Pelo Mundo

O mistério de Epstein

 

16/08/2019 17:40

Epstein e Trump, em uma casa do presidente americano na Flórida (Getty Images)

Créditos da foto: Epstein e Trump, em uma casa do presidente americano na Flórida (Getty Images)

 
Agradeço a confiança de meus leitores - mas não tenho como esclarecer o caso Epstein para vocês. Talvez possa, no entanto, ajudá-los a pensar sobre ele de forma cautelosa.

Primeiramente, muitos “suicídios” em prisões são assassinatos. Em 1995, o irmão de Jesse Trentadue, Kenneth, foi erroneamente identificado como o possível “homem desaparecido” supostamente envolvido no atentado de Oklahoma City e foi espancado até a morte em uma prisão federal por agentes penitenciários federais. A prisão alegou que Kenneth havia se enforcado em sua cela. O legista estadual recusou-se a confirmar o veredito de suicídio e só muito mais tarde, após muita pressão, cedeu à farsa. A prisão queria cremar o corpo em vez de devolvê-lo à família para o velório. Mas Jesse, que trabalhava como advogado em Salt Lake City, suspeitou. Quando o corpo foi devolvido, estava coberto com maquiagem pesada. Uma investigação revelou lacerações na cabeça, hematomas e queimaduras e outras contusões obviamente não autoinfligidas e que não poderiam ter sido causadas por enforcamento. Aparentemente, Kenneth fora torturado e espancado até a morte em um esforço para que confessasse. Jesse tenta obter justiça para a família há 24 anos, mas vem sendo impedido pelo Departamento de Justiça (sic) dos EUA.

Não é possível cometer suicídio quando uma pessoa está em observação por risco de suicídio. Ex-presos, guardas carcerários e funcionários do sistema prisional afirmam terem certeza de que Epstein não cometeu suicídio por enforcamento.

As únicas questões diante de nós são: Epstein teria sido assassinado para proteger membros da elite? Epstein foi retirado pelo Deep State e uma pessoa morta, de aparência semelhante, deixada em seu lugar?

Na semana passada, quem afirmou que Epstein não iria a julgamento, pois muitas pessoas proeminentes acabariam implicadas, foi desprezado, acusado de "teórico da conspiração". Essa semana, sabemos que os "teóricos da conspiração" tinham razão. Epstein não irá a julgamento.

Mas não sabemos se ele está morto. Este relato no Intellihub pode ser só uma invenção para atrair leitores.

Ou pode ser um falso relato do deep state para desviar a atenção de um suicídio suspeito. James Jesus Angleton, chefe da contrainteligência da CIA, certa vez me disse que quando a CIA realiza uma operação, costuma criar confusão, plantando teorias diferentes e conflitantes na mídia. O resultado, ele explica, é que há tanto para investigar e tanta discussão sobre que versão estaria correta, que os fatos em si nunca são investigados. Hoje, com a Internet, todo tipo de história pode ser sugerida para causar confusão sobre um evento.

Quando vocês ouvirem alguém tentar desmerecer uma opinião chamando-a de "teoria da conspiração", desconfiem. A CIA inventou a "teoria da conspiração" para controlar a explicação do assassinato do presidente John F. Kennedy, pondo em descrédito aqueles que não acreditavam na explicação oficial.

Não saberemos se Epstein não está vivo e aproveitando a vida com menores de idade em um abrigo da CIA até que pessoas que o conheçam bem e que não estejam ameaçadas pela investigação de suas atividades pedófilas possam identificar o corpo, e que especialistas não oficiais e não governamentais identifiquem o corpo através de exames de DNA. E mesmo assim, não teremos certeza de que os investigadores não foram subornados ou ameaçados.

Muito será feito para aumentar a confusão e a dúvida. Já temos um relatório de autópsia atrasado e o envolvimento de um patologista que endossou a inacreditável explicação de uma única bala no assassinato do presidente Kennedy.

A cada dia, surgem informações novas e contraditórias. Agora há relatos, supostamente de fontes oficiais, de que Epstein foi tirado da observação por risco de suicídio pouco antes de seu "suicídio". Este relato é necessário para apoiar o veredito de suicídio, já que o suicídio não seria possível em uma célula à prova de suicídio.

É grande a probabilidade de nunca termos uma explicação clara e convincente. A única maneira de conhecermos a verdade é estudar a situação com muito cuidado, considerando cada aspecto novo da história, para chegarmos a nossa própria conclusão. Explicações oficiais, tais como as dos assassinatos do presidente Kennedy, de Robert Kennedy, de Martin Luther King, do ataque israelense ao USS Liberty e de 11 de setembro, nunca estão corretas.

O julgamento de Epstein causaria tanto descrédito à elite americana que simplesmente não poderia acontecer. Por isso, nunca saberemos o que realmente aconteceu com Epstein.

Paul Craig Roberts foi secretário assistente do Tesouro para Política Econômica e editor associado do Wall Street Journal. Seus últimos livros são The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West, How America Was Lost, and The Neoconservative Threat to World Order.

*Publicado originalmente no blog do autor | Tradução de Clarisse Meireles




Conteúdo Relacionado