Pelo Mundo

EUA registram 300.000 mais mortes do que em anos anteriores

Excesso de mortes este ano sugere que a taxa de mortalidade de COVID é maior do que a reportada

22/10/2020 14:39

Funcionários do hospital, atrás de uma barricada, movem os mortos para o trailer necrotério do lado de fora do Brooklyn Hospital Center, em 7/5/2020, no distrito do Brooklyn, Nova York. (Bryan Thomas / Getty Images)

Créditos da foto: Funcionários do hospital, atrás de uma barricada, movem os mortos para o trailer necrotério do lado de fora do Brooklyn Hospital Center, em 7/5/2020, no distrito do Brooklyn, Nova York. (Bryan Thomas / Getty Images)

 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relataram na terça-feira (20) que centenas de milhares de norte-americanos morreram este ano a mais do que nos anos anteriores, provavelmente devido à pandemia do coronavírus.

O relatório comparou as contagens de mortes anuais típicas com a contagem de mortes para 2020 entre 1 de fevereiro e 16 de setembro. Durante esse período de oito meses, os EUA tiveram cerca de 285.000 mortes a mais do que se poderia esperar, dadas as tendências anteriores.

Dado que o relatório se baseia em números de várias semanas atrás, há uma grande probabilidade de que o excesso de mortes já tenha ultrapassado 300.000 na data de 20 de outubro, em comparação com os anos anteriores.

Mesmo depois de contabilizar as mortes diretamente atribuídas à COVID-19, permanecem o excesso de dezenas de milhares de mortes registradas este ano. Embora a contagem oficial para o número total de norte-americanos que morreram de coronavírus em 16 de setembro seja de cerca de 201.363, ainda existem mais de 83.000 mortes que ultrapassam um ano normal.

Embora algumas dessas mortes possam ser relacionadas a outras causas, como indivíduos relutantes em procurar ajuda médica - por medo de serem expostos à COVID-19 em instalações médicas - para doenças que podem ser fatais se não tratadas, a maioria dos especialistas, citando pesquisas científicas sobre o assunto, acreditam que muitas das dezenas de milhares de mortes extras nos EUA podem ser atribuídas ao coronavírus.

“O número de pessoas que morrem por causa dessa pandemia é maior do que pensamos. Este estudo mostra isso. Outros também”, disse Steven Woolf, diretor emérito do Center on Society and Health da Virginia Commonwealth University, ao The Washington Post.

Na verdade, no início de 2020, os Estados Unidos estavam registrando menos mortes do que normalmente se registrava no passado. As taxas de mortalidade foram 1 por cento menores em comparação com os anos anteriores nas semanas de 12 e 19 de janeiro. A taxa voltou a ser comparável aos anos anteriores (zero por cento) na semana seguinte e, em seguida, começou a subir continuamente nas semanas seguintes, quando a pandemia atingiu os EUA.

Embora a maioria dos especialistas em saúde concorde que o verdadeiro número de mortes por coronavírus é provavelmente maior do que o que está sendo relatado, uma série de partidários do presidente Donald Trump, ao tentar dar um viés positivo ao grave manejo incorreto de Trump na crise de saúde pública, tentaram sugerir o contrário. O próprio presidente compartilhou tuítes, por meio de sua conta no Twitter, que, erroneamente, faziam afirmações semelhantes. Ele também compartilhou um tuíte, em agosto, de um usuário do QAnon afirmando erroneamente que apenas 6 por cento do número oficial de mortes eram válidos.

Esse número veio de um estudo separado do CDC que observou que 94 por cento das mortes por COVID-19 listavam uma comorbidade nas certidões de óbito. A partir daí, foi erroneamente extrapolado, por aqueles que apoiam Trump, incluindo um número significativo de seguidores do QAnon, que apenas 6% das mortes relatadas foram legitimamente causadas pelo coronavírus.

Na realidade, esse raciocínio é seriamente falho e altamente enganoso, pois independentemente de as comorbidades terem sido um fator, a causa básica das mortes desses pacientes foi a COVID-19, como observou o mesmo relatório do CDC citado.

“Quando perguntamos se a Covid matou alguém, isso significa 'eles morreram mais cedo do que teriam morrido se não tivessem o vírus?'”, disse Justin Lessler, epidemiologista da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, à Scientific American anteriormente neste ano.

Na verdade, salvo indicação em contrário, embora essas comorbidades possam ter sido graves, foi o coronavírus que levou à morte desses indivíduos.

Até a tarde de terça-feira, 225.698 norte-americanos tinham morrido por coronavírus. De acordo com projeções do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington, mais de 314.000 norte-americanos devem morrer devido ao vírus até 31 de dezembro.

*Publicado originalmente em 'Truthout' | Tradução de César Locatelli

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