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Marcha reúne 200 mil na Itália e cobra metas da ONU

05/09/2005 00:00

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Créditos da foto: Divulgação

Perugia, Italia – Cerca de 200 mil pessoas participaram neste domingo (11) de uma marcha pela paz, tradicional na Itália, que percorre o caminho que liga as cidades italianas de Perugia e Assis, no centro do país. A data, hoje lembrada em todo mundo pelo ataque ao World Trade Center, EUA, no ano de 2001, mas que, 30 anos antes, foi marcada pelo golpe de estado chileno, foi uma escolha focada e teve como mote, além da crítica à guerra do Iraque, a reunião dos chefes de Estado membros da ONU, que começa esta semana em Nova York.

 

Idealizada por Aldo Capitini, famoso intelectual da esquerda italiana - muitas vezes comparado a Gandhi pela sua luta pela "nao-violência" -, a Marcha pela Paz Perugia-Assis ocorreu pela primeira vem em 24 de setembro de 1961, inspirada por uma passeata realizada por pacifistas ingleses em 1958. Ambos os protestos se manifestaram pelo Desarmamento Nuclear. Nos últimos 44 anos, a sociedade civil organizada italiana promoveu quinze outras manifestações no marco da Marcha pela Paz, as mais recentes ocorridas em 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003. 


Luta contra a pobreza


Por cinco horas, os 24 km da estrada Perugia-Assis foi ocupada por uma multidão de manifestantes que pediram a democratização da ONU. "Salvamos a ONU, acabamos com a miséria e a guerra, eu quero, você quer, nos podemos". O tema é decorrência das discussões acumuladas nos três dias anteriores, por ocasião da 6ª Assembléia da ONU dos Povos. Os manifestantes também usavam braceletes brancos que diziam "Stop alla Povertà" ("Acabemos com a Pobreza"), lema de grande campanha européia que reúne personalidades do cinema e da musica de todo o mundo, e bandeiras com as cores do arco-iris e a inscrição de "Pace" ("Paz"), que desde os atentados de 2001 se popularizaram e se encontram espalhadas por toda a Italia.


A marcha, que é proclamada independente de qualquer organização ou partido político - ainda que conte com grandes delegações dos principais partidos de esquerda italianos - teve também a presença de alguns participantes internacionais. Segundo estimativas nao-oficiais, cerca de 300 pessoas vieram de outros paises para o encontro. Entre elas, familiares norte-americanos de mortos nos atentados do World Trade Center, iraquianos, africanos e sul-americanos.

Também estiveram presentes organizações como Anistia Internacional, Oxfam, ActionAid, WWF e Emergency e políticos italianos, como o secretario nacional da Refundição Comunista, Fausto Bertinotti, o secretario geral da Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores (CISL), Savino Pezzotta, o secretario geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Guglielmo Epifani, o secretario da União Italiana dos Trabalhadores (UIL), Luigi Angeletti, além de prefeitos de diversas cidades italianas.

Eles marcharam juntos com a grande massa de familias, grupos escoteiros, associações culturais, jovens e grupos ligados à Igreja católica que compõem a maioria dos participantes. Em uma espontânea demonstração de solidariedade, por todo o trajeto, famílias das cidades vizinhas distribuíram gratuitamente água, vinho, pão e frutas para os manifestantes.

ONU dos Povos
Desde 1995, uma rede de organização denominada Tavola per la Pace (Mesa para a Paz - www.perlapace.it), sediada em Perugia, promove assembléias para discutir o fortalecimento e a democratização da Organização das Nações Unidas (ONU). A intenção é denunciar os constantes ataques que vem sendo dirigidos à ONU que, segundo a organização, corre o risco de se tornar definitivamente fraca, deslegitimada e marginalizada. Neste sentido, a Mesa para a Paz exige dos Estados membros da ONU o cumprimento de seus objetivos institucionais e o respeito a propostas como As Metas de Desenvolvimento do Milênio, o fim da guerra, a consolidação dos direitos humanos e a abertura para a participação da sociedade civil.

O encontro desse ano se debateu o próximo encontro multilateral da ONU, que ocorrerá nos próximos dias 14 a 16 de setembro e reunirá chefe de Estados de todo o mundo para discutir os cincos anos das "Metas do Milênio". A Tavola per la Pace enviará a todos os participantes desse encontro um documento com o acumulo de suas discussões. A rede também se ocupa de discutir o papel e a responsabilidade da política italiana nesse contexto.


A 60ª Assembléia Geral que as Nações Unidas promovem esta semana em Nova York tem tudo para se tornar um grande fiasco do ponto de vista dos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, e um grande sucesso nas intenções norte-americanas de reduzir ainda mais a atual importância do organismo mundial.
Depois de recomendarem há 15 dias nada menos que 700 modificações em um texto de apenas 36 páginas que os 191 países-membros vinham negociando em conjunto, os EUA chegam ao encontro nesta semana com uma única ênfase: reformar a ONU para deixá-la mais enxuta e eficiente.


Para muitos países-membros, a reforma proposta pelos EUA é a senha para que seja minimizado o papel do organismo, deixando os norte-americanos mais livres para agir e exercer sem constrangimentos o seu poderio militar.

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