Pelo Mundo

Líbia: oposição não quer intervenção externa

03/03/2011 00:00

Opositores líbios exibem faixa contra intervenção externa nos assuntos do país. (Esquerda.Net)

Créditos da foto: Opositores líbios exibem faixa contra intervenção externa nos assuntos do país. (Esquerda.Net)
Abdel-Hafidh Ghoga, advogado de direitos humanos e porta-voz do Conselho Nacional Transitório da Líbia, disse em conferência de imprensa que a oposição a Kadafi não quer uma intervenção dos EUA nos assuntos internos líbios.

“Somos contra qualquer intervenção estrangeira ou intervenção militar nos nossos assuntos internos”, disse. “Esta revolução será concluída pelo nosso povo, com a libertação do resto do território líbio controlado pelas forças de Kadafi.”

O general Ahmed El-Gatrani, que se juntou às forças da oposição, disse que o apoio militar externo é desnecessário: “Não precisamos de apoio externo, seguimos o nosso próprio caminho, sem receber ordens de ninguém no exterior”, disse.

O Conselho Nacional Transitório da Líbia inclui representantes de todas as cidades que se rebelaram contra Tripoli principalmente na Cirenaica, a metade Leste do país, e tem sede em Bengazi.

Combates em Brega
Na quarta-feira, as forças de oposição repeliram uma tentativa de tropas leais a Kadafi de retomar a cidade produtora de petróleo de Brega, no leste do país. Foi a primeira vez que forças de Kadafi tentaram recuperar uma cidade do leste líbio. Durante os combates, as tropas pró-Kadafi, com um poder bélico maior, pareciam estar em vantagem, mas acabaram derrotadas pelos rebeldes. Fontes médicas afirmam que 14 pessoas morreram.

Um comandante rebelde disse ao correspondente da BBC que as forças pró-Kadafi podem ter ficado sem munições e por isso viram-se obrigadas a recuar. Na manhã desta quinta, a força aérea de Kadafi voltou a bombardear as forças da oposição na cidade.

Tribunal Penal Internacional abre investigação de crimes contra a humanidade na Líbia
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo, anunciou em Haia a abertura de um “processo formal de investigação” aos crimes "que estão a ser cometidos na Líbia desde 15 de Fevereiro, em que manifestantes pacíficos foram atacados pelas forças líbias”, visando o líder Muammar Kadafi e outros altos responsáveis do regime.

A investigação vai incidir sobre aqueles que o magistrado descreveu como sendo “os maiores responsáveis”, tendo sido identificados os “indivíduos com autoridade de facto” no regime para serem “responsáveis e responsabilizados” por aqueles crimes: Kadafi e o seu círculo próximo, incluindo alguns dos seus filhos.

“Há também aqueles que, podendo exercer autoridade para parar os ataques, não o terão feito”, sublinhou Moreno-Ocampo, nomeando o ministro líbio dos Negócios Estrangeiros, o chefe da agência de serviços secretos, o chefe das forças de segurança e o chefe da segurança pessoal de Kadafi – “todos podem ser criminalmente responsabilizados” e todos ficam “avisados” da possibilidade de serem indiciados por crimes contra a humanidade se o TPI concluir que “as forças sob o seu comando cometeram abusos” na Líbia.

Kadafi aceita mediação de Chávez
Entretanto, Kadafi aceitou uma oferta feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para mediar eventuais negociações para pôr termo à crise. Recorde-se que ainda há um dia, o filho de Khadafi, Seif Al-Islam, negava a existência de qualquer crise e afirmava que todo o país funcionava normalmente.

A proposta de mediação venezuelana foi discutida entre o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Nicolas Maduro, e o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, segundo a Al Jazeera. Na semana passada, o presidente venezuelano, numa mensagem do Twitter, deixou claro que apoia o regime líbio: “Viva a Líbia e a sua independência! Kadafi enfrenta uma guerra civil!”

Mas o Conselho Nacional Líbio, formado em Bengazi, não está disposto a aceitar a mediação: “Rejeitamos”, afirmou à Al Jazeera, Mustafa Mohamed Abud al-Jeleil, ex-ministro da Justiça, que informou que o conselho não foi ainda sequer contactado sobre a proposta da Venezuela.



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