Pelo Mundo

Tanques egípcios voltam à praça Tahrir

02/08/2011 00:00

Al Jazeera

Créditos da foto: Al Jazeera
O exército egípcio voltou a posicionar tropas na praça Tahrir, no Cairo, na segunda-feira e soldados dispararam para o ar para dispersar manifestantes pró-democracia. Os manifestantes desafiaram um veículo militar durante uma operação para retirar acampados da praça. As tropas egípcias acabaram entrando em choque com um pequeno grupo de manifestantes acampados na praça para pressionar por mudanças políticas mais rápidas no país e justiça para os manifestantes mortos na revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak.

A operação militar pôs fim a quase um mês de renovados protestos diários na praça central que foi o berço da revolta de 18 dias que derrubou Mubarak, em fevereiro. A televisão estatal mostrou veículos do exército na praça derrubando tendas e toldos que estavam abrigando os manifestantes acampados.

Autoridades locais disseram que pediram aos manifestantes para liberar o tráfego na praça, depois que comerciantes entraram em confronto com manifestantes por interferir nos seus negócios. Os acampados teriam se recusado a liberar a praça e, por essa razão, a polícia militar teria entrado na praça. Os manifestantes responderam atirando pedras nas forças de segurança e vários deles ficaram feridos no confronto, informaram as autoridades. Ativistas disseram que vários manifestantes foram presos.

Membros do movimento de protesto 6 de abril disseram que os militares não só invadiram a praça, como atacaram uma mesquita onde os manifestantes procuraram abrigo. Sherine Tadros, da Al Jazeera, disse que “havia uma divisão entre os manifestantes, com uns querendo sair e outros querendo ficar”.

Na segunda-feira, a praça tinha entre 200 e 300 pessoas acampadas. Agora está cheia de tanques e soldados do exército. “Eles simplesmente expulsaram todas as pessoas. Há apenas alguns civis que se deslocam ao redor, mas o exército continua agindo para retirar qualquer um que tente voltar à praça”. Manifestantes disseram à Al Jazeera: “Eles podem fazer o que quiserem, mas vamos voltar assim que eles saírem”.

Suspensão pelo Ramadã
Os manifestantes egípcios disseram que iriam suspender as manifestações e acampamentos na praça durante o Ramadã, o mês sagrado muçulmano, que começou na segunda-feira, mas que retornariam à praça depois disso para seguir pressionando pelas reformas no país. O movimento de ativistas na praça Tahir voltou a crescer a partir do dia 8 de julho para denunciar os atuais governantes militares interinos de querer manipular a transição.

A repressão desta segunda-feira ocorre dois dias antes do ex-presidente Mubarak ir a julgamento por seu papel na morte de manifestantes durante o levante do início do ano na praça Tahrir, que acabou derrubando-o do poder no dia 11 de fevereiro.

No sábado, 26 partidos políticos e movimentos de protesto disseram, numa declaração conjunta, que as três semanas de acampamento, em julho, tinham conseguido o cumprimento de algumas exigências, “empurrando a revolução egípcia um passo para a frente”. “Mas com base em nossa crença de os acampamentos são um meio e não um objetivo, os partidos políticos e movimentos de jovens decidiram suspender temporariamente os acampamentos durante o mês sagrado do Ramadã”, disseram. Os signatários sublinharam que “voltarão mais uma vez, depois de Eid (festa que marca o fim do Ramadã) para protestar pacificamente na praça Tahrir e exigir que as demais exigências sejam cumpridas”.

Tradução: Katarina Peixoto

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