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O que sabemos sobre os primeiros resultados encorajadores de um projeto norte-americano de vacinas

 

19/05/2020 13:38

O projeto da vacina chamado mRNA-1273 desencadeou uma resposta imune semelhante à observada em pessoas naturalmente infectadas pelo vírus (afp.com/Thibault Savary)

Créditos da foto: O projeto da vacina chamado mRNA-1273 desencadeou uma resposta imune semelhante à observada em pessoas naturalmente infectadas pelo vírus (afp.com/Thibault Savary)

 

O laboratório americano Moderna anunciou na segunda-feira (18) que seu projeto de vacina parece revelar uma resposta imune em vários indivíduos testados.

A empresa norte-americana de biotecnologia Moderna, uma das mais avançadas na corrida para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus, anunciou nesta segunda-feira resultados muito preliminares, mas encorajadores, para sua vacina experimental em oito voluntários, antes dos testes em grande escala planejados para Julho.

Uma resposta imune e muito poucos efeitos colaterais

A jovem empresa, na qual o governo dos EUA investiu US$ 483 milhões, anunciou "dados intermediários positivos" desde a fase inicial dos ensaios clínicos: em oito pessoas, o projeto da vacina chamado mRNA-1273 provocou uma resposta imune semelhante ao que vemos em pessoas que foram naturalmente infectadas com o vírus que causa a Covid-19.

Testes em ratos mostraram separadamente que a vacina impede a replicação do vírus nos pulmões, informou a empresa na segunda-feira. Essa primeira fase também teve como objetivo verificar se a vacina não é tóxica, e a Moderna não relatou nada além de alguns efeitos secundários, como vermelhidão no local da injeção.

O laboratório foi um dos dois primeiros a injetar seu projeto de vacina em seres humanos, em 16 de março. Até o momento, apenas 12 ensaios clínicos foram iniciados com voluntários humanos em todo o mundo. Para a Moderna, na primeira fase experimental, três grupos de 15 voluntários receberam três doses diferentes, com um reforço 28 dias depois. Em vista dos primeiros resultados, os cientistas decidiram eliminar a dose mais alta do restante dos testes, já que as doses mais baixas pareciam funcionar. "Quanto menor a dose, mais pessoas você pode proteger", disse o presidente do laboratório americano.

Luz verde para iniciar a fase 2 do teste

Ainda é muito cedo para prever o futuro dessa vacina, que se baseia em uma tecnologia chamada RNA messenger que nunca provou ser eficaz. Os resultados completos do estudo de fase 1, em 45 participantes entre 18 e 55 anos, ainda não são conhecidos. Mas a fase 2 já recebeu a luz verde da Agência de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), que concordou com um procedimento de desenvolvimento acelerado.

A vacina foi desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIAID), liderado pelo Dr. Anthony Fauci. O instituto também está conduzindo o ensaio clínico. Os primeiros dados "sugerem que o mRNA-1273 tem uma alta probabilidade de criar proteção" contra o coronavírus, disse Stéphane Bancel, diretor geral francês da Moderna, durante uma teleconferência.

A segunda fase dos testes começará em junho com 600 pessoas, disse ele, e a mais importante, a fase 3, deve começar em julho. O protocolo está sendo finalizado com o FDA.

 Uma parceria para aumentar sua capacidade de produção

Geralmente, leva anos para se desenvolver uma vacina, mas muitos governos e laboratórios desejam uma ou mais vacinas no próximo ano, ou mesmo antes do final de 2020, para vacinas de emergência. O governo Trump, que quer 300 milhões de doses até janeiro para vacinar a população americana, investiu no início do projeto Moderna - assim como nos menos avançados do grupo americano Johnson & Johnson e do laboratório francês Sanofi.

O problema não é apenas identificar uma vacina eficaz e segura, será necessário fabricar bilhões de doses. Portanto, grandes laboratórios, incluindo a Moderna, anunciaram que começariam a produzir milhões de doses sem esperar pelos resultados de seus ensaios clínicos, uma tomada de risco sem precedentes e amplamente financiada por estados e grandes organizações não-governamentais.

A empresa anunciou recentemente uma parceria com a gigante Lonza para aumentar sua capacidade de produção e fabricar até um bilhão de doses por ano, se a dose mais baixa for escolhida. A empresa, fundada há nove anos e sediada em Cambridge, perto de Boston, até agora nunca recebeu uma licença de medicamento ou vacina. "Estamos impressionados com esses dados intermediários", disse seu diretor administrativo.

*Publicado originalmente em LEXPRESS.fr | Tradução de César Locatelli

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