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Norte-americanos desaprovam ações de Trump em relação ao Irã e dúvidas surgem sobre as supostas ameaças às embaixadas

Mark Esper diz que ''não viu'' evidências que embasassem a alegação de que o Irã estava planejando atacar quatro embaixadas norte-americanas.

15/01/2020 14:05

(CBS)

Créditos da foto: (CBS)

 
Enquanto uma entrevista televisionada com o secretário de Defesa Mark Esper levantou novas dúvidas sobre a alegação do presidente Donald Trump de que o Irã estava planejando atacar quatro embaixadas dos EUA, uma pesquisa divulgada no domingo mostrou que a maioria dos norte-americanos adultos não aprova as ações de Trump em relação a crise com o Irã e se sente menos segura por causa disso.

A pesquisa da ABC News/Ipsos, conduzida na sexta e no sábado, descobriu que 73% dos norte-americanos estão um pouco ou muito preocupados com a possibilidade de entrar em guerra com o Irã. Além disso, “56% dos norte-americanos desaprovam as ações de Trump em relação ao Irã e 52% acreditam que o ataque aéreo realizado pelos EUA e que matou o general iraniano Qasem Soliemani deixou os EUA menos seguro”.

Esses resultados se alinharam com as pesquisas da Reuters/Ipsos e da USA Today/Ipsos, ambas conduzidas na segunda e na terça da semana passada. Essas pesquisas descobriram, respectivamente, que 53% dos norte-americanos desaprovam as ações de Trump com o Irã e que 55% acreditam que assassinar Soliemani deixou os EUA menos seguro.

Desde que assumiu responsabilidade pelo ataque aéreo que matou o comandante iraniano em Bagdá, Trump e membros de sua administração seguiram o roteiro de que o assassinato veio em resposta a uma “ameaça eminente” encarada pelos norte-americanos.

Como reportou o Common Dreams, Trump alegou, durante uma conferência de imprensa televisionada na quinta, – sem fornecer nenhuma evidência – que ele ordenou o ataque porque Soliemani estava planejando “explodir” a embaixada dos EUA no Iraque.

O presidente alongou essa alegação em uma entrevista com Laura Ingraham da Fox News, dizendo que o Irã estava planejando múltiplos ataques. Como colocou Trump, “posso revelar que acredito que seriam, provavelmente, quatro embaixadas”.

No entanto, Esper complicou a narrativa da administração Trump quando ele disse no “Face The Nation” da CBS que ele “não viu” nenhuma evidência específica sobre quatro embaixadas.

“O presidente... não citou nenhuma evidência especifica”, disse Esper sobre a entrevista de Trump na Fox. “Eu não vi nenhuma, em relação às quatro embaixadas. O que estou dizendo é que partilho da visão do presidente de que provavelmente – minha expectativa era que eles iriam atrás das nossas embaixadas. Elas são a mais proeminente demonstração da presença norte-americana em um país.”

O senador Bernie Sanders (Independente – Vermont), respondeu à entrevista de Esper no Twitter. Ele sugeriu que Trump está trilhando um caminho de mentiras para dentro de uma guerra com o Irã e prometeu fazer tudo o que puder para prevenir isso.

Referenciando observações anteriores de Esper e do Conselheiro Nacional de Segurança Robert O’brien – ambos disseram que a administração tinha “inteligência impressionante” sobre a suposta ameaça eminente – o deputado Adam Schiff (Democratas – Califórnia), presidente do Comitê de Inteligência da Câmara disse que “não havia discussão entre a Gangue dos Oito sobre as quatro embaixadas que estariam sendo miradas e que haveria uma inteligência impressionante que mostraria que seriam os alvos específicos”.

O Senador Mike Lee (Republicanos-Utah) disse no programa “State of the Union” da CNN que a administração Trump não compartilhou a alegação do presidente sobre quatro embaixadas estarem sob a mira das forças de Soleimani, durante um briefing confidencial que ele participou.

“Eu não ouvi nada sobre isso e muitos dos meus colegas disseram o mesmo”, disse Lee à CNN, “então isso era novidade para mim. Certamente não era algo que foi abordado no briefing confidencial”.

Lee revelou que ia assinar como co-patrocinador da lei de Sanders que congelaria financiamento para qualquer ação militar dos EUA contra o Irã sem a aprovação do Congresso. O anúncio veio em uma declaração conjunta de Lee e Sanders.

 “Como senadores dos EUA, frequentemente discordamos em muitos assuntos. Mas fazer valer a Constituição não é sobre partidarismo”, disseram Lee e Sanders. “Os Pais Fundadores foram absolutamente claros. Queriam garantir que nosso país evitasse conflitos desnecessários e entendiam que guerras orquestradas por presidentes seriam prejudiciais à nossa democracia.”

“Nossa lei – o Ato Sem Guerra Contra o Irã – utiliza o poder do Congresso para bloquear quaisquer financiamentos que levariam a uma guerra não autorizada com o Irã”, eles adicionaram. “Já que nosso país encara a possibilidade de outro conflito devastador no Oriente Médio que poderia custar muitas vidas e trilhões de dólares, o Senado deve votar a nossa lei sem atraso.”

*Publicado originalmente em Common Dreams | Tradução de Isabela Palhares

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