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Os 'perigosos ataques de Trump à imprensa', segundo o New York Times

O editor do diário The New York Times (NYT) alertou o presidente estadunidense Donald Trump, em reunião na Casa Branca que seus seguidos ataques aos meios de comunicação são 'incendiários', 'perigosos' e 'daninhos' para os Estados Unidos.

30/07/2018 18:14

 

Do diário La Jornada, do México

O editor do diário The New York Times (NYT) alertou o presidente estadunidense Donald Trump, em reunião na Casa Branca que seus seguidos ataques aos meios de comunicação são “incendiários”, “perigosos” e “daninhos” para os Estados Unidos.

A reunião entre Trump e Arthur Gregg Sulzberger, que assumiu o comando do prestigiado diário estadunidense em janeiro deste ano, teve lugar no dia 20 de julho, após uma solicitação presidencial. A sessão, na qual também participou o editor da página editorial do NYT, James Bennet, se manteve en secreto de comum acordo até que Trump a tornou pública, através de um tuíte publicado neste domingo (29/7).

“Tive uma muito agradável e interessante reunião na Casa Branca com A.G. Sulzberger, editor do NYT”, escreveu Trump na rede social. “Passamos muito tempo falando sobre a grande quantidade de notícias falsas publicadas pelos meios, e como as fake news se transformaram em `inimigas das pessoas´. Triste!”, acrescentou.

Em comunicado difundido pelo seu jornal, Sulzberger respondeu o tuíte presidencial e descreveu o que pareceu ser um encontro “casualmente duro e contundente” com o mandatário. “Disse a ele, diretamente, que considerava sua linguagem divisionista, e cada vez mais perigosa”, relata o comunicado.

O intercâmbio se produz num momento de alta tensão entre Trump e os meios estadunidenses, com o presidente denunciando regularmente informes de notícias críticas como “notícias falsas” (fake news).

“Contestei dizendo que o termo `notícias falsas´ não é correto, e pode ser nocivo, me preocupa muito mais o rótulo ao trabalho dos jornalistas, e que sejam apontados como `inimigos do povo´. Adverti que essa linguagem incendiária está contribuindo a um aumento das ameaças contra os jornalistas, e que pode inclusive levar à violência”, agregou o editor.

Sulzberger lembrou também de outros líderes estrangeiros que usam a linguagem de Trump para justificar repressões a jornalistas, e que isso, também coloca vidas em risco. “Implorei a ele por uma mudança em algumas expressões, porque considero que as possíveis consequências desses ataques podem ser muito ruins para o nosso país”, completou.

Mas Trump não o deixou ficar com a última palavra. Em uma série de tuítes, no mesmo domingo, posteriores à publicação do comunicado, o presidente lançou novos ataques contra a imprensa, dizendo que são os meios que “colocam vidas em risco, não só as dos jornalistas como também as dos funcionários de governo (...) ao revelar as deliberações internas da administração”.

“O falido New York Times e o Washington Post, testa de ferro da Amazon, não fazem outra coisa senão escrever artigos ruins, criticando até mesmo histórias de sucessos ou políticas muito positivas, e nunca mudarão isso!”, respondeu o Trump, através da rede social.

“Última oportunidade”

Arthur Gregg Sulzberger, de 37 anos, é o último de uma longa lista de Sulzbergers que passaram pela chefia deste que é um dos mais importantes diários estadunidenses. Quando assumiu o timão da chamada da “Dama Cinza”, após vários anos como repórter ou editor, Trump tuitou que a ascensão do jovem deu ao periódico uma “última oportunidade” de demonstrar imparcialidade e de informar as notícias “sem temor nem FAVOR”.

Mas, desde então, tanto o diário como outras fontes de notícias passaram a fazer eco dos problemas pessoais e políticos de Trump, expondo ao país seus frequentes erros. O presidente tem respondido todas notícias negativas com tuítes contra os mesmos diários, e o NYT é um dos mais contestados. Diversas vezes, o presidente se referiu à publicação como “desonesta”, “falida” e “corrupta”, assegurando que usa “fontes falsas e inexistentes”.

Após a reunião entre Trump e Sulzberger se tornar pública, se especulava se o encontro levaria a uma melhor relação entre a Casa Branca e os meios. Sobre isso, um ex-editor do NYT recomendou, via redes sociais: “não segurem a respiração esperando isso acontecer”. O que indica que as relações de Trump com a imprensa continuarão registrando sua pior situação histórica.

Na última quarta-feira (25/7), a Casa Branca proibiu a jornalista Kaitlan Collins, da CNN, assistir a uma conferência de imprensa, depois que a jornalista fez perguntas consideradas “inapropriadas” em um evento anterior. Olivier Knox, representante da Associação de Correspondentes da Casa Branca, deplorou a decisão, considerando-a uma resposta “mal enfocada e frágil” contra uma jornalista que simplesmente estava fazendo seu trabalho.



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