Pelo Mundo

Líder social argentino denuncia Macri e cúpula do FMI por associação ilícita e endividamento do país

Autor da denúncia é Juan Grabois,figura próxima ao Papa Francisco (foi o encarregado de levar o terço que o sumo pontífice deu de presente a Lula, em 2018). "Os ladrões de colarinho branco roubaram 13 bilhões de dólares em forma de dívida com o FMI, que está sendo usada para financiar a campanha eleitoral governista, criando uma bomba de tempo econômica para manter o dólar estável somente até as eleições, e depois que ela explodir, todos os argentinos terão que pagar a conta", reclama

28/07/2019 13:31

 

 
O advogado argentino Juan Grabois apresentou nesta sexta-feira (26/7) uma denúncia pena na Justiça argentina contra o presidente do país, Mauricio Macri, seu ministro da Economia, Nicolás Dujovne e outros assessores da área econômica, e também contra a ex-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e a cúpula do organismo, por abuso de autoridade, administração fraudulenta e associação ilícita, tendo como argumento o plano de resgate acordado entre o organismo e a Casa Rosada.

Segundo a denúncia de Grabois – que é dirigente da Confederação e Trabalhadores da Economia Popular (CTEP) e membro da Frente Pátria Grande –, o acordo se baseia em uma dívida bilionária que a Argentina não está em condições de pagar, visa somente ajudar o atual presidente a ser reeleito, e deixará o país em uma situação econômica extremamente difícil.

O documento apresentado à Justiça evoca a Lei de Administração Financeira e dos Sistemas de Controle do Setor Público Nacional da Argentina, a qual teria sido violada a partir da dívida contraída com o FMI sem respeitar os parâmetros constitucionais para se realizar tal medida, e também cita os artigos 174 (inciso 5º), 210 e 248 do Código Penal argentino. Foi recebido pelo juiz Carnicoba Corral e seu número de expediente será o 5658/2019.

Durante a apresentação da denúncia, Juan Grabois deu entrevista afirmando que “os ladrões de colarinho branco roubaram 13 bilhões de dólares em forma de dívida com o FMI, que está sendo usada para financiar a campanha eleitoral governista, criando uma bomba de tempo econômica para manter o dólar estável somente até as eleições, e depois que ela explodir, todos os argentinos terão que pagar a conta”.

Grabois também lembra que, em junho deste ano, a economista francesa Christine Lagarde, atual presidenta do Banco Central Europeu (BCE) e economista-chefe do FMI na época do acordo, admitiu em uma entrevista que subestimou a situação complicada da Argentina.

O líder social argentino afirma que esta gigantesca fraude em prejuízo da administração pública não poderia ter dado certo sem a participação de Lagarde, a quem ele acusa de violentar até mesmo o regulamento do FMI com respeito às transferências de capital, o que configuraria a associação ilícita mencionada na denúncia.

Para o dirigente social, “nem o presidente e sua equipe econômica, nem Lagarde e nem os agentes do FMI podiam desconhecer as limitações da Argentina em suas capacidades de pagamento”. Ele considera que tanto o acordo original como as posteriores revisões tiveram como principal finalidade assegurar aos credores externos privados o pagamento somente dos juros, e a manutenção de certa estabilidade cambiaria: “ou seja, estavam preocupados somente em manter vigente o cenário ideal para a fuga de capitais”, reclama o advogado.

Em 2018, meses após o primeiro passo do acordo entre o governo de Mauricio Macri e o FMI, diferentes organizações sociais – incluindo a de Grabois, e outras relacionadas a movimentos indígenas, camponeses, ambientalistas e o movimento de mulheres – assinaram uma carta que foi enviada a Lagarde, vaticinando as catastróficas consequências deste acordo. A missiva nunca recebeu resposta por parte da economista francesa ou do órgão internacional.



*Com informações do El Desconcierto e do La Jornada



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