Pelo Mundo

Quem é a senadora democrata Kamala Harris?

 

13/08/2020 14:14

Biden anunciou a senadora Kamala Harris como sua vice na disputa pela presidência dos EUA (Robyn Beck/AFP)

Créditos da foto: Biden anunciou a senadora Kamala Harris como sua vice na disputa pela presidência dos EUA (Robyn Beck/AFP)

 
:: Leia também :: Especial 'De Maio de 1968 a Maio de 2020'

A escolha de Joseph Biden da senadora em primeiro mandato e ex-procuradora-geral do estado da Califórnia, Kamala Harris, como sua companheira de chapa não é nenhuma surpresa e solidifica a chapa de direita do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 2020.

Como foi o caso em sua candidatura para a indicação pelo Partido Democrata no início deste ano, a etnia mista de Harris - seu pai é jamaicano e sua mãe é tâmil [povo originário do sul da Índia] - foi um fator significativo nos cálculos por trás de sua escolha por Biden. Nos três meses restantes para o dia das eleições, em 3 de novembro, os democratas estarão claramente reforçando suas posições em política racial e de identidade de gênero.

Indicando o consenso por trás da chapa Biden-Harris, Hillary Clinton e Bernie Sanders rapidamente endossaram sua escolha.

No perfil político de Harris abaixo, publicado em julho de 2019 quando ela era uma das principais candidatas à nomeação para a candidatura presidencial democrata, o World Socialist Web Site resumiu sua carreira como representante do sistema de justiça criminal dos EUA e defensora confiável do mundo corporativo e dos interesses do estado de inteligência.

***

Kamala Harris: Lei e ordem com um pitada de política identitária

publicado em 19 de julho de 2019

Entre as duas dúzias de candidatos que concorrem à indicação presidencial democrata de 2020, a senadora da Califórnia Kamala Harris tem, nas pesquisas, ficado regularmente entre os cinco principais candidatos à indicação do partido desde o anúncio de sua candidatura em janeiro passado.

Tanto a mídia corporativa quanto o establishment do Partido Democrata saudaram seu desempenho no debate de 26 e 27 de junho [de 2019] em Miami, quando ela atacou o ex-vice-presidente Joe Biden por seus comentários sobre 'busing' [prática criada nos anos 1970 com o objetivo de promover a mistura racial e social das escolas norte-americanas por meio do transporte público, para possibilitar que as crianças fossem educadas fora de seu bairro] e trabalhar com democratas segregacionistas no Senado. Ela subiu tanto nas pesquisas quanto na arrecadação de fundos desde então, alcançando o primeiro lugar em uma pesquisa com eleitores da Califórnia esta semana [19/07/2019] pela primeira vez.

Com dois de seus quatro principais rivais sendo homens brancos na casa dos 70 anos, Harris, de 54 anos, devido ao seu gênero e ascendência jamaicana e indiana do sul, é uma escolha provável para vice-presidente, mesmo que ela não consiga ganhar a indicação, considerando a adoção, pelo Partido Democrata, da política de gênero e identidade racial.

Harris, como o resto do campo democrata, está tentando se posicionar como uma alternativa progressista a Trump, enquanto, no caso dela, busca dividir a diferença entre Biden, o líder "moderado", e seus dois principais adversários da ala "esquerda” do partido, Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Harris tentou fazer as duas coisas, combinando o argumento da “elegibilidade” de Biden com a sugestão de que, como ex-promotora, ela desafiaria Trump agressivamente.

No cerne da candidatura de Harris - no que diz respeito a suas credenciais junto à classe dominante - está seu histórico como uma operadora implacável nas áreas de justiça criminal e segurança nacional. Ela foi procuradora distrital em San Francisco por seis anos, depois procuradora-geral do estado da Califórnia pelo mesmo período, antes de ganhar uma cadeira no Senado em 2016.

Os líderes democratas do Senado promoveram Harris desde o início, dando-lhe atribuições excelentes em comitês, incluindo Orçamento, Segurança Interna e Judiciário, onde ela conseguiu ampla divulgação por seu papel no questionamento do candidato à Suprema Corte, do agora ministro, Brett Kavanaugh.

Mais reveladora foi sua nomeação para o Comitê de Inteligência em 2017 - o único democrata recém-eleito a receber uma posição tão crítica, e uma indicação de que, no que diz respeito ao establishment do Partido Democrata e ao aparelho de inteligência militar, Harris é um “par de mãos seguras”.

Harris retribuiu essa confiança agindo como a ponta-de-lança, entre os candidatos democratas à presidência, na falsa campanha anti-Rússia, exigindo o impeachment de Trump, não por suas flagrantes violações à Constituição dos Estados Unidos ou sua perseguição aos imigrantes, mas com base na calúnia macartista de que ele é um fantoche de Moscou.

Falando na convenção do Partido Democrata da Califórnia no início de junho, Harris disse: “vamos falar sobre esse suposto comandante-chefe. Ele repete as mentiras da Rússia em vez da palavra da inteligência e das forças de seguranças norte-americanas. Ele nega que a Rússia tenha interferido na eleição para presidente dos Estados Unidos. Precisamos iniciar o processo de impeachment e precisamos de um novo comandante-em-chefe.”

Ela continuou nessa linha no debate democrata de 27 de junho, quando atacou repetidamente Trump na política externa, declarando que, na Coreia do Norte, Trump "abraça Kim Jong-un, um ditador, por causa de uma oportunidade fotográfica", acrescentando que “ele confia mais na palavra do presidente russo do que na palavra da comunidade de inteligência norte-americana quando se trata de uma ameaça à nossa democracia e às nossas eleições”. Em uma entrevista pós-debate no MSNBC, Harris atacou Trump por aceitar “a palavra de um príncipe saudita sobre a palavra da comunidade de inteligência norte-americana” sobre o assassinato de Jamal Khashoggi.

Para Harris, como para o Partido Democrata como um todo, não há maior violação das normas políticas do que deixar de aceitar "a palavra da comunidade de inteligência norte-americana".

Uma promotora de carreira

Harris começou sua carreira política em 1990 como procuradora distrital do condado de Alameda, que inclui a cidade de Oakland, antes de cruzar a baía para uma posição semelhante em São Francisco em 1998. Ela rapidamente fez conexões de alto nível, movendo-se em círculos sociais de elite, onde cultivou patronos como a herdeira de empresas de petróleo Vanessa Getty. Ela namorou brevemente o então presidente da Assembleia da Califórnia, Willie Brown, que se tornou prefeito de São Francisco e promoveu sua carreira política e seus interesses financeiros.

Quando Harris decidiu desafiar o atual promotor distrital de São Francisco, Terence Hallinan, em 2003, ela conseguiu superá-lo, na captação de recursos, na proporção de dois para um e gastou tanto dinheiro na campanha que a Comissão de Ética de São Francisco impôs uma multa recorde por violar o lei de financiamento de campanha da cidade. Hallinan, um ex-advogado de defesa com laços estreitos com os círculos radicais da Área da Baía de São Francisco - seu pai tinha sido o candidato presidencial do Partido Progressista em 1952 - sofreu oposição da elite econômica, dos sindicatos da polícia e do jornal San Francisco Chronicle, cujo editorial sobre a disputa levava o título: "Harris, pela lei e pela ordem."

Seis anos depois, Harris foi a escolha de consenso pelo Partido Democrata para a procuradoria-geral do estado, desocupado por Jerry Brown, que seria o candidato democrata a governador. Ela concorreu com o apoio de sua congressista local, Nancy Pelosi, e de ambas as senadoras democratas, Dianne Feinstein e Barbara Boxer.

Tanto como promotora municipal quanto como principal autoridade policial no maior estado dos Estados Unidos, Harris fez seu nome como uma defensora estrita da “lei e ordem”. Como promotora distrital de São Francisco, ela se orgulhava dos altos índices de condenação obtidos muitas vezes desprezando-se práticas legais éticas. As taxas de condenação por crime doloso aumentaram de 52% em 2003 para 67% em 2006 sob sua liderança.

Esse aumento nas condenações, no entanto, geralmente se devia a uma clara conduta indevida por parte de Harris e de seu escritório. Em 2012, a juíza do Tribunal Superior Ann-Christine Massulo decidiu que o escritório de Harris violava os direitos dos réus ao reter informações prejudiciais sobre um técnico corrupto do laboratório criminal da polícia que roubou drogas e falsificou relatórios.

Como procuradora-geral do estado, Harris assumiu a defesa de alto nível do sistema prisional estadual contra as decisões judiciais que condenavam a superlotação e os maus-tratos de prisioneiros como “punição cruel e incomum” inconstitucional. Ela tentou acabar com a supervisão das prisões por um tribunal federal, mais tarde justificando sua defesa agressiva com a declaração cínica de que, como principal representante legal do governo estadual, “tenho um cliente e não posso escolher meu cliente”.

Em 2015, Harris tentou derrubar uma decisão de um tribunal inferior que classificou as leis de pena de morte do estado como cruéis e desumanas. Mais uma vez, Harris afirmou que estava simplesmente defendendo seu cliente, o estado da Califórnia, que sua ação não necessariamente refletia suas opiniões pessoais sobre o assunto.

Quando a Suprema Corte dos EUA em Brown v. Plata em 2014 declarou que as prisões do estado estavam tão superlotadas e que constituíam uma punição cruel e incomum, Harris lutou contra a decisão. Os presos estavam empilhados em beliches para três pessoas e adoeciam e morriam por falta de atendimento médico. O estado da Califórnia foi posteriormente ordenado a reduzir sua população carcerária em 40.000 presidiários. Harris, na verdade, argumentou que se a Califórnia libertasse os presos muito rapidamente, o estado perderia uma importante fonte de trabalho, citando sua dependência de presidiários não treinados que arriscam suas vidas lutando contra incêndios florestais por US$ 2 por dia.

Em 2015, Harris defendeu condenações obtidas por promotores do condado após estes terem inserido confissões falsas nas transcrições de interrogatórios. Harris afirmou na época que perjúrio não era suficiente para demonstrar a má conduta do Ministério Público.

O caráter vingativo e antidemocrático do mandato de Harris como procuradora-geral também não se limitou ao tribunal. Em 2010, Harris patrocinou uma lei, posteriormente assinada pelo governador Arnold Schwarzenegger, que buscava melhorar as escolas prendendo os pais de crianças que faltavam às aulas e sujeitando-os a multas de até US$ 2.000. Embora a lei explicitamente tornasse a pena de prisão um resultado provável para pais de crianças que cabulavam aulas, Harris afirmou em uma entrevista à CNN em maio passado que mandar os pais para a prisão era uma “consequência não intencional” da lei.

Harris usou seus poderes como promotora para conduzir ataques cruéis contra os pobres e a classe trabalhadora, enquanto fazia o possível para proteger a polícia e os políticos de punição. Isso contrasta marcadamente com o que sua campanha afirma ter sido seu histórico de progressismo virtualmente imaculado durante seu mandato. Em seu livro, The Truths We Hold, publicado para ajudar a lançar sua campanha, Harris mistura o típico clichê sentimental com falsidades explícitas em seu histórico político. Ela se descreve como uma "promotora progressista". Além disso, ela afirma que “usou os poderes do escritório com um senso de justiça, perspectiva e experiência”.

Muitos dos que seguiram sua carreira como promotora tiveram uma perspectiva diferente, no entanto. Lara Bazelon, ex-diretora do Projeto Loyola Law School for the Innocent em Los Angeles, escreveu em um artigo de opinião do New York Times: “repetidamente, quando os progressistas a instavam a abraçar reformas na justiça criminal, como promotora distrital e, em seguida, como procuradora-geral do estado, a Sra. Harris se opôs a eles ou permaneceu em silêncio.” Donald Specter, diretor executivo do Prison Law Office, declarou em uma entrevista ao Daily Beast: “pelo que eu sei, ela fez muito pouco ou nada para melhorar o sistema de justiça criminal quando era procuradora-geral”.

Adotando a persona de uma "progressista"

Harris lançou sua campanha presidencial com o slogan “Kamala Harris pelo povo”, uma referência à declaração de identificação feita por procuradores distritais e outros promotores quando comparecem ao tribunal. Aos trancos e barrancos, ela adotou posições sobre uma variedade de questões econômicas e sociais que podem ser retratadas como vagamente “progressistas”, embora em um exame mais atento elas geralmente não signifiquem nada. Nas poucas ocasiões em que, talvez inadvertidamente, expressou um sentimento de “esquerda”, ela invariavelmente o qualifica ou o revoga no dia seguinte.

Assim, ela aceitou o apelo de Bernie Sanders pelo “Medicare for all”, mas por duas vezes mudou de ideia na questão de encerrar o seguro saúde privado em favor de um sistema financiado pelo governo federal, uma indicação de que ela realmente não tem intenção de implementar tal plano.

Harris também patrocinou, junto com a candidata presidencial Elizabeth Warren, um projeto de lei do Senado conhecido como Ato de Divulgação de Risco Climático que usaria "as forças de mercado para acelerar a transição de combustíveis fósseis para energia mais limpa". O projeto foi baseado nas alegações do ex-vice-presidente Al Gore e outros líderes do Partido Democrata de que a limpeza ambiental e a “energia verde” podem ser promovidas como empreendimentos com fins lucrativos.

Esta proposta falida não impõe penalidades para empresas poluidoras. A proposta não exige que eles façam outra coisa para conter a poluição além de listar a quantidade de gases de efeito estufa que emitem, quais combustíveis fósseis eles usam e como suas avaliações de ativos serão afetadas se eles reduzirem as emissões de carbono de acordo com os acordos climáticos de Paris.

Sobre a imigração, Harris também prometeu proteger os destinatários do DACA [Deferred Action for Childhood Arrivals] da deportação e se opôs publicamente ao muro de Trump na fronteira com o México. Ela apoiou tacitamente a recente aprovação pelo Senado de US$ 4,6 bilhões para a rede de campos de concentração de Trump para imigrantes ao longo da fronteira EUA-México. Como os outros democratas do Senado que concorrem à presidência, ela não compareceu à votação. O projeto foi aprovado por uma margem bipartidária de 84-8.

Outras propostas legislativas foram elaboradas tendo em vista sua popularidade política entre os eleitores democratas nas primárias, para dar a Harris uma imagem mais progressista do que seu histórico real na Califórnia ou em Washington. Ela apoiou a legalização federal de lieralização do uso de maconha recreativa e aumentos no pagamento dos defensores públicos aos níveis de seus pares na promotoria estadual. Após a onda de greves de professores, Harris pediu um aumento de US$ 13.500 por ano para cada professor nos Estados Unidos.

Ela também pediu o aumento do salário mínimo federal para US$ 15 por hora, o que, além de deixar os trabalhadores com salário mínimo ainda gravemente empobrecidos, tornaria muitos desses trabalhadores inelegíveis para programas de assistência pública, como vale-refeição, subsídio de moradia e Medicaid.

Em parte, a relativa falta de habilidade de Harris na postura populista está enraizada nas circunstâncias de sua própria vida. Ela teve uma renda de seis dígitos durante décadas e agora é multimilionária. De acordo com suas declarações de impostos, divulgadas em abril, ela e seu marido, o rico advogado Douglas Emhoff, tiveram uma renda bruta ajustada de US$ 1.884.319 em 2018, colocando-os confortavelmente entre os 0,1% mais ricos. A maior parte disso veio do escritório de advocacia de entretenimento de Emhoff, enquanto Harris ganhou US$ 157.352 em salários no Senado e US$ 320.125 em lucros líquidos com suas memórias de campanha.

Embora Harris não tenha sido convincente e consistente em suas tentativas de demagogia social - não é a tendência natural de alguém que passou a maior parte de sua carreira colocando pessoas na prisão ou defendendo atrocidades policiais contra a classe trabalhadora - ela mostrou um pouco mais de energia em abraçar a identidade política, que ela anteriormente invocou como a “primeira negra e mulher” promotora de São Francisco, a “primeira negra e mulher” procuradora-geral da Califórnia, e atualmente como a única senadora norte-americana negra e mulher.

Harris aderiu ao movimento #MeToo, sendo uma das primeiras a pedir a renúncia do senador Al Franken de Minnesota por acusações de má conduta sexual. Essas demandas foram feitas apesar de nenhuma das alegações ter sido provada e, mesmo que tivessem, nenhuma teria chegado à categoria de contravenção criminal.

Harris apresentou um projeto de lei conhecido como Maternal CARE ACT para lidar com as disparidades raciais no atendimento de mulheres grávidas negras, que levaram a uma taxa de mortes relacionadas à gravidez 3,3 vezes maiores do que à taxa das mães brancas. O projeto foi apresentado após um relatório de 10 de maio divulgado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O relatório do CDC recomenda amplamente uma abordagem mais científica para a questão, incluindo maior acesso a programas pré-natais e outros serviços para mulheres grávidas, programas de habitação temporária, melhor cuidado em sépsis, hemorragia e protocolos de transfusão entre o pessoal médico, etc. O Maternal CARE Act de Harris, por outro lado, enraíza o problema na raça e, particularmente, no que ela alega ser o preconceito consciente e disseminado dos profissionais de saúde. O projeto destinaria US$ 150 milhões para identificar gestações de alto risco, a fim de "fornecer às novas mães os cuidados culturalmente competentes e os recursos de que precisam".

Neste ponto da campanha, pode-se dizer que Harris, mais do que qualquer outro candidato, assumiu o manto reacionário da política de identidade. Nesse sentido, ela seguiu o exemplo da campanha de 2016 de Hillary Clinton. A irmã mais nova do senador, Maya Harris, foi conselheira política sênior da campanha de 2016 de Clinton e atualmente trabalha como presidente da campanha Harris 2020.

A jovem Harris também trabalha como analista política para a MSNBC e é casada com Tony West, conselheiro geral do Uber e ex-procurador-geral associado dos Estados Unidos no governo Obama. Maya Harris também editou rascunhos do livro de 2010 da professora de direito da Universidade de Stanford, Michelle Alexander, The New Jim Crow. O trabalho, que passou um tempo significativo na lista de bestsellers do New York Times, argumentava que um novo sistema de castas raciais existia nos Estados Unidos, em grande parte reforçado pelas ações de brancos pobres, que superavam em muito toda e qualquer consideração de classe como uma divisão social significativa.

Não pode haver dúvida de que, se Harris tiver sucesso em sua corrida presidencial, a mídia burguesa sujeitaria o público a uma enxurrada constante de propaganda, celebrando o caráter transformador da primeira presidente mulher e da primeira presidente negra. Harris, que é de ascendência jamaicana e indiana, é apenas a terceira mulher de ascendência africana a concorrer ao cargo.

Isso não mudaria de forma alguma o fato de que um governo Harris seria tão reacionário quanto o de Trump e o de Obama antes dela.

*Publicado originalmente em 'World Socialist Web Site' | Tradução de César Locatelli



Conteúdo Relacionado