Pelo Mundo

Partido de Evo Morales lidera pesquisas na Bolívia

Atrás do MAS, que atinge 26% de apoio, estão o ex-presidente Carlos Mesa e o líder cívico Luis Fernando Camacho, com 17% cada. A autoproclamada presidente Jeanine Añez fecha as preferências em 12%

28/01/2020 11:59

Luis Arce é candidato do MAS, partido de Evo Morales, à presidência da Bolívia (EFE)

Créditos da foto: Luis Arce é candidato do MAS, partido de Evo Morales, à presidência da Bolívia (EFE)

 
O Movimento para o Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales, encabeça as intenções de voto para eleições presidenciais de 3 de maio na Bolívia. O partido do ex-governante, refugiado na Argentina desde 12 de dezembro passado, recebeu 26% de apoio. O MAS é seguido pelo ultradireitista Luis Fernando Camacho e pelo ex-presidente Carlos Mesa, ambos com 17% de votos. A autoproclamada presidente Jeanine Añez, que anunciou recentemente que participará das eleições, apareceu com 12%. Os dados são de uma pesquisa publicada pelo jornal Página Siete.

O estudo, elaborado pela Markets and Samples, foi realizado entre os dias 9 e 13 deste mês, de modo que a folha de perguntas não incluía o nome do candidato do MAS, o ex-ministro da Economia, Luis Arce, proclamado candidato depois dessa data. Ao contrário, a pesquisa incluiu a candidatura da presidente de fato do governo, Jeanine Añez, que tem 12% das intenções, apesar do fato de que ela só anunciou sua indicação na última sexta-feira.

A candidatura de Añez pegou a opinião pública boliviana de surpresa. O presidente deposto da Bolívia, Evo Morales, disse que "sua candidatura para as eleições mostra que seu único desejo ao tomar o poder era rifar nossos recursos estratégicos".

Mesmo da oposição ao Masismo, surgiram vozes críticas à candidatura de Añez. O ex-presidente e atual candidato à presidência Carlos Mesa disse que Añez "comete um grande erro" ao concorrer. "O encargo e objetivo único de seu mandato é administrar com neutralidade e garantir que o Estado que ela representa não use recursos em função de uma candidatura, muito menos em uma candidatura pessoal", acrescentou.

Mais abaixo, na pesquisa Mercados e Amostras, está o pastor evangélico coreano boliviano Chi Hyun Chung com 6% (uma das surpresas nas eleições de 20 de outubro passado, quando terminou em terceiro atrás de Morales e Mesa). Finalmente, o ex-presidente de direita Jorge "Tuto" Quiroga aparece com 3%.

O cientista político Marcelo Silva disse à Página Sete que o MAS mantém um "voto duro" baseado em reivindicações indígenas e camponesas e, principalmente, em áreas rurais e suburbanas. "No campo das ofertas políticas, nenhum partido atende às expectativas desses setores e é difícil pensar que essa votação migrará para outra opção política", afirmou Silva.

O analista alertou que, no entanto, esse voto duro está "deflacionado" após as eleições de 20 de outubro (devido a suspeitas de fraude após a denúncia da OEA). Por outro lado, ele ressaltou a possibilidade do Masismo ser beneficiado pela dispersão de seus adversários de direita, que por enquanto estão fragmentados em cinco candidaturas diferentes.

*Publicado originalmente em Página/12 | Tradução de César Locatelli

Conteúdo Relacionado