Pelo Mundo

OEA e Centro Carter reconhecem vitória de Hugo Chávez

16/08/2004 00:00

Caracas - A oposição venezuelana, abrigada sob a frente da Coordenadoria Democrática, sofreu um sério revés na tarde desta segunda-feira (16). Em concorrida entrevista coletiva, realizada no hotel Meliá Caracas, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que comanda a ONG Centro Carter, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, reconheceram a vitória de Chávez no referendo revogatório de domingo (15).

"Minha opinião é que todos os venezuelanos devem aceitar os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral. Até aqui não existem evidências de irregularidades. E nós não percebemos nenhuma delas". Seguindo a mesma linha, Gaviria afirmou que os resultados coincidem com as projeções e pesquisas por ambos realizadas. "Não existiram situações graves de intimidação ou violência que indiquem qualquer tipo de fraude. O sistema não permite manipulação nos resultados finais."

Galeano
Instantes depois, o escritor uruguaio, Eduardo Galeano, em nome de outros observadores internacionais convidados, em intervenção na sede do CNE, saudou "o alto nível de consciência cívica, um inequívoco reflexo de maturidade política dos venezuelanos". Chamou a atenção apenas para a necessidade de se aperfeiçoarem os processos de votação, de modo a agilizá-los.

Inconformismo
A oposição perdeu grande parte de seu discurso, que alega a realização de "imensas fraudes", como classifica o deputado Henry Ramos Allup. O isolamento internacional enfatizado pelos observadores tira grande parte do raio de ação das forças que se bateram pela revogação do mandato de Chávez. Um incidente ocorrido no final da tarde, na praça Altamira, reduto de classe média de Caracas, tenta turvar o ambiente de calma e tranqüilidade observado até aqui.

Uma pequena manifestação pública de oposicionistas inconformados com o resultado foi dissolvida a tiros por desconhecidos, ferindo 7 pessoas. Até o momento não se identificou o autor dos disparos. Algumas emissoras de rádio tentam insinuar que seriam "chavistas" descontentes com sua "derrota". Tenta-se montar novamente um quadro a que se assistiu durante o golpe de abril de 2002, quando o governo foi acusado - sem evidência alguma - de ter contratado franco-atiradores para alvejar populares. Mais uma vez tenta-se montar uma realidade virtual. A diferença agora é que, além de parecer uma provocação, não há provas do que tenha acontecido.


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