Pelo Mundo

Theresa May no beco sem saída

O atoleiro político onde se meteu o Reino Unido constitui um perigo maiúsculo para a estabilidade econômica e financeira do próprio país e da Europa em seu conjunto, e, por extensão, para a paz no mundo

18/01/2019 13:38

 

 

O governo de Theresa May parece ter chegado ao seu beco sem saída, devido à rejeição social e parlamentária ao seu plano de retirada do Reino Unido da União Europeia (UE), o qual foi elaborado durante um ano e meio de árduas negociações com as autoridades da Europa comunitária.

O documento foi reprovado pelo Parlamento britânico por 432 votos (teve 202 a favor), e é repudiado nas ruas por manifestantes de ambos os lados: tanto críticos quanto partidários do brexit se manifestaram em Londres e outras cidades contra o plano; os primeiros, porque defendem a permanência no país no bloco europeu: os segundos, por considerar que a proposta de May obriga o Reino Unido a fazer concessões inaceitáveis.

Por sua parte, o líder do Partido Trabalhista (oposição), Jeremy Corbyn, anunciou que apresentará uma moção de censura contra o governo de May, já que este excepcional fracasso político coloca a Grã-Bretanha numa situação insustentável e incerta, uma vez que Bruxelas já advertiu que não há margem para renegociar o acordo de divórcio, o que faz com que a única forma de consumar a saída britânica da UE seja mediante decisões marginais em vários âmbitos econômicos, financeiros, comerciais, políticos e sociais, o que aumenta o risco de gerar uma desordem monstruosa em ambos os lados do Canal da Mancha.

Desta forma, a margem de manobra do atual governo britânico se reduz praticamente a zero, e o desfecho mais provável dos acontecimentos parece ser a queda de May e a convocação de eleições antecipadas.

Entretanto, a realização de um novo pleito legislativo e a conformação de um novo gabinete não são suficientes para resolver a grave crise na qual o Reino Unidos se encontra: ainda não se sabe como será contornado o problema de como cumprir com a decisão aprovada no referendo de 23 de junho de 2016, quando uma pequena maioria dos cidadãos britânicos (51,9% contra 48,15) decidiu que o país deveria se desligar da União Europeia. Ou isso, ou encontrar uma maneira política e legalmente aceitável para desconhecer esse problemático resultado.

É provável que, nos dois anos e meio transcorridos desde aquela votação, com tantos elementos mostrando o quanto é tremendamente prejudicial e complicada a consumação do brexit, tenha havido uma mudança de tendência, e hoje, talvez, a maioria dos britânicos prefira permanecer na UE. Mas é preciso esperar que um novo governo se instale, e que seja capaz de encontrar uma via institucional para lançar uma nova consulta eleitoral.

A verdade é que o atoleiro político onde se meteu o Reino Unido constitui um perigo maiúsculo para a estabilidade econômica e financeira do próprio país e da Europa em seu conjunto, e, por extensão, para a paz no mundo.

*Publicado originalmente em lajornada.com | Tradução de Victor Farinelli

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