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Eleições argentinas: Na zona dos 40 pontos

O kirchnerismo se levanta e seus votos reaparecem, estando já com sete pontos por cima da coalizão opositora, segundo as pesquisas.

04/05/2015 00:00

Mariano Pernicone / Flickr

Créditos da foto: Mariano Pernicone / Flickr

A Frente para a Vitória (FPV, grupo político que sustenta o kirchnerismo) voltou à zona dos 40 pontos nas pesquisas de intenção de voto e nos resultados das primárias abertas para as eleições presidenciais de outubro, deixando a aliança PRO-UCR-CC (entre o direitista PRO, a União Cívica Radical e a Coalizão Cívica) em segundo lugar, com uma vantagem de sete pontos, e a Frente Renovadora de Sergio Massa já ocupando o terceiro posto. Pensando nas primárias internas da FPV, em agosto, que definirão o candidato kirchnerista, Daniel Scioli vai impondo sobre Florencio Randazzo por uma margem de 11 pontos. Entre os opositores, Mauricio Macri derrota Ernesto Sanz, enquanto Massa, como se vê até agora, não tem concorrente. A presidenta Cristina Fernández de Kirchner tem altos níveis de imagem positiva, recuperando apoio após a queda que sofreu em virtude da campanha contra ela pela morte do promotor Alberto Nisman.
 
As conclusões surgiram de uma pesquisa nacional realizada pelo Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), encabeçado por Roberto Bacman que entrevistou cerca de 1204 pessoas de todo o país, respeitando as proporcionalidades de idade, sexo e nível socioeconômico. “Tomando as opiniões colhidas neste começo de abril, temos um cenário onde a FPV é o partido mais votado” – afirma Bacman – “e esse é o primeiro fato importante. Se o peso da marca prevalecer, e projetar esses resultados (sem levar em consideração os voto brancos e nulos, nem os eleitores indecisos), as intenções em favor da FPV estão no patamar de 40%, que permitiria uma vitória sem segundo turno dependendo das circunstâncias, mas claro que para isso é preciso esperar os resultados finais das primárias abertas”.
 
“A diferença de onze pontos de Scioli sobre Randazzo é explicado pelo alcance sociodemográfico de cada candidato”, analisa Bacman. Scioli, governador da Província de Buenos Aires, obtém seus melhores resultados em região da Grande Buenos Aires, administrada por ele, que também apresenta um maior peso populacional. Para Bacman, “o acordo PRO-UCR-CC se consolidou no começo de abril. É um dado que não deve surpreender, já que as chances de Macri vinham crescendo. Começou com 10%, no primeiro semestre de 2014, e se manteve em tendência firme até que, em outubro desse ano, ultrapassou Massa e se estabeleceu no segundo lugar. Contudo, nessa última medição, não se vê o esperado fortalecimento de Macri em função de seu acordo com a UCR. É o efeito de um dos princípios básicos da política: nem sempre os acordos partidários de dirigentes impactam no voto. Tudo parece indicar que, até o momento, o eleitorado cativo dos radicais ainda não confia o suficiente nesse acordo. Diante de tal situação, o posicionamento de Margarita Stolbizer (deputada da UCR) começou a se edificar. Esta pesquisa foi feita quando ela ainda não havia lançado sua candidatura, e lhe dá um interessante 6% como ponto de partida”.
 
“Sergio Massa não está passando por seu melhor momento eleitoral” – continua Bacman. “Há um ano atrás, era o líder das pesquisas. Depois foi alcançado por Scioli, e logo por Macri. Perdeu muito espaço dentro do segmento mais duro antikirchnerista. Macri, bem posicionado à sua direita, conseguiu se encaixar melhor com esse segmento da sociedade. Deve-se considerar, também, que seu grupo político, a Frente Renovadora, não tem uma identificação com nenhum grande segmento demográfico, não está ancorada em nenhuma região de grande população, capaz de aumentar suas intenções de voto. As esperanças estão depositadas na própria figura de Massa. Quando a pergunta se refere diretamente a ele, e não ao partido, as intenções sobem de 16% para 20%”.
 
Também parece óbvio que grande parte das chances da FPV tem a ver com a gestão do Poder Executivo e, em especial, com a imagem da presidenta Cristina Fernández de Kirchner. “Nesta última medição ela chega aos 46,2%, consolidando uma franca recuperação, considerando os números do final de janeiro, a poucos dias da morte de Alberto Nisman” – conclui Bacman. “É muito importante ler com atenção a categoria que se refere aos que têm uma imagem ´muito positiva´ da presidenta. Ela chega a 36% em abril, o que mostra um aumento do núcleo duro kirchnerista, uma tendência importante com as eleições se aproximando. Faltando oito meses para o final de seu mandato, Cristina demonstra um nível de aprovação realmente significativo. Sustenta seu poder, apesar de não contar com a possibilidade de uma reeleição”.
 
Intenções de voto por partido
PJ-FPV: 36,6%
PRO-UCR-CC: 29,9%
Frente Renovadora: 16,3%
SurGen: 4,7%
Frente de Esquerda: 2%
Nenhuma das opções: 10,5%
 
Intenções de voto na interna PJ-FPV
Daniel Scioli: 47,3%
Florencio Randazzo: 36%
Nenhum dos dois: 16,7%
 
Imagem da Presidenta
Negativa: 49,3% – muito negativa 37,8% e algo negativa 11,5%
Positiva: 46,2% – muito positiva 36,2% e algo positiva 10%
 
Intenções de voto na interna PRO-UCR-CC
Mauricio Macri 70,3%
Ernesto Sanz: 15,6%
Elisa Carrió: 6,9%
Nenhum dos três: 7,2%
 
Fonte – CEOP, abril de 2015



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