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Trump 'engambelado' por fãs de K-pop e TikTok que desorganizaram seu comício em Tulsa

Ingressos reservados, e não utilizados para o comício, ajudaram a deixar centenas de assentos vazios no evento

22/06/2020 16:09

Apoiador de Donald Trump grava um vídeo com seu telefone celular na parte superior da plateia, com pouco assentos ocupados, na arena onde ocorreu o comício de Trump em Tulsa, Oklahoma, no sábado (20) (Leah Millis/Reuters)

Créditos da foto: Apoiador de Donald Trump grava um vídeo com seu telefone celular na parte superior da plateia, com pouco assentos ocupados, na arena onde ocorreu o comício de Trump em Tulsa, Oklahoma, no sábado (20) (Leah Millis/Reuters)

 
Os fãs de K-pop e usuários do aplicativo TikTok pediram ingressos para o comício de Donald Trump na noite de sábado (20) em Tulsa, em seguida, não os usaram, como parte de um esforço coordenado que ajudou a deixar centenas de assentos vazios em um local com capacidade para 19.000 pessoas.

Conforme relatado pelo New York Times, o esquema surgiu a partir de um tuíte de 11 de junho, da campanha de Trump que promovia o registro gratuito on-line e via celulares. O esquema explodiu no aplicativo TikTok, onde usuários jovens imploravam aos seguidores que participassem.

"Trump vem tentando ativamente, de muitas maneiras, retirar direitos de milhões de norte-americanos, e para mim esse foi o protesto que fui capaz de realizar", disse ao Times Erin Hoffman, 18 anos, nova-iorquina de 18 anos, que reservou dois ingressos e convenceu os pais a reservarem mais dois.

Diante do comparecimento incrivelmente baixo no sábado, o gerente de campanha de Trump, Brad Parscale, culpou os manifestantes do Black Lives Matter, do lado de fora do BOK Center, pelo pequeno público, alegando que "até bloquearam o acesso aos detectores de metal, impedindo que as pessoas entrassem".

Em uma declaração no domingo, Parscale rejeitou as reportagens sobre a campanha do TikTok, criticou os repórteres e insistiu que a participação havia sido prejudicada em “resultado a uma semana da mídia falsa alertando as pessoas para ficarem longe da manifestação por causa da Covid e manifestantes, juntamente com imagens recentes de cidades norte-americanas em chamas”.

Mas políticos e analistas, muitos com filhos que participaram, confirmaram o esquema para desmontar a manifestação.

"Ele foi engambelado por jovens e fãs de K-pop que reservaram ingressos sem intenção de ir", disse Joy Reid, da MSNBC no ar, após o discurso de Trump.

Enquanto Trump e sua campanha alegavam que mais de um milhão de ingressos haviam sido solicitados, no TikTok, os jovens compartilharam imagens de si mesmos usando os códigos postais da área de Tulsa para reservar assentos sem intenção de aparecer no comício

"A campanha se espalhou principalmente pelo Alt TikTok, nós a mantivemos do lado silencioso, onde as pessoas pregam peças e muito ativismo", disse um usuário ao Times.

“O Twitter do K-pop e o Alt TikTok têm uma boa união, onde espalham informações entre si muito rapidamente. Todos eles conhecem os algoritmos e como podem impulsionar os vídeos para chegar onde querem.”

Os usuários dos sites de mídia social popular frequentemente tentam impedir campanhas conservadoras de contas da extrema direita. Nas últimas semanas, por exemplo, hashtags que apoiam "Blue Lives Matter", um movimento de apoio a policiais, foram cooptadas por fãs tuitando memes de famosos personagens azuis como Smurfs e Capitão Planeta.

A congressista democrata de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez zombou de Parscale enquanto agradecia aos fãs coreanos por seus diligentes trolls.

“Você acabou de ser arrasado”, disse ela, “por adolescentes no TikTok que ... o levaram a acreditar que um milhão de pessoas queriam muito seu microfone aberto para a supremacia branca o suficiente para lotar uma arena durante a Covid. Aliados do KPop, nós reconhecemos e agradecemos suas contribuições na luta pela justiça.”

A campanha de Trump deu o troco, acusando Ocasio-Cortez de incentivar uma plataforma de propriedade estrangeira a interferir nas eleições e na política dos EUA. O TikTok pertence à ByteDance, com sede em Pequim.

Em um comunicado, a campanha de Joe Biden negou ter desempenhado qualquer papel na campanha pela mídia social.

"Donald Trump abdicou da liderança e não é surpresa que seus apoiadores tenham reagido abandonando-o", disse um porta-voz, Andrew Bates.

*Publicado originalmente em 'The Guardian' | Tradução de César Locatelli

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