Pelo Mundo

França está reeditando os protestos de 2013 do Brasil

Fruto da crise econômica de 2007 e 2008, as revoltas ambíguas são um fenômeno que veio para ficar. Elas são uma resposta imediata do acirramento de austeridade do neoliberalismo do século 21, marcado pela crescente captura dos estados e das democracias pelas grandes corporações

05/12/2018 18:43

Manifestantes conhecidos como

Créditos da foto: Manifestantes conhecidos como "coletes amarelos" protestam em frente ao Arco do Triunfo, em Paris (Veronique de Viguerie/Getty Images)

 

Tem sido assim nos últimos dias:

acordo, acesso as redes sociais e metade dos meus amigos está dizendo que as manifestações dos “coletes amarelos” na França – os gilets jaunes – são de extrema-direita, fascistas e ajudarão a eleger Marine Le Pen, a deputada da Frente Nacional. A outra metade comemora a revolta popular e está contente que os 50 anos das agitações de 1968 não passaram despercebidos.

Nós já vimos esse filme. E ele não leva a lugar algum.

O julgamento sobre se os protestos são à direita ou à esquerda ocorreu também nas jornadas de junho de 2013 (e continua ocorrendo quando o assunto é interpretá-las) e também nos chamados “rolezinhos” de 2014. Em relação a esses últimos, lembro-me que, àquela época, boa parte da mídia nacional e internacional estava desnorteada tentando captar “o” significado dos jovens nos shoppings centers. Como a antropóloga Lúcia Scalco e eu estudávamos o tema, jornalistas nos contatavam e perguntavam: “os rolezinhos são políticos ou não são?” Nós respondíamos de forma padronizada “sim não” e explicávamos que eram manifestações juvenis contraditórias que misturavam contestação política pulsão capitalista hedonista.

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