Pelo Mundo

Uma atualização para 2018: mais evidências de que metade dos norte-americanos está na pobreza ou próxima dela

O nível extremo de desigualdade nos EUA está acabando com os pobres

09/07/2018 12:39

Poor People's Campaign

Créditos da foto: Poor People's Campaign

 

Negadores como Nikki Haley se recusam a admitir que a pobreza em massa existe em sua próspera nação. Isso refletiria de maneira péssima em suas crenças capitalistas. Mas se os céticos olhassem para a metade dos norte-americanos que eles não se importam, a dura exibição de pobreza poderia chocá-los. Ao menos até inventarem uma desculpa para removê-la das nossas mentes.

A taxa de pobreza dos EUA em 2016 era entre 12.7 e 14.0%. Mas a linha de pobreza é baseada em uma fórmula ultrapassada dos anos 1960. De acordo com o Serviço de Pesquisa Congressional (CRS), deveria ser três vezes mais alta hoje. E poderia ser ainda maior se a verdadeira natureza da pobreza for considerada.

A pobreza não tem só a cara do dinheiro

Há pobreza na diminuição da qualidade de vida dos norte-americanos que não são capazes de pagar por tratamentos médicos durante os anos de decaída na saúde,  e que, ao invés, se voltam à analgésicos opióides que ameaçam a saúde, que estão prontamente disponíveis em uma nação com menos de 5% da população do mundo e 30% do consumo mundial de opióides. Pobreza é a falta de apoio comunitário em uma sociedade em que os vencedores levam tudo; o stress de dívidas esmagadoras; o declínio contínuo de empregos que pagam o suficiente para sustentar uma família; a impossibilidade de se mudar para um bairro desejado; o impacto mortal da desigualdade no bem estar físico e mental.

A ONU descreve os EUA como uma nação que está próxima da base do mundo desenvolvido em rede de segurança e mobilidade econômica, com a maior taxa de mortalidade infantil no mundo desenvolvido, a maior taxa mundial de encarceramento e os maiores níveis de obesidade. Os norte-americanos de baixa renda estão frequentemente cercados por desertos de comida, com acesso insuficiente à água potável e saneamento,  e com os níveis de poluição de países de terceiro mundo. Os mais pobres entre nós estão até suscetíveis – inacreditavelmente – à doenças tropicais raras e calamidades já erradicadas como ancilóstomo.

Parte da definição de pobreza é “o estado de ser inferior em igualdade”. O nível extremo de desigualdade nos EUA está acabando com os pobres em um sentido de inferioridade. Está destruindo comunidades que já foram interdependentes, e está provocando surtos de drogas e álcool e suicídio ou “mortes por desespero”.

Riqueza é quase inexistente para os 50% de baixo

Dados do censo em 2011 mostraram que quase metade dos norte-americanos estava na pobreza ou era considerada baixa-renda. Desde então, a riqueza média para os 50% mais pobres desabou 27.5%, e a riqueza média para os 40% mais pobres é praticamente ZERO. O lar norte-americano médio tem menos riqueza do que tinha 35 anos atrás.

Os 50% mais pobres quase não se sustentam com suas rendas

De acordo com o CareerBuilder, 3 a cada 4 trabalhadores norte-americanos estão vivendo com salário apertado, incapazes de realizar gastos maiores em saúde ou moradia e mecânica. Charles Schwab diz que 3 de 5 norte-americanos vivem assim. Isso é de 60 a 75% de nós.

O Projeto United Way ALICE calculou que 43% dos lares dos EUA não conseguem arcar com uma renda mensal que inclua moradia, alimentação, assistência infantil, saúde, transporte e um celular. O Federal Reserv concorda, estimando que 42% dos adultos dos EUA estão experienciando uma alta privação material.

Custos surgindo: quase toda a renda dos 50% mais pobres vai para necessidades vitais

Para cada $1 em gastos vinte anos atrás, um lar norte-americano agora paga $1.25. Mas para cada dólar conquistado vinte anos atrás, o lar médio ainda ganha somente $1.

Moradia, assistência infantil e custos com a saúde estão acabando com os norte-americanos. Quase METADE dos inquilinos está sofrendo com os custos, pagando 30% ou mais de sua renda para seus locatários. O lar norte-americano médio na maioria dos estados teria que gastar mais de 10% de sua renda apenas para mandar uma criança de quatro anos para uma escola de período integral. A porção de custos com a saúde em uma típica família de quatro é cerca de $12.000 ou 20% da renda média.

Para muitas famílias, isso é 60% de sua renda somente para moradia, assistência infantil e custos com saúde. Muitos estão afogados em dívidas. O lar médio na metade mais pobre do país está entre $4.000 à $10.000 em dívidas de cartão de crédito.

Aposentadoria? Provavelmente não

Inúmeras fontes relatam que metade dos norte-americanos tem pouco ou quase nada guardado para a aposentadoria, e a pesquisa mais recente da GoBankingRates concluiu que 42% dos norte-americanos irá se aposentar com o equivalente a menos de três meses de salário.

Então quem ganha os benefícios do governo?

Negadores argumentam que poucas famílias norte-americanas são realmente pobres, porque se beneficiam dos programas do governo para famílias de baixa-renda. Mas Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman calcularam que, em média, em 2014, os 40% de norte-americanos adultos com rendas logo abaixo dos principais 10% -- a classe média – recebiam mais em transferências da rede de proteção do governo (Medicare, Medicaid, cupons de alimentos, créditos fiscais, benefícios aos veteranos, etc) do que os 50% de norte-americanos mais pobres.

Quando a Seguridade Social é incluída, os 10% mais ricos em média recebiam, aproximadamente, o mesmo em transferências do governo que os 50% mais pobres.

Todos se beneficiam, felizmente, de programas governamentais essenciais. Mas como descobriu a ONU, a rede de segurança norte-americana é menos favorável que as da maioria dos países desenvolvidos. E os mais ricos entre nós, de alguma maneira, conseguem sugar a grande parte dos benefícios direcionados aos pobres. Seja qual for a definição racional de pobreza, metade dos lares do nosso país está lidando com ela.

*Tradução de Isabela Palhares | Publicado originalmente no Common Dreams

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