Pelo Mundo

Trípoli bombardeada

O Exército Nacional Líbio, que obedece a Khalifa Haftar e que domina o leste do país, chegou aos arredores da capital. Desde quinta-feira, há pelo menos 35 mortos. A tentativa de mediação deste conflito de António Guterres falhou.

08/04/2019 16:46

Cartazes preparados para uma manifestação anti-Gaddafi em 2011. (BRQ Network/Flickr)

Créditos da foto: Cartazes preparados para uma manifestação anti-Gaddafi em 2011. (BRQ Network/Flickr)

 
Este domingo o sul da cidade de Tripoli sofreu ataques aéreos enquanto as forças do Exército Nacional Líbio (ENL) avançaram em direção ao centro. Na capital, o governo reconhecido pela ONU resiste à ofensiva. Avança-se com pelo menos 35 mortos no conflito desde a passada quinta-feira.

Nesta altura, ambas as partes reclamam o controlo do aeroporto. E o ELN confirmou à Reuters “uma muito bem sucedida operação” para controlar a estrada entre o aeroporto e o centro da cidade.

Também este domingo as forças militares norte-americanas presentes no terreno retiraram “por razões de segurança”.

O avanço das forças do ENL foi considerado um ataque surpresa. As partes em conflito tinham alcançado um acordo em fevereiro e estavam até previstas eleições cuja data e condições seriam decididas para a semana numa reunião mediada pela ONU. António Guterres reuniu com o chefe do ENL na tentativa de evitar o avanço das tropas, o que não sucedeu. Ainda assim, o enviado da ONU na Líbia, Ghassan Salame, continua a garantir a realização da reunião de discussão sobre as eleições.

O conflito dura desde a queda de Muammar Gaddafi em 2011, altura em que a NATO bombardeou o país. Depois de umas eleições falhadas em 2014, coexistem dois governos no país, para além das forças extremistas islâmicas e de vários outros grupos armados.

Fayez Sarraj é o chefe do Governo de Acordo Nacional em Tripoli que é reconhecido pelas Nações Unidas na sequência de um acordo alcançado em fevereiro de 2015. A fonte do seu poder é o controlo das exportações de petróleo e de gás. As reservas de petróleo da Líbia são consideradas as maiores de África. Khalifa Haftar, que chegou a ser general de Gaddafi, é o chefe das forças que governam a leste e que são apoiadas pelo Egito, pelos Emirados Árabes Unidos, a França e a Rússia. A Itália, consumidora do gás líbio, disputa influência com a França na região.

*Publicado originalmente em esquerda.net



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