Pelo Mundo

O poder da negociação

 

04/10/2019 17:23

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Créditos da foto: &nbps;

 
Mais uma vez Portugal está se propondo a dar uma lição de democracia moderna ao mundo no próximo domingo quando, ao que tudo indica, deverá renovar a carga da bateria do seu governo socialista formado pelos principais partidos de esquerda do país novamente coligados para administrá-lo.

Os prognósticos são os de que a "geringonça" lusitana continuará a funcionar, o que vem ocorrendo, com sucesso, desde 2015.

O apelido, dado com menosprezo pela direita (pelo PDS), que não acreditava numa sólida coligação dos comunistas (PCP) com o Bloco de Esquerda e a força dos socialistas (PS). A aliança foi frutífera como proporcionou ao país se não uma prosperidade garantida, a estabilidade e o bem estar da população. Um feito notável no quadro do conjunto de países da União Europeia varridos hoje pelas ameaças da inflação, das cruéis políticas de austeridade neoliberais e pelas sombras de governos fascistas, de extrema direita.

A "geringonça" - uma combinação sem estrutura, sem qualidade, sem nada que demonstrasse que ela iria adiante, segundo a direita, na época – mostrou e mostra ainda que a força da negociação política hábil, com o objetivo permanente de governar para os cidadãos e não apenas para banqueiros, para as classes privilegiadas e para o capital, apesar de todos os seus defeitos e do jogo de perdas e ganhos nem sempre do agrado dos autoritários, é a melhor forma de garantia da democracia moderna.

Uma lição e tanto.

A vinte e quatro horas das eleições legislativas, o PS está adiante da direita (PDS) dez pontos e Antônio Costa, líder dos socialistas, segundo as ultimas pesquisas, tem garantida a governança se fechar aliança apenas com o PAN (ambientalistas) e com o PCP - ainda uma forca política que goza de grande confiança do eleitor calcadas na memória exaltada, ainda hoje, do excepcional líder comunista Álvaro Cunhal.

Uma campanha de rua – que aqui são as "arruadas" – terminada, o saldo é uma outra lição, esta para o Brasil violento e tosco, neste momento. Campanhas políticas e debates civilizados, com lideres educados, respeitosos com os adversários e conhecedores dos temas propostos ao eleitor nos fazem lembrar, com tristeza, da truculência vigente no pais hoje governado por indivíduos desqualificados em todos os aspectos e não apenas político.

Por oposição, as atuais eleições portuguesas fazem lembrar do livro de Lilia Schwarcz, "Sobre o autoritarismo brasileiro".

Conclusão: a "sopa", como diz uma analista politica sobre o governo socialista liderado por António Costa, pode não estar sendo servida quentinha como deveria; ela está morna. Mas em tempos de fome é uma sopa muito bem vinda.

E agora, com nova oportunidade, se ouvirmos as pesquisas de opinião e as muitas pessoas com quem conversamos, nas ruas da cidade do Porto (uma cidade mais à direita, onde Rui Rio, líder do PDS foi prefeito, e com pouco menos que 300 mil habitantes ), abre-se uma nova janela para as esquerdas, excepcionalmente unidas, consolidarem a experiência tão necessária, no mundo, neste momento.





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