Pelo Mundo

Um ministério com a cara de Evo

24/01/2006 00:00

Casimira Rodriguez Romero recebendo o World Methodist Peace Award em 2003

Créditos da foto: Casimira Rodriguez Romero recebendo o World Methodist Peace Award em 2003
Escândalo! Dirigente do sindicato de empregadas domésticas nomeada Ministra da Justiça!

Pergunto a Álvaro Garcia e ele diz que se não mudar a justiça para o mais pobres, para os mais humildes, nada mudará na Bolívia. Diz que ser empregada doméstica nas cidades é estar no escalão mais baixo ocupado pelo contingente de imigração do campo, com as pessoas mais humildes, as mais discriminadas, e as mais mal remuneradas.

Casimira Rodriguez nasceu em um povoado perto de Cochabamba, filha única de família pobre, começou a trabalhar como empregada doméstica aos 13 anos. Submetida a abusos físicos, mentais e sexuais, trabalhou dois anos sem receber salário. Tornou-se representante das trabalhadoras domésticas, desempenhou papel fundamental na aprovação da lei de legalização do trabalho das domésticas, com horário de trabalho, seguro médico, décimo terceiro salário, entre outras conquistas.

Agora foi nomeada Ministra da Justiça do governo Evo Morales.

“Um ministério duro” – diz a imprensa, sobre um ministério de maioria indígena.

REESTRUTURAÇÃO MINISTERIAL
Houve algumas mudanças nos ministérios:

- criação do Ministério de Desenvolvimento Sustentável, encarregado da planificação e o desenvolvimento econômico;

- criação do Ministério de Desenvolvimento Econômico, encarregado da produção e das micro-empresas;

- criação do Ministério de Assuntos Camponeses, encarregado do desenvolvimento rural;

- criação do Ministério de Educação e Cultura;

- criação do Ministério de Águas.

Na verdade a reestruturação é uma transformações de ministérios antigos, não houve criação de ministérios novos. Foi abolido o Ministério de Assuntos Indígenas, através do qual os governos tentavam cooptar lideranças indígenas. Evo Morales brincou, dizendo que não será substituído por um Ministério de Assuntos dos Brancos.

Um economista de esquerda terá o principal ministério da área – o do planejamento. Trata-se de Carlos Villegas Quiroga, que é diretor do curso de pós-graduação em Ciências do Desenvolvimento da Universidade Maior de San Andrés, foi professor de várias universidades, inclusive no México. É autor, entre outros livros, de “A privatização da industria petroleira na Bolívia” e “Relações energéticas entre a Bolívia e o Brasil”.

MAIS BOAS SURPRESAS
O primeiro ministério da era Evo Morales tem também outras boas surpresas: como já havia anunciado, Evo nomeou um líder cocaleiro para tratar da política de drogas. Será com ele que a DEA terá que negociar as propostas de lutas contra o narcotráfico, mas no marco da legalização da coca.

O primeiro Ministro da Água, Abel Mamani Marca, foi o principal dirigente do movimento que em El Alto, em junho de 2005, organizou e dirigiu as mobilizações contra a empresa francesa de exploração privada da água, Suez de Lyonnaise, que desembocou na demissão de Carlos Mesa da presidência da república. Mamani reafirmou que escutará os argumentos da empresa, mas que ela deve ir embora da Bolívia.

O Ministro dos Hidrocarburos, Andrés Soliz Rada é um duro crítico das políticas neoliberais e da privatização das empresas estatais. Pretende formular uma política energética nacional que, segundo ele, a Bolívia nunca teve.



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