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Trump rejeita novo estudo sobre perigo e ineficácia da hidroxicloroquina

 

23/04/2020 16:05

O presidente Trump fala com membros da força-tarefa do coronavírus durante um briefing na Casa Branca em 25 de março de 2020, em Washington, DC. (Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images)

Créditos da foto: O presidente Trump fala com membros da força-tarefa do coronavírus durante um briefing na Casa Branca em 25 de março de 2020, em Washington, DC. (Jabin Botsford/The Washington Post via Getty Images)

 

Uma droga que o presidente Donald Trump promoveu com frequência para uso no tratamento para a COVID-19 (a certa altura dizendo que a droga iria “virar o jogo”) está recebendo um novo escrutínio depois que um estudo descobriu que “não havia evidências” para sugerir que sua aplicação tenha tido qualquer resultado bom para os pacientes.

O estudo, na verdade, constatou que houve mais mortes entre aqueles que foram tratados com hidroxicloroquina - um medicamento antimalárico que alguns disseram ser promissor para o tratamento da COVID-19 baseados em observações não científicas - do que entre os que não foram tratado com a droga.

Os resultados de 368 pacientes nos hospitais do Departamento de Assuntos do Veteranos dos EUA (Veterans Affairs - VA) em todo o país foram observados pelos autores do estudo. Eles descobriram que 28% dos pacientes que receberam hidroxicloroquina acabaram morrendo, contra apenas 11% dos pacientes que receberam o tratamento padrão para a COVID-19.

O estudo também observou o uso do medicamento em combinação com a azitromicina e descobriu que 22% dos que receberam os dois medicamentos (outro tratamento que alguns disseram funcionar baseados em evidências não científicas) também morreram, mas houve limitações no número de pacientes observados para se tirar uma conclusão sobre os resultados, nesse caso, em comparação com aqueles que não foram tratados com nenhum dos medicamentos.

Os resultados do estudo foram divulgados na terça-feira (21). Mais tarde naquele dia, os repórteres perguntaram a Trump qual era sua opinião sobre o estudo e se ele e a equipe da força-tarefa, a cargo das respostas à epidemia por coronavírus, haviam conversado sobre suas conclusões.

"Não, não discutimos e não conheço o relatório", disse Trump, minutos depois de outro membro da força-tarefa ter respondido perguntas sobre o assunto.

O presidente também levantou dúvidas sobre se valia a pena levar o estudo a sério ou não.

"Obviamente, tem havido alguns relatórios muito bons e talvez este não seja um bom relatório", disse ele. "Mas vamos avaliá-lo."

No início do mês, Trump havia insistido que o medicamento era seguro o suficiente para que as pessoas o tomassem, mesmo que ainda não estivesse comprovado ser eficaz no tratamento do coronavírus.

"Estou vendo pessoas morrendo sem ele ... Quando isso está acontecendo, eles devem tomá-lo. O que realmente temos a perder?” Trump disse em 5 de abril.

Durante grande parte de março e início de abril, Trump e a mídia de direita pressionaram fortemente para o uso da hidroxicloroquina no combate à doença.

Mas desde o surgimento de outros estudos que sugerem que a droga não era tão segura quanto o presidente levou as pessoas a acreditarem que era, organizações como a Fox News, de repente, pararam de falar sobre ela. De acordo com observações da Media Matters, a menção dessa droga nessa rede de notícias diminuiu em 77% desde o final de março.

A divulgação, feita por Trump, consistente da droga resultou em grandes aquisições pelo governo federal, que comprou 29 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina.

O dinheiro gasto nessas pílulas poderia ter sido usado para ajudar a financiar programas para norte-americanos que estão com dificuldades financeiras ou para pequenas empresas que buscam empréstimos para ajudá-las a sobreviver.

A hidroxicloroquina também é usada para ajudar as pessoas que sofrem de artrite reumatoide e lúpus, mas a promoção da droga como possível “virada de jogo” por Trump levou à escassez para os indivíduos que dela dependem.

*Publicado originalmente em 'Truth Out' | Tradução de César Locatelli

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