Pelo Mundo

Parlamento boliviano quer investigar relação do governo brasileiro com golpe de 2019

Freddy Mamani, presidente da Câmara dos deputados do país vizinho, defende criação de uma comissão de inquérito a partir das revelações sobre o apoio do ex-presidente argentino Mauricio Macri aos setores golpistas, e diz pretende apurar as ações do Brasil de Bolsonaro e do Chile de Sebastián Piñera naquele episódio

16/07/2021 17:06

Jeanine Áñez está presa desde março deste ano (Zaconeta Caballero Reinaldo/Fotos Públicas)

Créditos da foto: Jeanine Áñez está presa desde março deste ano (Zaconeta Caballero Reinaldo/Fotos Públicas)

 
Qual foi a participação dos governos da América do Sul no golpe de Estado que a direita promoveu na Bolívia em 2019, derrubando o governo legitimamente eleito de Evo Morales?

Essa é uma pergunta que ganhou força depois que uma reportagem recente do jornal argentino Página/12 mostrando uma denúncia apresentada na Justiça argentina contra o governo de Mauricio Macri, que naquele então vivia seu último mês como presidente, período em que teria colaborado com a direita golpista boliviana – entre outras coisas, enviando armas contrabandeadas ao país vizinho, que foram usadas nos ataques a sedes de governo e a residências de autoridades do partido governista MAS (Movimento ao Socialismo), e também a familiares dos mesmos.

Por isso, o presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Freddy Mamani, anunciou nesta terça-feira (13/7) a proposta de criar uma comissão de inquérito para averiguar não só as denúncias contra Macri como também a possibilidade de que outros governos possam ter colaborado com os golpistas.

Mamani não escondeu quais são os governos cujas ações relacionadas ao episódio serão alvo de apuração: o de Jair Bolsonaro no Brasil e o de Sebastián Piñera no Chile, ambos de direita e abertamente hostis a Evo Morales e ao MAS – ambos os países, inclusive, mantêm essa postura de animosidade com o atual governo progressista de Luis Arce, a qual foi interrompida, curiosamente, durante a gestão de Jeanine Áñez, a presidenta que foi colocada no poder pelas Forças Armadas após o golpe de 2019.

A bancada governista da Câmara afirma que há registros de figuras que foram líderes do golpe de Estado de 2019 participando de reuniões em Santiago e em Brasília nas semanas e meses anteriores. No caso do Brasil, o principal elo foi o empresário Luis Fernando Camacho, caudilho dos movimentos de ultradireita de Santa Cruz (região sudeste do país), que participou de encontros com parlamentares bolsonaristas e chegou a ser recebido pelo então chanceler brasileiro Ernesto Araújo no Itamaraty.

Em declarações à imprensa local, o deputado Mamani afirma que “essas suspeitas (sobre a participação de Brasil e Chile no golpe) precisam ser apuradas, seja por uma comissão da Câmara ou uma comissão mista (que incluiria também senadores)”.

Vale lembrar que além de Macri, outro ex-presidente que estaria envolvido no envio de armas às forças golpistas bolivianas é Lenín Moreno, que na época era presidente do Equador. Seu governo teria provido os movimentos golpistas com armamento e munição, incluindo até granadas.

No caso equatoriano, ainda não há qualquer reação do governo de direita de Guillermo Lasso a respeito das revelações. Já na Argentina, o governo de Alberto Fernández afirmou que pretende iniciar uma investigação a respeito da possível relação da Casa Rosada com o golpe de 2019.



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