Pelo Mundo

Movimentos sociais repudiam presidente da República Dominicana por perseguição a venezuelanos

 

15/10/2020 16:04

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Créditos da foto: (Reprodução)

 
Um manifesto assinado por dezenas de entidades de defesa dos Direitos Humanos na República Dominicana foi divulgado nesta quinta-feira (15/10), com o objetivo de repudiar as políticas de perseguição contra imigrantes venezuelanos no país e o apoio escancarado do presidente Luis Abinader e do chanceler Roberto Álvarez às estratégias do governo dos Estados Unidos de invadir a República Bolivariana.

“Exigimos que o governo dominicano, protegido pela Constituição e pelo Direito Internacional, defenda o fim do bloqueio econômico contra Venezuela e Cuba. Que exija que a Venezuela possa exercer imediatamente sua liberdade de realizar transações bancárias internacionais, fazer comércio, comprar remédios e alimentos. O bloqueio fez com que a Venezuela perdesse 99% de sua receita nos últimos seis anos. O bloqueio é um crime contra a Humanidade, e se transforma em um abuso genocida em uma época de pandemia de covid-19”, diz o manifesto.

As entidades que assinam o documento também recordaram os encontros recentes do presidente desse país, Luis Abinader, com figuras como o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo e o cantor e compositor venezuelano Ricardo Montaner, apoiador da oposição golpista desse país.

O texto também critica o apoio da República Dominicana às tentativas do Estados Unidos, do Grupo de Lima e de parte da oposição Venezuela de boicotar as eleições legislativas nesse país, marcadas para o próximo mês de dezembro.

“Cidadão presidente, desista colocar a República Dominicana como instrumento da política imperialista dos Estados Unidos. Desista de executar o infame conteúdo programático da política externa de seu governo, consignado em ‘uma política externa para o governo da mudança 2020-2024’, que se compromete a reconhecer Guaidó como presidente da Venezuela por decisão dos Estados Unidos e a aplicar o TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) para invadir a Venezuela bolivariana, assim como o império fez em 1965 em nossa pátria, isso é INACEITÁVEL!”, afirma o manifesto.

Leia a carta na íntegra:

Cidadão presidente Luis Abinader: a República Dominicana é uma nação soberana, não é uma colônia de ninguém.

Respeite a Constituição, o princípio da não intervenção e o direito internacional!

Repudiamos a ingerência do governo dominicano contra a República Bolivariana da Venezuela, é inaceitável que o ministro das Relações Exteriores da República Dominicana, Roberto Álvarez, represente o país algemado a um grupo de ultradireitistas pela intervenção dos Estados Unidos em Nossa América, supervisionados diretamente por Donald Trump e Mike Pompeo, com sua política anacrônica de “América para os norte-americanos”, e também pelo nefasto Grupo (Cartel) de Lima, um instrumento de agressão contra governos progressistas que não obedecem sua política de apoio às oligarquias e imposição do nefastos modelos neoliberais.

A direita internacional pretende agredir a rica Venezuela, pôr de joelhos um povo que há mais de 20 anos se autogoverna, criando políticas públicas para se libertar da exclusão. A Venezuela, mesmo com o bloqueio, mantém o modelo de equidade e justiça social que o presidente Hugo Chávez adotou a partir de 1999.

A Venezuela tem sua Constituição, um Estado de Direito, uma Ordem Constitucional e, portanto, não é a República Dominicana, nem nenhum país do mundo que deve dizer quando ou como devem ser suas eleições. A Constituição venezuelana é aquela que marca sua ordem constitucional. As pessoas com direito a voto em eleições livres e democráticas são as que elegem os seus representantes. O presidente Nicolás Maduro foi eleito em eleições livres e democráticas e as próximas eleições de 6 de dezembro são determinadas pela ordem constitucional, que indica que, em janeiro de 2021, a Assembleia Nacional deve ser renovada.

Cidadão presidente Luis Abinader, desista colocar a República Dominicana como instrumento da política imperialista dos Estados Unidos. Desista de executar o infame conteúdo programático da política externa de seu governo, consignado em “uma política externa para o governo da mudança 2020-2024”, que se compromete a reconhecer Guaidó como presidente da Venezuela por decisão dos Estados Unidos e a aplicar o TIAR (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) para invadir a Venezuela bolivariana, assim como o império fez em 1965 em nossa pátria, isso é INACEITÁVEL!

Exigimos que o governo dominicano, protegido pela Constituição e pelo Direito Internacional, defenda o fim do bloqueio econômico contra Venezuela e Cuba. Que exija que a Venezuela possa exercer imediatamente sua liberdade de realizar transações bancárias internacionais, fazer comércio, comprar remédios e alimentos. O bloqueio fez com que a Venezuela perdesse 99% de sua receita nos últimos seis anos. O bloqueio é um crime contra a Humanidade, e se transforma em um abuso genocida em uma época de pandemia de covid-19.

Cidadão presidente:

Por justiça e solidariedade, exigimos os direitos à autodeterminação dessas nações irmãs!

Na Venezuela, mesmo com a agressão dos Estados Unidos e do “Cartel” de Lima, a pandemia está sob controle. Com uma população de 30 milhões, 84.391 foram infectados – muitos trazendo o vírus do exterior –, com 76.262 recuperados e 710 cidadãos que morreram. Governo e população, aplicando protocolos certificados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o que levou a uma taxa de recuperação de 95% dos infectados, sendo 100% dos tratamentos gratuitos.

Cidadão presidente, a respeito da visita política, e enviada pelo ativista da direita venezuelana, Ricardo Montaner, seu pedido viola a Constituição da República e compromete a soberania. A imigração de venezuelanos para nosso país e para o resto do mundo não pode ser considerada perseguição política, é uma resposta econômica às sanções dos Estados Unidos, e não se aplica como refugiados, pois fazê-lo é distorcer a política externa dominicana. Durante a pandemia, mais de 140 mil venezuelanos retornaram, incluindo cerca de 900 do nosso país.

Assinamos em Santo Domingo, República Dominicana, no dia 14 de outubro:

Movimento da Esquerda Unida (MIU) / Movimento Caamañista (MC) / Narciso Isa Conde / Movimento Popular Dominicano (MPD) / Movimento Rebelde Juan Hubieres / Esquerda Revolucionária (IR) / Força Revolucionária (FR) / Comitê Patriótico Francisco Alberto Caamaño Deñó / Força da Revolução / Comitê Dominicano de Direitos Humanos (CDDH) / Comitê Dominicano de Solidariedade com a Revolução Bolivariana da Venezuela / Força Boschista / Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) / Assembleia dos Povos do Caribe – Capítulo Dominicano / Fundação Caamaño / Movimento Comunidades Unidas Camponeses / Ação Afro-Dominicana / Frente Ampla de Luta Popular (FALPO) / Corrente Jurídica Dr. Guido Gil Díaz / Frente de Libertação Estudantil Amín Abel (FELABEL) / Escola Orlando Martínez / Fundação Jesús en ti Confío / Agenda de Solidariedade






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