Pelo Mundo

Operários e camponeses protestam nas ruas do Paraguai

20/08/2004 00:00

Jornal Ultima Hora*

Créditos da foto: Jornal Ultima Hora*

Assunção – Milhares de camponeses e operários foram às ruas da capital paraguaia, quinta-feira (19), para expressar sua rejeição a qualquer plano de privatizar empresas públicas por parte do governo de Nicanor Duarte Frutos. A mobilização foi organizada pela Frente de Defesa dos Bens Públicos e pelo Patrimônio Nacional, integradas por organizações camponesas, sindicais e sociais.

Os manifestantes se concentraram na central Praça Itália, e dali marcharam até a sede do Congresso. O presidente Duarte Frutos tem afirmado que seu governo não é partidário da privatização, mas de alguma forma de abertura das empresas públicas ao setor privado. O senador Silvio Ovelar, do governante Partido Colorado, aliado de Duarte Frutos, reiterou a posição oficial depois de uma reunião com o presidente. "Essa é a posição do presidente", disse ele, destacando que a idéia é capitalizar as empresas, mas manter o controle estatal. 

Marcial Gómez, secretário-geral adjunto da Federação Nacional Camponesa, rejeita qualquer forma de cessão das empresas públicas, que considerou "patrimônio nacional". "A capitalização é uma forma maquiada de privatização", criticou. Em meados de 2002, outra mobilização operário-camponesa já havia lutado contra a venda da Companhia Paraguaia de Comunicações (Copaco). 

Na época, aconteceram graves incidentes e a repressão policial causou a morte de dos camponeses. O governo administra companhias que provêm serviços de eletricidade, água, telefone, uma empresa de cimento e uma refinaria de petróleo. Também existe o monopólio da seguridade social através do Instituto de Previsão Social (IPS), uma entidade dominada pelo Estado. 

A grande imprensa do país tem denunciado que a maioria dessas empresas estatais está dominada pela corrupção e pela troca de favores políticos, além de manter enormes dívidas. Como exemplo, citam o caso da Administração Nacional de Telecomunicações (Antelco), hoje Copaco, que tinha mais de cinco mil funcionários, enquanto especialistas internacionais avaliavam que ela poderia funcionar com cerca de 2,5 mil empregados. A imprensa não discute, porém, se o aumento da eficiência dessas companhias poderia ser feito pelo próprio poder público, garantido os serviços essenciais que são prestados. 

Desde a queda da ditadura de Alfredo Stroessner, em 1989, os governos que se sucederam desde então só privatizaram três companhias: uma empresa aérea, uma fábrica de aço e uma fábrica produtora de bebidas alcoólicas. O Senado trata atualmente da revogação de uma lei de 2001 que autoriza o governo a privatizar as empresas públicas. Sua revogação é pedida agora pela administração de Duarte Frutos, para promulgar em seu lugar outra, que contemple a capitalização com contribuições privadas. 

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