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Seattle: manifestantes ocupam seis quarteirões em Capitol Hill, há uma semana. Veja como é por dentro

 

15/06/2020 15:08

 

 
Barricadas e grafites de rua marcam a entrada da chamada Zona Autônoma de Seattle, na região de Capitol Hill, que os manifestantes ocupam desde a segunda-feira passada.

Na semana passada, o departamento de polícia retirou policiais da delegacia, à medida que as tensões entre policiais e manifestantes aumentavam. A delegacia abandonada foi pintada com um letreiro que dizia: "Departamento de Pessoas de Seattle – Distrito Leste".

Mas neste fim de semana, a Zona Autônoma de seis quarteirões do bairro de Capitol Hill em Seattle parecia mais festival do que protesto.

Milhares lotaram a área conhecida como CHAZ para “Capitol Hill Autonomous Zone” [Zona Autônoma de Capitol Hill] ou CHOP para “Capitol Hill Occupied Protest” [Ocupação de Protesto de Capitol Hill]. Alguns meditavam ou pintavam. Outros ouviam os oradores.

A Zona Autônoma está abastecida com barras de cereais, água, papel higiênico e creme dental.

"Estamos apenas nos certificando de que não haja violência ou, sabe, qualquer coisa contra pessoas negras ou pardas. É por isso que estamos aqui", disse à CNN um manifestante que não quis se identificar.

Jawan Campbell disse que sentiu que a reunião na Zona Autônoma era um sinal de unidade. "Tentando fazer com que essa questão da igualdade aconteça", disse Campbell, "e é muito tranquilo aqui fora".

Algumas pessoas na Zona Autônoma abertamente portavam armas de fogo, o que é permitido no estado de Washington. "São apenas algumas balas nesse cara aqui", disse à CNN Raz Simone, um manifestante, sobre a arma no coldre no quadril. "Isso não é para a polícia. Eu sou um cidadão americano e minha guerra não é com a polícia, é com o sistema e a prestação de contas, a falta de responsabilização. Mas não, isso é apenas para proteção."

Alguns temem que o espetáculo possa prejudicar a mensagem do Black Lives Matter. Alguns participantes também chamaram o CHAZ de "atração turística".

A Zona Autônoma também atrai algumas pessoas que podem discordar dos manifestantes. No sábado, uma personalidade conservadora do Twitter apareceu com um homem segurando uma bandeira, causando uma resposta irada da multidão.

Um homem que pregou uma mensagem de "arrependa-se agora" recebeu críticas - mas os organizadores pediram que eles o ignorassem. Apesar das pequenas discussões entre o grupo maior e os que têm opiniões opostas, as coisas têm sido pacíficas, de acordo com muitas pessoas que conversaram com a CNN no domingo.

"Essa é a coisa mais linda. É muito esperançosa. Já participei de muitos festivais ao redor do mundo e o que vejo é algo muito parecido", disse o artista Adam One. "Amar e propiciar um policiamento auto-organizado e com muitas boas vibrações, arco-íris".

Megan Johnson trouxe seus dois filhos para ver a Zona Autônoma. "Parece que é uma ótima maneira de se manifestar pelo que está acontecendo", disse Johnson à CNN. "E este é um momento muito revolucionário na nossa história e acho que meus filhos precisam vê-lo."

*Publicado originalmente em 'CNN' | Tradução de César Locatelli

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