Pelo Mundo

Pedro Castillo ganha força após a contagem de votos

As autoridades eleitorais anunciarão o vencedor assim que terminarem de analisar os votos impugnados

18/06/2021 11:11

Pedro Castillo do Partido Peru Libre durante uma conferência com a associação de imprensa estrangeira na sede do seu partido, esta terça-feira, em Lima. (Ernesto Benavides/AFP)

Créditos da foto: Pedro Castillo do Partido Peru Libre durante uma conferência com a associação de imprensa estrangeira na sede do seu partido, esta terça-feira, em Lima. (Ernesto Benavides/AFP)

 
A Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) do Peru terminou nessa terça-feira (15) a contabilização das atas eleitorais do segundo turno da eleição presidencial do dia 6 de junho. O resultado foi favorável ao candidato da esquerda, Pedro Castillo, do Partido Peru Libre, derrotando à candidata de extrema-direita Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, por 44.058 votos.

O partido de Castillo somou um total de 8.835.579 votos (50.125%) e Fujimori, 8.791.521 (49.875%). De mais de 25 milhões de eleitores, compareceram às urnas quase 19 milhões, o que significa uma participação de 74,5%.

Apesar do resultado, os juízes eleitorais ainda devem analisar as solicitações de anulação de votos apresentadas por ambos os partidos, particularmente aquelas requeridas por Keiko Fujimori. Logo após a análise o Jurado Nacional de Elecciones (órgão semelhante ao Tribunal Superior Eleitoral) anunciará o resultado final do pleito.

De acordo com alguns dos meios de comunicações peruanos, isso deve acontecer nos próximos dias, embora o conhecido jornal El Comercio tenha informado que o resultado oficial seria divulgado somente entre o final de junho ou começo de julho.

Devido ao contexto de pressões políticas e acusações de fraudes por parte do partido da candidata Fujimori, no comunicado publicado nessa terça-feira a ONPE apontou que, “como prova de respeito irrestrito à vontade popular expressa nas urnas”, o órgão eleitoral, “publicou constantemente na sua página na internet, a imagem das atas eleitorais processadas e contabilizadas nos centros de contagem durante a apuração”, o que demonstra que a compilação dos resultados foi feita de maneira transparente e neutra”.

A ONPE também esclareceu que as atas eleitorais não estão somente “sob a revisão dos próprios partidos, mas também do Jurado Nacional de Elecciones e este é um órgão voltado para a fiscalização do processo eleitoral”.

Pouco depois do encerramento da contagem oficial, Castillo divulgou na sua conta do Twitter que: “um novo tempo começou. Milhões de peruanos e peruanas se levantaram em defesa da dignidade e da justiça. Obrigado ao povo peruano que por meio da sua diversidade e força histórica me deram sua confiança. Meu governo será voltado para a garantia de cidadania a todo povo do Peru.”.

Horas antes, durante a tarde dessa terça-feira, Castillo compareceu rapidamente a uma coletiva com a mídia estrangeira. Durante esse encontro, o vencedor das eleições, professor e líder sindical de 51 anos pediu para que “a vontade popular fosse respeitada” e assegurou que não haveria “nenhuma agressão” da sua parte, porém também disse que não se poderia permitir que “um povo oprimido siga sendo discriminado”.

Corroborando essa posição, os advogados do candidato de esquerda se mostraram seguros de que ele será confirmado o vencedor das eleições, assim que encerrada a revisão das atas que foram impugnadas.

“Estamos confiantes que os órgãos eleitorais irão atuar de acordo com a constituição e que proclamarão, sem dúvida alguma, o professor Castillo, o novo presidente do Peru. Isto é incontestável”, disse o assessor jurídico Julio Arbizu.

Independentemente da decisão das autoridades eleitorais, os partidários de Fujimori estão longe de aceitar o resultado da apuração.

Um dia depois das eleições, quando os números da apuração demonstravam que a vitória de Castillo estava próxima, a candidata da extrema-direita começou a introduzir a ideia de que haveria ocorrido uma “fraude” no processo eleitoral, esse termo vem sendo empregado desde então. Na segunda-feira, os representantes jurídicos da Fuerza Popular solicitaram à ONPE uma auditoria informática do processo de digitalização das atas eleitorais. “Queremos somente que as eleições sejam limpas e que todas as irregularidades sejam revistas. Não nos renderemos”, afirmou Fujimori ao protocolar o pedido de recurso.

O pedido da candidata foi realizado após a maioria dos 802 recursos de anulação, que representam 200.000 votos, terem sido rejeitados pelos juízes eleitorais. Estas autoridades apontaram que a solicitação da candidata chegou fora do prazo estabelecido e não apresentou as provas em relação às supostas fraudes, de acordo com o que apurou o portal France24.

Em oposição à contestação de Fujimori, o Estado peruano e as autoridades eleitorais destacaram a presença de observadores internacionais, entre eles, uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que concluiu que as eleições ocorreram dentro da normalidade.

Essa versão foi confrontada por um dos advogados da Fuerza Popular, Julio César Castiglioni, que disse que os observadores internacionais “foram ao país à turismo”.

“Eles vão às cidades mais importantes, olham e depois vão embora. Que um observador internacional me diga se foi ao distrito de Yanama (situado ao norte de Lima), na minha cidade em Áncash, que está ao pé de Huascarán (montanha mais alta do país), para verificar a legalidade do processo eleitoral. Ali ganhou Castillo. A visita desses agentes é restrita aos centros urbanos”, afirmou Castiglioni ao El Comercio.

*Publicado Originalmente em La Diaria | Traduzido por Caio Cursini



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