo de colapso econômico tão impressionante que a Grande Depressão é a única comparação.

As reivindicações da semana passada melhoraram levemente em relação às 6,6 milhões de reivindicações iniciais da semana anterior (terminada em 4 de abril) e os 6,9 milhões de reivindicações da semana terminada em 28 de março. Mas mesmo que o pico da onda de desemprego pareça estar para trás, os EUA estão em águas desconhecidas. Antes do surto de coronavírus, o pior número de pedidos iniciais era de cerca de 700.000 perdas de empregos em 1982.

Os economistas oferecem duas advertências para esses dados. Uma é que a lei CARES [Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security Act, ou, Lei de Ajuda, Alívio e Segurança Econômica pelo Coronavírus], promulgada recentemente, para amortecer o golpe econômico da pandemia, expande o escopo da elegibilidade para o seguro-desemprego para cobrir mais contratados independentes e trabalhadores temporários. Portanto, as reivindicações estão aumentando, pelo menos em parte, porque mais pessoas são elegíveis, tornando pouco válida as comparações com dados passados.

Ao mesmo tempo, os sistemas estaduais de interface com o usuário - que geralmente são criados com código obsoleto, sem recursos dos governos estaduais e não projetados para lidar com esse volume de reivindicações - ficaram sobrecarregados, impossibilitando muitas pessoas de conseguirem se registrar pelo telefone ou online. Consequentemente, o número real de pessoas que tentam solicitar assistência provavelmente excede os números que o país está vendo.

A taxa oficial de desemprego saltou de mínimos históricos para 4,4% em março, de acordo com dados oficiais do governo, mas os números foram baseados em uma semana de referência que terminou em 15 de março, antes do início do pior do aumento dos pedidos de auxílio desemprego.

Isso significa que a atual taxa de desemprego é quase certamente muito pior do que isso - os especialistas acreditam em algo entre 12 e 15%, o pior já registrado desde a Grande Depressão, quando o desemprego atingiu 24%.

*Publicado originalmente em 'Vox' | Tradução de César Locatelli

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