Pelo Mundo

Michael Cohen diz-se culpado e compromete Trump em tribunal

Advogado diz que Trump levou Michael Cohen a cometer um crime ao pagar o silêncio de duas mulheres que dizem ter tido relações sexuais com o Presidente dos Estados Unidos

23/08/2018 16:35

Estas novas revelações pressionam Trump a poucos meses das eleições para o Congresso, altura em que os democratas tentarão reconquistar o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado.

Créditos da foto: Estas novas revelações pressionam Trump a poucos meses das eleições para o Congresso, altura em que os democratas tentarão reconquistar o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado.

 
Michael Cohen, antigo advogado de Trump, chegou esta terça-feira a um acordo com os procuradores do estado de Nova Iorque. Cohen declarou-se culpado dos crimes de que havia sido acusado - fraude bancária, fuga aos impostos e violação das leis federais de campanha.

Em tribunal, admitiu ter feito pagamentos a pelo menos duas mulheres a “mando de um candidato” presidencial e afirmou que foi com “a coordenação e direcção de um candidato” que “orientou o pagamento do silêncio de duas mulheres” com “o principal objectivo de influenciar as eleições”.

Apesar de não ter nomeado o “candidato” presidencial, é óbvio que se referia a Donald Trump. Aliás, à saída, o seu advogado, Lanny Davis, dissipou quaisquer dúvidas que houvesse: “Hoje, [Cohen] enfrentou o tribunal e testemunhou sob juramente que Donald Trump o levou a cometer um crime ao pagar a duas mulheres pelo seu silêncio, influenciando o resultado da eleição”, declarou. “Se esses pagamentos são um crime para Michael Cohen, por que não haverão de ser também um crime para Donald Trump?”, acrescentou.

A lei eleitoral norte-americana afirma que qualquer compensação atribuída durante uma campanha de forma a influenciar uma eleição deve ser declarada. Assim, um pagamento feito para silenciar pode ser considerado uma contribuição para a campanha.

O acordo entre Cohen e os procuradores federais surgiu na sequência da investigação às atividades do próprio Cohen, que incluem um negócio de licenças de táxis, empréstimos no valor de mais de 20 milhões de dólares e acordos de silêncio com várias mulheres com quem Trump terá tido relações extraconjugais. Tudo isto foi investigado pela possibilidade de violação das leis federais da campanha.

Michael Cohen admitiu ter transferido 130 mil dólares da sua conta para a de Stormy Daniels, atriz pornográfica, de forma a encobrir a ligação que esta tinha com Trump. Entretanto, Trump veio dizer que nunca soube deste pagamento e Giuliani, o seu advogado, disse que os pagamentos tinham sido feitos para “poupar a família Trump à vergonha”, não estando relacionados com a campanha.

Entretanto, Trump já afirmou no Twitter que não recomendaria Cohen como advogado.

Estas novas revelações pressionam Trump a poucos meses das eleições para o Congresso, altura em que os democratas tentarão reconquistar o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado.%u20B%u20B%u20B%u20B%u20B%u20B%u20B

*Publicado originalmente na Esquerda.net



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