Pelo Mundo

Pesquisas: a 100 dias da eleição, eleitores se dizem decepcionados com Trump

''Nosso país está em crise. E Trump é incapaz de governar mesmo no nível mais elementar''

28/07/2020 14:51

Trump durante coletiva de imprensa sobre a resposta de seu governo à pandemia do coronavírus (Drew Angerer/Getty Images)

Créditos da foto: Trump durante coletiva de imprensa sobre a resposta de seu governo à pandemia do coronavírus (Drew Angerer/Getty Images)

 
O domingo (26) marcou 100 dias até que o presidente Donald Trump se confronte com o candidato presidencial democrata, Joe Biden, - e novas pesquisas sobre a pandemia de coronavírus, a economia e as opiniões dos eleitores nos principais estados de disputa [em que a maioria varia entre um partido e outro] sugerem que os norte-americanos estão cada vez mais descontentes com Trump.

Os resultados das pesquisas nacionais divulgados domingo pelo Centro de Pesquisas Públicas da Associated Press-NORC mostraram que 80% dos adultos norte-americanos, por todo o espectro político, acham que o país está indo na direção errada. Apenas 8% dos democratas e 31% dos republicanos - ambos níveis mínimos históricos - dizem que o país está indo na direção certa.

A aprovação da gestão de Trump com relação à pandemia da Covid-19 também atingiu um nível recorde de baixa, com apenas 32% dos entrevistados dizendo que a aprovam. Da mesma forma, apenas 36% disseram que aprovam o modo como o presidente lida com educação e saúde. Embora mais entrevistados (48%) afirmem aprovar como Trump lidou com a economia, esse percentual ainda representa uma queda significativa em relação a janeiro, antes da pandemia levar dezenas de milhares de norte-americanos a perder seus empregos com apoio limitado do governo federal.

No geral, 61% dos norte-americanos atualmente desaprovam o desempenho de Trump como presidente, o que é uma ligeira queda em relação ao início deste ano, mas ainda em linha com a opinião pública durante seu primeiro mandato. A pesquisa foi realizada de 16 a 20 de julho e a margem de erro de amostragem para todos os adultos é de /- 4,3 pontos percentuais.

A crescente frustração com o presidente poderia beneficiar Biden nas urnas. Como a AP relatou em uma matéria sobre os resultados da pesquisa no domingo:

“A campanha de Biden está ávida para manter os meses finais da campanha focados diretamente em Trump, confiante de que o ex-vice-presidente pode sair vitorioso se a disputa for um referendo sobre se o atual comandante em chefe teve sucesso durante seus quatro anos no cargo.”

"As pessoas estão fartas de um governo dividido, ineficiente e incapaz de fazer as coisas", disse Kate Bedingfield, vice-gerente de campanha de Biden. “O que as pessoas sentem que estão recebendo de Trump agora é uma confusão de conversas políticas em seu interesse próprio.”

Agora, Biden está liderando em três estados de disputa onde Trump venceu nas eleições gerais de 2016, de acordo com uma pesquisa da CNN realizada pelo SSRS e divulgada no domingo.

Entre os eleitores registrados, mostrou a pesquisa, o ex-vice-presidente lidera o atual presidente de 52% a 40% em Michigan, 51% a 46% na Flórida e 49% a 45% no Arizona. A classificação geral de reprovação de Trump também é notável nos três estados: 57% em Michigan, 54% no Arizona e 51% na Flórida.

Uma parcela ainda maior de eleitores nos três estados - 60% no Arizona, 59% no Michigan e 57% na Flórida - desaprova o modo como Trump lidou com a crise da Covid-19, descobriram os pesquisadores. As pesquisas foram realizadas de 18 a 24 de julho e têm uma margem de erro amostral de /- 3,6 pontos percentuais.

As pesquisas de domingo seguiram os resultados da pesquisa divulgada sexta-feira pela MoveOn Political Action que sugeriu que a repressão contínua de Trump aos protestos em Portland, Oregon e suas ameaças de enviar agentes federais para outras grandes cidades dos EUA poderiam ter consequências nas urnas não apenas para ele, mas também para os senadores republicanos que enfrentam a reeleição.

Essas pesquisas conduzidas pela Public Policy Polling mostraram que os eleitores registrados no Arizona, Maine e Carolina do Norte "não gostam do que [Trump] está fazendo e estão fartos" com as senadoras Martha McSally (R-Arizona) e Susan Collins ( R-Maine) e o senador Thom Tillis (R-Carolina do Norte) "carregando água para ele enquanto ele caminha em direção ao autoritarismo", tuitou a MoveOn.

O grupo de Ação Política MoveOn pediu ao Congresso que aprove uma legislação para impedir o governo de replicar as condições em Portland em outras cidades e "investigar esse abuso do poder de Trump". A MoveOn acrescentou que "todos precisamos fazer nossa parte, incluindo derrotar Trump e em seus facilitadores pelo voto".

Stewart Boss, porta-voz do Comitê da Campanha Democrática ao Senado, disse ao The Hill Sunday que os eleitores correram para apoiar os candidatos democratas, já que Trump viu seus índices de aprovação caírem durante a pandemia e a crise econômica dela resultante.

"Se, por um lado, os republicanos gerenciaram mal a resposta a essa crise de saúde pública e econômica sem precedentes, do nosso lado, o ímpeto cresceu à medida que os democratas expandiram o mapa do Senado e nossos caminhos potenciais para acabar com a maioria de Mitch McConnell em 100 dias", disse Boss, referindo-se à câmara superior do líder do Partido Republicano.

A senadora Elizabeth Warren (Massachusetts), uma ex-candidata à presidência da República que agora é candidata à vice-presidência de Biden, escreveu em uma série de tuítes neste domingo que faltam apenas 100 dias para a eleição, o país está enfrentando várias crises, “e Trump é incapaz de governar mesmo no nível mais elementar”.

"Os próximos 100 dias decidirão que tipo de país construiremos juntos", concluiu Warren. "Sabemos que isso não será fácil. Nada importante é fácil. Não enfrentamos essa luta porque é fácil - enfrentamos essa luta porque é o certo a fazer. E tenho orgulho de estar lado a lado com você nela."

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de César Locatelli

Conteúdo Relacionado