Pelo Mundo

Irã emite mandado de prisão de Trump por 'assassinato e terrorismo'

"Sua acusação será realizada mesmo após o término de seu mandato"

29/06/2020 15:17

O presidente Donald Trump faz um discurso para o país no Grand Foyer na Casa Branca, na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020 em Washington, DC (Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images)

Créditos da foto: O presidente Donald Trump faz um discurso para o país no Grand Foyer na Casa Branca, na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020 em Washington, DC (Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images)

 

O governo iraniano emitiu, na segunda-feira (29), um mandado de prisão para o presidente dos EUA, Donald Trump, e recomendou que ele enfrente "acusações de assassinato e terrorismo" pelo assassinato em janeiro do general Qasem Soleimani, que levou as duas nações à beira de uma guerra total.

Ali al-Qasimehr, principal promotor de Teerã, disse que o Irã também está buscando a prisão de outras 35 autoridades, não reveladas, que o país acredita estarem envolvidas no assassinato de Soleimani, que era um dos principais comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica.

"Os 36 indivíduos envolvidos no assassinato de Qasem Soleimani foram identificados e incluem políticos e oficiais militares dos EUA e de outros governos", disse al-Qasimehr durante uma reunião do judiciário iraniano na segunda-feira. "No topo da lista está o presidente dos EUA, Donald Trump, e sua acusação será realizada mesmo após o término de seu mandato".

O representante especial dos EUA para o Irã, Brian Hook, minimizou os mandados de prisão como um "golpe de propaganda".

O Irã solicitou que a Organização Internacional de Polícia Criminal com sede na França - comumente conhecida como Interpol - ajude no esforço para prender Trump, que ordenou o ataque por drone que matou Soleimani. Al-Qasimehr disse que o Irã instou a Interpol a emitir um "alerta vermelho" para a prisão de Trump e de outras autoridades.

Como a Al-Jazeera explicou:

“Sob alerta vermelho, as autoridades locais fazem as prisões em nome do país que a solicitou. Os avisos não podem forçar os países a prender ou extraditar suspeitos, mas podem colocar líderes do governo em evidência e limitar as viagens dos suspeitos.

Após receber uma solicitação, a Interpol se reúne em comitê e discute se deve ou não compartilhar as informações com seus Estados membros. A Interpol não tem necessidade de divulgar publicamente nenhum alerta, embora alguns sejam publicados em seu site.”

O assassinato de Soleimani, em 2 de janeiro, por um ataque de drone dos EUA em Bagdá foi condenado por advogados de direitos humanos e especialistas jurídicos na época como uma violação do direito internacional.

Agnes Callamard, relatora especial das Nações Unidas para execuções extrajudiciais, disse em 7 de janeiro que "é difícil imaginar como" o assassinato de Soleimani poderia ser justificado legalmente justificado.

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de César Locatelli

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