Pelo Mundo

Juan Grabois, líder social ligado ao Papa Francisco, é preso na Argentina, e denuncia abusos policiais

O dirigente social da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular, Juan Grabois, foi preso pela Polícia de Buenos Aires na noite desta terça-feira, enquanto participava de um protesto pela liberação dos militantes do Movimento de Trabalhadores Excluídos e de seis vendedores ambulantes senegaleses

19/09/2018 12:41

 

 
O dirigente social da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), Juan Grabois, foi preso pela Polícia de Buenos Aires na noite desta terça-feira (18/9), enquanto participava de um protesto pela liberação dos militantes do Movimento de Trabalhadores Excluídos (MTE) e de seis vendedores ambulantes senegaleses.

Os policiais avançaram contra os manifestantes que protestavam em frente à 18ª delegacia, entre as ruas San Juan e Entre Ríos. Grabois ficou detido nesse mesmo edifício, junto com outros dirigentes sociais, entre os que se encontravam outros referentes do CTEP, como Rafael Klejzer e Jaquelina Flores.

A manifestação em frente à delegacia pedia a liberação de seis vendedores ambulantes senegaleses, que foram presos horas antes pelas forças policiais, na estação de trem de Constituição.



“Sofremos todo tipo de maus tratos”

Um dirigente do movimento social MTE, detido quando reclamava pela liberação de seus companheiros, enviou uma mensagem a outros dirigentes sociais, denunciando a agressão policial.

Um dos que atendeu ao chamado foi Juan Grabois, dirigente do CTEP e figura bastante conhecida na Argentina e em toda a América Latina, especialmente por sua proximidade como o Papa Francisco, muitas vezes agindo como uma espécie de enviado do pontífice – por exemplo, causou grande repercussão no Brasil, em junho deste ano, a negativa da Justiça brasileira a que ele visitasse o ex-presidente Lula da Silva em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, levando um presente do Papa Francisco (um terço abençoado por ele) ao líder político brasileiro.

Na Argentina, Grabois também é conhecido por sua postura bastante crítica com relação ao governo de Mauricio Macri, e embora também tenha sido opositor ao governo de Cristina Kirchner em seu momento, hoje é um dos que denuncia o que considera uma perseguição da Justiça argentina contra a ex-mandatária, inclusive comparando o caso com o de Lula.

Ao receber o chamado do MTE, Grabois foi até a delegacia junto com um grupo de colegas e demais dirigente dos CTEP, dando mais volume aos protestos. Antes de serem capturados, os dirigentes iniciaram uma série de questionamentos sobre o operativo policial que terminou com a prisão dos ambulantes senegaleses. A polícia decidiu reprimir fortemente essa manifestação, com balas de borracha e gás pimenta. Grabois, junto com outros líderes sociais, tentou conter os efetivos policiais, e terminou preso. Os demais manifestantes conseguiram se dispersar, e se refugiaram na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Mesmo depois de detido, o líder social conseguiu enviar uma mensagem através das redes sociais, onde detalhou as condições na que ele e os demais envolvidos no caso foram presos, agredidos e maltratados.


Outra das vítimas foi a dirigente da CTEP Jaquelina Flores, que denunciou ter sido brutamente golpeada pelos efetivos: “me insultaram por ser mulher, me bateram e me feriram da forma mais brutal com a que se pode vexar a uma mulher”, protestou, enquanto chamava a polícia de corrupta e assegurava que, embora ela tenha podido ser liberada, outros presos ainda estavam na cela porque os policiais exigiam o pagamento de subornos para soltá-los.

*Com informações do Página/12 [1], [2] e do Diário Registrado [3]


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