Poder e Contrapoder

"Ao estilo Joseph Goebbels": propaganda de Israel empurra EUA a uma guerra mundial

Um conflito com Teerã poderia "terminar com o experimento que Israel representa e causar danos irreparáveis ao império que os Estados Unidos se tornaram", segundo um ex-assessor do Departamento de Estado.

08/03/2018 13:21

 

 
Israel tenta envolver os Estados Unidos numa guerra contra o Irã que desestabilizaria o Oriente Médio, e que poderia desembocar numa guerra mundial. Este é o alerta do ex-chefe de gabinete da Secretaria de Estado norte-americano, Lawrence Wilkerson.

Um conflito deste tipo na região poderia “terminar com o experimento que Israel representa e causar danos irreparáveis ao império que os Estados Unidos se tornaram”, afirmou o coronel retirado Wilkerson, durante uma conferência em Washington, na semana passada.

“Tel Aviv utiliza cada vez mais a presença do Irã na Síria, seu apoio a Bashar al Assad e seu suposto impulso a um corredor xiita de Teerã até Adem, como uma causa potencial e um estímulo existencial para uma ação”, comentou.

O veterano militar explicou que a acusação de antissemitismo por parte do Irã é uma “arma habitual” de certos políticos israelenses, apesar do país persa abrigar, pacificamente, a terceira comunidade judia mais importante de Oriente Médio – atrás da Turquia e de Israel. Wilkerson recordou que acusações deste tipo são comuns por parte do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que na atualidade “está fazendo de tudo para expulsar a legítimos refugiados africanos de pele negra oriundos da Eritreia e do Sudão”.

Discutindo o trabalho dos grupos de influência israelenses nos Estados Unidos, o coronel condenou as palavras do senador estadunidense Chris Coons, que acusou o Irã de enviar suas tecnologias militares à Síria e ao Líbano.

Sobre isso, Wilkerson mostrou surpresa, porque as tecnologias de “um país que investe em sua segurança nacional o equivalente a menos de um 1 % dos gastos dos Estados Unidos” possa ser supostamente uma ameaça a Israel, nação com a qual “a generosidade estadunidense não tem limites”.

“São declarações ao estilo Joseph Goebbels”, classificou o ele, se referindo ao famoso ministro Propaganda da Alemanha nazista.

Wilkinson assegurou que Israel necessita do apoio militar dos Estados Unidos para obter a legitimidade internacional e advertiu que se atua unilateralmente, será condenado por muitos países, e ficará ainda mais isolado do que já está hoje em dia.

Tendo em conta os cerca de 150 mil mísseis acumulados pelo movimento libanês Hezbollah (segundo as agências de inteligência), e considerando a presença na região de países como Síria, Turquia, Iraque, Arábia Saudita e Rússia, o especialista alertou sobre os riscos de um enfrentamento que colocasse Israel e Estados Unidos de um lado e o Irã do outro, e que poderia despertar possíveis apoios da Rússia e da China ao país muçulmano: “levaria a turbulências iguais que as de 1914” – se referindo ao ano em que começou a Primeira Guerra Mundial.



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