Pelo Mundo

Ramonet qualifica bloqueio dos Estados Unidos como castigo coletivo contra Cuba

 

02/10/2019 17:57

 

 
O bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba é um castigo coletivo, cuja aplicação está proibida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela Carta dos Direitos Humanos, denunciou o fundador da revista Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet.

“Esse tipo de medida tomada pelos Estados Unidos tem o poder de castigar uma sociedade inteira, como ocorre agora na política norte-americana aplicada contra Cuba e também contra a Venezuela”, declarou o destacado jornalista, num painel do IV Foro Rússia Ibero-América, que se realiza em São Petersburgo.

“O fortalecimento do bloqueio por parte dos Estados Unidos obstaculiza a chegada de combustível a Cuba, e Rússia e Venezuela são os que desafiam essa proibição e conseguem abastecer o país”, contou Ramonet, que mencionou, nesse contexto, a visita à ilha do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, que se realiza esta semana.

“Tudo isso ocorre em um momento no qual o mundo enfrenta uma ampliação dos abismos sociais, em que um grupo de não mais de 30 multimilionários concentra uma fortuna cujo valor que supera a renda reunida de 4 bilhões de pessoas, em um planeta de 8 bilhões”, destacou.

O especialista também lembrou que enquanto os Estados Unidos aplicam o citado bloqueio econômico à ilha, cerca de 800 milhões de pessoas são analfabetas, a maioria mulheres, além de dois bilhões de pessoas que estão desempregadas, enquanto metade da humanidade vive sem condições sanitárias mínimas.

Entre várias grandes reportagens, Ignacio Ramonet foi quem fez uma das mais famosas entrevistas ao líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro. A partir dessa experiência, ele considera que as revoluções são fruto de um anseio por sair da violência social, mesmo que esses processos nem sempre levem aos resultados desejados.

Por outro lado, afirmou que era necessário prestar atenção à atitude e gestos solidários de Cuba para com outros países, e nesse sentido, destacou o trabalho de dezenas de milhares de médicos da ilha em outras nações, e a formação de profissionais da saúde do mundo inteiro em suas universidades de alto padrão.

Em outro aspecto do debate, sobre as personalidades de Fidel Castro e Hugo Chávez, Ramonet opinou que, no jornalismo, não existe a objetividade em seu estado puro.

“A objetividade pretende ser uma versão dos fatos regida por uma suposta verdade absoluta. Mas quem define essa verdade?”, se perguntou o intelectual. “A verdade é o que estabelecem meios como CNN e Fox News, ou plataformas digitais como Google, Facebook ou Twitter?”, indagou.

A esse respeito, ele se referiu ao exemplo do presidente colombiano Iván Duque, que apresentou fotos falsas de uma suposta preparação de guerrilheiros na Venezuela em plena Assembleia Geral da ONU, semanas atrás. Horas depois, a agência francesa de notícias AFP demonstrou que as imagens mostradas pelo mandatário eram de autênticos grupos paramilitares, mas se tratavam de grupos colombianos, e as fotos foram tiradas na Colômbia, em 2014. “Então, onde está a imparcialidade?”, interrogou.

“Estamos em meio a uma guerra midiática, comercial e tecnológica”, concluiu o fundador do Le Monde Diplomatique, diante de um auditório conformado, em sua maioria, por jovens universitários russos e vários acadêmicos presentes no evento.

*Publicado originalmente na Agência Pensa Latina | Tradução de Victor Farinelli



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