Pelo Mundo

Wall Street Journal é imoral e não é bem-vindo na China

 

21/02/2020 12:32

 

 
O Ministério das Relações Exteriores da China anunciou na quarta-feira (19) que revogará as credenciais de imprensa de três repórteres do Wall Street Journal (WSJ) que trabalham em Pequim.

A decisão da China veio depois que o WSJ publicou um artigo intitulado "A China é o verdadeiro doente da Ásia". O WSJ se recusou a se desculpar. Depois que a China revogou as credenciais de imprensa dos três repórteres, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que a China não deve "restringir o discurso".

O conceito de liberdade de expressão claramente se desviou de seu significado original na prática do Ocidente. Parece que alguns países e meios de comunicação ocidentais têm monopolizado a explicação do que é liberdade de expressão. Eles se consideram a personificação da liberdade de expressão, como se tudo o que dissessem representasse liberdade de expressão e quem se opusesse a suas declarações a estivesse minando. Além disso, esses países e a mídia não querem que o público não ocidental expresse suas opiniões, a menos que seja permitido. Isto é ridículo.

"Homem doente da Ásia", o título de uma matéria do WSJ, não são apenas palavras aleatórias, mas uma frase com conotação histórica específica. A frase perturbou o povo chinês porque está ligada a um período em que o país foi brutalmente intimidado e humilhado pelas potências imperiais ocidentais.

O paralelo a isso seria a mídia chinesa usar a palavra iniciada com "N" para descrever os afro-americanos. Como eles reagiriam? Ninguém vai acreditar que estávamos sendo bem-intencionados.

O WSJ é a uma elite na grande mídia americana. O jornal ostenta seu profissionalismo, que deveria ter se refletido em suas palavras e uma compreensão precisa de todo o conteúdo.

Criticar essa manchete não significa que a China seja excessivamente sensível. O WSJ foi imoral, em primeiro lugar. De fato, o jornal goza de liberdade de expressão, mas isso significa que pode falar tão rudemente sobre outros povos? Acredito que isso é uma distorção da liberdade de expressão.

Um dia antes da China revogar as credenciais de imprensa dos repórteres do WSJ, os EUA anunciaram que tratariam cinco grandes agências de notícias estatais chinesas, com operações nos EUA, como missões estrangeiras. Washington considera as cinco agências de notícias como agências de inteligência. Foi assim que a União Soviética foi tratada pelos EUA durante a Guerra Fria.

O ex-vice-ministro das Relações Exteriores da China, Fu Ying, levantou esta questão sobre a Huawei na Conferência de Segurança de Munique em 2020: "Você realmente acha que o sistema democrático é tão frágil que poderia ser ameaçado por essa única empresa de alta tecnologia?"

Eu acho que os EUA são frágeis assim. Depois de declarar as agências de notícias chinesas como "missões estrangeiras", os EUA podem estabelecer limites para as notícias que essas agências publicam nos EUA.

Até certo ponto, algumas pessoas nos EUA pensam que deixar essas organizações de mídia relatarem as realizações de desenvolvimento da China preocupará o povo americano. Ao comparar o desenvolvimento da China com o dos EUA, alguns americanos se perguntam: por que a China se transformou no que é hoje, enquanto os EUA estão indo em uma direção diferente?

Alguns americanos perderam a capacidade de pensar racionalmente. Parece que eles perderam sua racionalidade por causa da competição estratégica China-EUA. Acho que os movimentos dos EUA expõem as ambições políticas de Pompeo. Ele tem acumulado capital político para uma possível corrida à Presidência dos EUA em 2024. Ele quer ser visto como aquele que confronta a chamada ameaça do Partido Comunista da China.

A reportagem do WSJ na China ajuda o jornal a obter lucro. Ao permitir que operem na China, o país está de fato permitindo ganhar dinheiro com a China. Portanto, temos todos os motivos para pedir que sejam amigáveis em suas reportagens. Isso não significa que eles devam elogiar a China, mas devem informar objetivamente. Nós permitimos que eles lucrassem na China, mas eles ainda insistem em ofender a China e se recusam a corrigir seus erros. Isso prova sua hostilidade e imoralidade. Eles não são bem-vindos na China.

O artigo foi compilado pelo repórter do Global Times, Li Qingqing, com base em uma entrevista com Shen Yi, diretor do Centro de Pesquisa em Governança do Ciberespaço da Universidade Fudan. opinion@globaltimes.com.cn

*Publicado originalmente em 'Global Times' | Tradução de César Locatelli

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