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Repressão na França sinaliza: sobrevida do neoliberalismo será cada vez mais violenta.

 

21/01/2020 17:09

 

 
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Repressão na França sinaliza: sobrevida do neoliberalismo será cada vez mais violenta.

Por EMILIANO JOSÉ, jornalista, escritor, ex-deputado estadual na Bahia e ex-deputado federal.

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Protestos contra a reforma da aposentadoria na França acumula um saldo assustador de violência policial.

Desde outubro de 2018 quando os Coletes Amarelos inauguraram o atual ciclo de lutas contra as reformas de Macron a policia francesa já matou 13 pessoas, feriu 4.500, encarcerou 10 mil manifestantes e dois mil foram condenados. Mais: quase três dezenas de pessoas foram mutiladas, a maioria com a perda de visão.

O saldo sombrio lembra o Chile e não por acaso.

As duas ondas de protestos mais resilientes no mundo atualmente ecoam um esgotamento de ciclo da ordem neoliberal que precisará recorrer cada vez mais ao arrocho e à repressão para se manter.

Há mais semelhanças sugestivas.

Macron e Piñera são representantes diretos do grande capital:

O presidente chileno é um dos homens mais ricos do seu país e Macron é um banqueiro formatado para ser o Presidente da desregulação dos direitos sociais no país da Revolução Francesa.

Ambos terão que reprimir as ruas para destinar uma fatia ainda maior da riqueza aos mercados.

As reformas previdenciárias são o novo Eldorado dos bancos em todo o mundo-- inclusive no Brasil.

O braço de ferro mobilizará cada vez mais o aparato repressivo diante de explosões espontâneas de protestos que emergem como o novo normal criado pelo dissolução do mundo do trabalho.

Os novos descamisados do século XXI devem ser olhados sem preconceito pela esquerda.

Na França, hoje, sindicatos e Coletes Amarelos já marcham juntos. E esse é um dos segredos de um movimento que conta com grande apoio popular e já impôs vários recuos a Macron.

Ouça o relato de Emiliano José que conversou com a brasileira radicada na França há varias décadas, Maria José Malheiros, ativista sindical.

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