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Os trabalhadores essenciais estadunidenses não estão protegidos para lidar com a Covid-19

O governo federal deixou a maior parte da segurança nas mãos dos empregadores

17/05/2020 13:55

(Reprodução/The Economist)

Créditos da foto: (Reprodução/The Economist)

 

Essa semana, aeronaves do exército dos EUA voaram em diversos estados para “saudar” trabalhadores essenciais pelo seu papel na pandemia do coronavírus. Alguns desses trabalhadores podem dizer que tais demonstrações significam pouco se eles não estão adequadamente protegidos no trabalho.

Quase um em cada quatro estadunidenses está empregado no setor de serviços. Muitos forçados a ficar em casa por causa da pandemia – incluindo trabalhadores do varejo e de restaurantes – desde então foram demitidos ou tiveram diminuição de carga horária. Mas os considerados “essenciais” por autoridades do governo – como caixas de supermercado, entregadores e farmacêuticos – continuaram a trabalhar, se arriscando com a exposição ao vírus.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou uma diretriz sobre o quê as empresas podem fazer para proteger seus funcionários. Tais medidas incluem medir temperaturas, fornecer locais de saneamento e máscaras, e reforçar o distanciamento social. Mas a Administração de Saúde e Segurança do Trabalho (OSHA), a agência responsável por garantir que os locais de trabalho sejam seguros, deixou os trabalhadores à sua própria sorte com seus próprios equipamentos. Como resultado, o nível de proteção dos trabalhadores tem variado muito.

Um estudo do Shift Project, uma unidade de pesquisa da Universidade da Califórnia, sugere que os esforços de segurança no ambiente de trabalho estão ocorrendo em vários lugares. Em março e abril o grupo entrevistou trabalhadores do varejo e de restaurantes sobre as precauções que seus empregadores tomaram para protegê-los contra o vírus. Das 8.000 pessoas entrevistadas, 65% disseram que seus empregadores introduziram novas medidas de limpeza e saneamento e 56% disseram que foram equipadas com luvas. Mas somente 19% disseram que receberam máscaras. E poucas empresas tornaram obrigatório o uso de equipamentos de proteção pessoal. Somente 18% dos trabalhadores foram obrigados a usar luvas no trabalho; somente 7% tiveram que usar máscaras.

 Algumas indústrias têm sido mais proativas que outras. A pesquisa descobriu que trabalhadores de hotelaria e farmacêuticos tiveram um acesso razoavelmente bom a luvas e máscaras. Funcionários de lojas de conveniência e entregadores foram menos amparados. Mesmo dois terços das lojas de departamento tendo introduzido novas exigências de limpeza, somente 12% dos trabalhadores disseram que as luvas eram exigidas em ambientes de trabalho, e somente 6% foram obrigados a usar máscaras. Mesmo com o aumento recente das vendas online, somente 17% dos trabalhadores de armazéns e 10% de motoristas entregadores tiveram acesso a máscaras (ver o gráfico).

Os resultados sugerem que muitos trabalhadores do setor de serviços estão em risco. E poucos podem bancar uma doença. Mesmo antes da crise, mais da metade dos trabalhadores do setor não tinham licença médica paga. Entre os trabalhadores sem licença, 45% disseram que não conseguiriam arranjar 400 dólares para cobrir um gasto inesperado ou perda de renda, como a perda de uma semana de pagamento. Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, e Ro Khanna, deputada da Califórnia, propuseram uma lei que iria garantir uma proteção mais uniforme para os trabalhadores da linha de frente, incluindo mais equipamentos de proteção pessoal. Ao passo que os estados começam a reabrir suas economias, e mais trabalhadores têm que se colocar em risco, a necessidade de proteção efetiva se tornará mais urgente.

*Publicado originalmente em 'The Economist' | Tradução de Isabela Palhares

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