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Prefeito de Nova York confirma corte de US$ 1 bilhão no orçamento da polícia

 

30/06/2020 14:43

Estudantes ostentam faixas gigantes nos degraus da Tweed Court, durante manifestação, pedindo escolas 100% livres da polícia (AP Photo)

Créditos da foto: Estudantes ostentam faixas gigantes nos degraus da Tweed Court, durante manifestação, pedindo escolas 100% livres da polícia (AP Photo)

 
NOVA YORK (Reuters) - O prefeito Bill de Blasio concordou em cortar US$ 1 bilhão do orçamento do Departamento de Polícia de Nova York, disse ele na segunda-feira (29).

Em meio a protestos pela morte de George Floyd, ativistas e membros da Câmara da cidade vêm exigindo um corte bilionário no orçamento de aproximadamente US$ 6 bilhões do departamento de polícia.

O site de notícias POLITICO informou, pela primeira vez na noite de domingo, que o gabinete do prefeito havia concordado com uma série de cortes estabelecidos pela Câmara da cidade. De Blasio inicialmente resistiu à pressão, mas confirmou em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que enviou uma proposta à Câmara que incluía o corte de US$ 1 bilhão.

"Estou animado em dizer que temos um plano que pode alcançar uma reforma real, que pode obter uma redistribuição real e, ao mesmo tempo, garantir que mantenhamos nossa cidade segura", disse o prefeito a repórteres.

O acordo envolve a transferência de agentes de segurança das escolas, desarmados, mas vestindo uniformes da polícia, para o Departamento de Educação, cancelando uma turma de julho de aproximadamente 1.100 recrutas policiais e afastando do controle da polícia certos serviços a desabrigados.

Segundo a lei, o orçamento da cidade deve ser aprovado até meia-noite de terça-feira.

De Blasio se recusou a discutir a maioria dos detalhes dos cortes acordados, mas confirmou que incluiria uma mudança para os agentes de segurança escolar, que ocorrerá ao longo de vários anos.

Além do corte de US$ 1 bilhão nas despesas operacionais, haverá um corte de mais de US$ 500 milhões no orçamento de capital da Polícia de Nova York, com o dinheiro sendo usado para construir centros de recreação juvenil e empreendimentos de habitação pública, disse Blasio.

“Tudo foi feito com um olho na segurança, por isso seremos capazes de garantir a força de patrulha que precisamos. Seremos capazes de garantir que a segurança das escolas possa fazer seu trabalho. A questão da segurança escolar será resolvida ao longo de vários anos”, disse de Blasio.

"Eu fiquei cético no começo e queria ver como tudo poderia se encaixar", disse de Blasio. "Um longo e meticuloso trabalho foi feito para descobrir a maneira certa de fazer as coisas."

Os críticos já estão expressando objeções ao acordo iminente.

"O prefeito de Blasio e o presidente [Corey] Johnson estão usando truques engraçados de matemática e orçamento para tentar induzir os nova-iorquinos a pensarem que planejam atender às demandas do movimento por pelo menos US$ 1 bilhão em cortes diretos", disse Anthonine Pierre, porta-voz da Comunidades Unidas para a Reforma Policial, que pediram um congelamento total das contratações dos policiais da polícia de Nova York. "Isso é uma mentira."

O orçamento deve totalizar US$ 87 bilhões, abaixo da proposta do prefeito de US$ 95,3 bilhões em janeiro. A crise econômica desencadeada pela pandemia de coronavírus custou à cidade mais de US$ 7,4 bilhões em receita tributária.

De Blasio disse estar "desapontado" que o Senado estadual até agora se recusou a dar à cidade permissão para tomar emprestado até US$ 5 bilhões para ajudar a preencher as lacunas. A Assembleia, disse ele, foi mais receptiva à ideia.

Sem um resgate federal, uma autorização para empréstimos ou um acordo de economia de trabalho até 1º de outubro, o prefeito diz que a cidade terá que demitir 22.000 trabalhadores.

“Esta não é a década de 1970. Não recebi uma resposta coerente sobre a razão do empréstimo não ser a coisa certa a fazer ", disse de Blasio sobre o plano de empréstimos. "Austeridade nunca é o caminho correto a percorrer."

Mike Murphy, porta-voz da líder da maioria no Senado, Andrea Stewart-Cousins, disse que Blasio não conseguiu abordar "preocupações legítimas levantadas por nossos senadores".

"Não somos contra um plano de empréstimos que faça sentido, mas continuamos preocupados com o fato de o prefeito ter começado a pedir US$ 7 bilhões e depois ter diminuído seu pedido para US$ 5 bilhões, tudo para fechar uma lacuna de US$ 1,6 bilhão", disse ele em comunicado nesta segunda-feira.

"A prudência exige o desenvolvimento de um plano que não seja apressado antes que a ação seja realmente necessária, especialmente quando a possibilidade de ajuda federal adicional permanece sem solução".

*Publicado orignialmente em 'Politico' | Tradução de César Locatelli



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