Pelo Mundo

Justiça argentina investiga contas de Menem na Suíça

19/02/2004 00:00

Uma delegação de funcionários da Justiça argentina viajou no início da semana para Genebra com a missão de tentar convencer a Justiça suíça a liberar informações referentes a contas bancárias abertas na Suíça em nome do ex-presidente Carlos Menem. O juiz Norberto Oyarbide, encarregado das investigações sobre Menem e vários colaboradores do ex-presidente implicados em crimes de corrupção, reuniu-se nesta quarta-feira (dia 18) com a juíza de Genebra, Christine Junod, para discutir o desbloqueio de informações relativas às polêmicas contas bancárias. Oyarbide saiu otimista da reunião, agradecendo à juíza suíça pelo cuidado com que recebeu as reivindicações da Justiça Argentina. O assunto é tanto mais explosivo na medida em que está relacionado com o atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, em 1994, que deixou 85 mortos e 300 feridos. O governo Kirchner reabriu os arquivos do caso em 2003.

A partir da reabertura desses arquivos, o líder da comunidade israelita argentina, Abraham Kaul, acusou, em janeiro deste ano, o governo de Carlos Menem (1989-99) de ter dificultado a investigação do atentado. A justiça Argentina já julgou Carlos Telleldín e quatro ex-policiais, acusados de ter preparado o carro-bomba que destruiu o prédio da Amia no dia 18 de julho de 1994. Na Suíça, Eamon Mullen, funcionário do governo argentino que investiga o atentado, disse que seus interlocutores suíços demonstraram uma atitude positiva no sentido de liberar informações sobre contas bancárias que podem ajudar a denunciar os autores do atentado. Abolghasem Mesbahi, ex-agente do serviço secreto iraniano, acusou Menem de ter cobrado US$ 10 milhões do governo iraniano para acobertar provas que ligariam Teerã ao atentado. Essa operação teria sido realizada por meio de uma conta bancária na Suíça.

Resistência do governo suíço
Mas as investigações da Justiça Argentina não se limitam às supostas ligações de Menem com o caso do atentado contra a Amia. A Argentina vem reivindicando junto às autoridades suíças a liberação de informações sobre duas contas de Menem, uma no valor de US$ 600 mil aberta em conjunto com Zulema Menem (ex-mulher de Menem), e outra com US$ 6 milhões, aberta em nome de Ramón Hernandez, um dos secretários do ex-presidente. Os pedidos esbarraram na resistência das autoridades suíças em abrir exceções na divulgação de informações relativas às suas famosas contas secretas. Atualmente há uma polêmica no interior da Justiça suíça sobre a liberação dessas informações. Uma parcela defende a quebra do sigilo para casos onde há fortes indícios de irregularidades e crimes, enquanto outra resiste a esta medida sem que haja provas definitivas.

Nos últimos dois anos, as autoridades suíças transferiram de Genebra vários juízes e funcionários considerados progressistas (defensores da quebra do sigilo). A União Européia, porém, vem pressionando o governo suíço a facilitar a quebra do sigilo no caso de investigações sobre lavagem de dinheiro, tráfico de armas, terrorismo e corrupção.  A delegação argentina que está em Genebra espera aproveitar essa pressão da União Européia para convencer as autoridades suíças a finalmente liberar informações sobre os polêmicos negócios do ex-presidente Carlos Menem.

Com informações do jornal Página 12 e da Argenpress

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