Pelo Mundo

Papel Prensa: Governo pede depoimento de Videla e dos empresários envolvidos

05/12/2012 00:00

Página/12

Buenos Aires - A representação foi feita ao juiz Julián Ercolini e envolve a diretora do jornal Clarin, Ernestina Herrera de Noble; o CEO desse multimeio, Héctor Magnetto; o presidente do jornal La Nación, Bartolomé Mitre, e o ex-ministro da Economia da ditadura José Alfredo Martínez de Hoz, entre outros envolvidos. Exigiu-se, também, que lhes seja negada a saída do país e que se evitem "dilações indevidas" no processo.

"Solicitamos que se interrogue os que são apontados como autores deste delito de lesa humanidade e cúmplices do Processo de Reorganização Nacional no terrorismo de Estado", afirmou o Secretário de Direitos Humanos da Nação, Martín Fresneda.

O funcionário pediu ao juiz Julián Ercolini que convoque a depor Ernestina Herrera de Noble, diretora do Clarín; o CEO do grupo, Héctor Magnetto e o presidente do jornal La Nación, Bartolomé Mitre. Também pediu o interrogatório dos ex-titulares do jornal La Razón, Sergio José Peralta Ramos, Marcos Peralta Ramos, Hugo Fernando Peralta Ramos; o ex-ditador, Jorge Rafael Videla e o ex-ministro de Economia, José Alfredo Martínez de Hoz, além do jornalista Reynaldo Gregorio Bandini e o ex-secretário de Indústria Raimundo Podestá.

"Todos eles estão acusados na representação apresentada pelo ex-titular desse organismo, o falecido Eduardo Luis Duhalde, em 22 de novembro de 2010, como partícipes de diversas ações realizadas a partir do Estado e empresas privadas, em particular Clarín e La Nación, para a aquisição, sob extorsão, da empresa Papel Prensa", afirmou Fresneda em declarações à rádio Continental. A denúncia alude também a "ações de privação ilegítima de liberdade e tormentos na pessoa de Lidia Papaleo", para obter essa transferência, afirmou o funcionário.

Dois anos depois de feita a representação judicial e depois que a tramitação foi destravada na Câmara Nacional de Cassação e remetida à competência do juiz Ercolini, "no dia de hoje solicitamos que disponha o procedimento de medidas probatórias", afirmou Fresneda.

O processo investiga se foram cometidos delitos de lesa humanidade durante a venda das ações da Papel Prensa SA, propriedade do Grupo Graiver, em favor das empresas La Nación SA, Clarín e La Razón SA, ocorridas durante a última ditadura, e na que são demandantes a viúva de David Graiver, Lidia Papaleo, e a Secretaria de Direitos Humanos.

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