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Senador dos EUA alerta a Rússia: tire as mãos do 'nosso hemisfério' ou a Venezuela paga o preço

 

15/02/2019 14:31

Manifestantes contra o governo em Caracas (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Créditos da foto: Manifestantes contra o governo em Caracas (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

 
Os EUA fizeram uma aposta pela metade do mundo, no momento em que o presidente Jim Inhofe do Comitê de Serviços Armados do Senado disse que Washington pode ter que intervir na Venezuela se a Rússia ousar estabelecer uma base militar não somente lá mas também “no nosso hemisfério”.

“Eu acho que isso pode acontecer”, disse Inhofe (Republicano-Oklahoma) à um grupo de repórteres. “Tem um cara lá embaixo que está matando todo mundo. Pode ser que ele estabeleça uma base que a Rússia teria no nosso hemisfério. E se essas coisas acontecerem, pode ser que chegue ao ponto em que precisemos intervir com as tropas e responder.”

Se a Rússia ousar prejudicar a área dos EUA, disse Inhofe: “temos que tomar qualquer medida necessária para impedir que façam isso”.

Enquanto o líder da oposição Juan Guaido concorre ao poder, o governo da Rússia se manteve ao lado do presidente Nicolas Maduro. No entanto, a Rússia não prometeu auxílio militar à Maduro, e o diplomata russo Alexander Shchetinin disse que a Venezuela não pediu apoio militar de Moscou.

Depois de Guaido ter se declarado presidente interino da Venezuela no mês passado, o presidente dos EUA Donald Trump imediatamente reconheceu Guaido como o líder legítimo do país. Desde então, os EUA prometeram ajuda humanitária à Guaido, pediu que o exército venezuelano o apóie e atacou o governo de Maduro com novas sanções econômicas. Maduro já denunciou o apoio de Washington à Guaido como uma “infame” tentativa de golpe, contudo, pediu por um diálogo como o líder da oposição. Os EUA já se negaram a tomar parte em qualquer discussão com Maduro.

Os EUA pararam de enviar tropas para a Venezuela, mesmo com Trump e o conselheiro nacional de segurança, John Bolton, dizendo que a opção “está na mesa”. Inhofe concordou e sugeriu que Trump poderia lançar uma operação militar na Venezuela sem a autorização do Congresso.

“Eu não acho que é necessário”, ele disse. “Se há uma ameaça que alcança o limiar de o presidente ter que usar a habilidade constitucional de enviar tropas, então isso é desconhecido. Não sabemos no momento.”

O ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov alertou os EUA contra intervenções militares.

"Lavrov alertou contra todas as interferências nos assuntos domésticos da Venezuela incluindo o uso da força como já ameaçou Washington e o que é uma violação da lei internacional”, disse o ministro russo.

‘Nosso hemisfério’

Inhofe disse que um fluxo de tropas russas ou armas para dentro do hemisfério ocidental “seria uma ameaça aos Estados Unidos da America”. Enquanto isso, os EUA lêem um livro de regras diferente.

Os EUA mantêm quase 800 bases militares em mais de 70 países ao redor do mundo, com uma base em cada continente. E, enquanto Inhofe quer manter um hemisfério inteiro livre da influência russa, os EUA estão dialogando para estabelecer uma base militar permanente na Polônia, perto da soleira da Rússia. Dado o longo histórico de animosidade entre a Polônia e a Rússia, o governo polonês ofereceu tossir $2 bilhões de dólares para montar a base.

Para além, nenhum hemisfério está além do alcance dos EUA. O exército do país divide o globo em seis ‘Áreas de Responsabilidade’ Combatentes de Comando, que mantém em tempos de guerra e paz. A Rússia, no entanto, divide seu território em quatro distritos militares, todos dentro de suas fronteiras.

Foto: Reuters / Carlos Garcia Rawlins






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