Pelo Mundo

Prisão de constituintes mostra que Chile vive situação mais preocupante que Cuba

Dois integrantes da Assembleia Constituinte chilena foram detidos nesta quinta durante manifestação em favor da libertação de mais de 2 mil pessoas que estão em prisão preventiva há quase dois anos por participar dos protestos de 2019 e que, em alguns casos, são considerados presos políticos por organizações de direitos humanos

18/07/2021 11:40

(Reprodução/Esquerda Diario/bit.ly/3kxbAU3)

Créditos da foto: (Reprodução/Esquerda Diario/bit.ly/3kxbAU3)

 
Uma manifestação pacífica em favor da liberdade de presos políticos aconteceu na tarde desta quinta-feira (15/7), e foi brutalmente reprimida pela polícia. Em Cuba? Não, basta ver a falta de destaque sobre isso na imprensa liberal. Aconteceu no Chile, governado pelo empresário Sebastián Piñera e pela direita herdeira da ditadura de Augusto Pinochet.

O protesto aconteceu do lado de fora da Catedral de Santiago, no centro da capital chilena, por volta das 13h. Em meio a essa repressão, dezenas de pessoas foram detidas, entre elas duas integrantes da Assembleia Constituinte: Alejandra Pérez e Manuel Woldarsky, ambos representantes da bancada chamada Lista del Pueblo (“lista do povo”), um novo conglomerado político que surgiu após a revolta social e que reúne representantes de coletivos e movimentos sociais.

Outros dois constituintes da Lista del Pueblo, Evelyn Godoy e Rodrigo Rojas Vade, foram agredidos pelos policiais. Também houve casos de familiares de alguns dos presos políticos da revolta social que foram detidos, assim como outras figuras conhecidas no país, como o coordenador político da Lista del Pueblo, Rafael Montecinos, o deputado Boris Barrera, do Partido Comunista e o presidente do Partido Humanista, Jorge Ortiz.

A Assembleia Constituinte interrompeu sua sessão durante a tarde devido aos acontecimentos. O vice-presidente da constituinte, Jaime Bassa, foi pessoalmente até o distrito policial para pedir explicações sobre o caso. Segundo o Tenente Coronel Rodrigo Alvarado, que liderou a ação dos Carabineros (polícia militarizada chilena) contra os manifestantes, as detenções ocorreram porque os constituintes não obedeceram a uma ordem para se identificarem.

No entanto, um vídeo publicado pela conta oficial de Twitter da Lista del Pueblo mostra que Pérez e Woldarsky tentaram sim se identificar, mas foram ignorados pelos policiais que estavam no local.


Por volta das 17h, os dois constituintes foram liberados, mas outras pessoas que foram detidas continuaram na prisão. Horas depois, o governo do Chile se pronunciou dizendo que respaldava a versão entregue pelos policiais, apesar dos vídeos que a desmentiam.

Presos políticos da revolta social

A manifestação desta quinta buscou reivindicar a liberdade de mais de 2 mil pessoas que foram presas durante a revolta social de 2019.

Em meio a essa reivindicação, se fez um destaque a 83 casos específicos de pessoas presas durante a revolta social, e que foram denunciadas pelo Ministério Público a partir da Lei de Segurança Interior do Estado, mecanismo que foi acionado à época por um decreto do presidente Piñera, razão pela qual as entidades de direitos humanos locais os consideram como presos políticos.

Também vale destacar que todas essas pessoas estão em prisão preventiva. A manutenção dessa medida durante tanto tempo sem que essas pessoas tenham uma sentença definitiva para os seus casos, depois de quase dois anos completos, é outro elemento usado pelos advogados para considerar suas prisões como uma violação aos direitos humanos.

Em sua primeira semana de funcionamento, a Assembleia Constituinte emitiu uma declaração oficial em favor da liberdade dos presos políticos da revolta, considerando que foram justamente aquelas manifestações ocorridas entre outubro de dezembro de 2019 a razão pela qual o país vivia um processo inédito de criação de uma nova carta magna com igualdade de gênero e participação de representantes dos povos originários.

A declaração teve 105 votos a favor, de um total de 155. Entre os 43 votos contra estavam os representantes da direita, que defenderam o discurso do governo de Piñera de que “não existem presos políticos no Chile”.



Conteúdo Relacionado