Poder e Contrapoder

China adverte EUA sobre insistir em aplicar mais impostos aos seus produtos

Pequim assegura que não haverá nenhum acordo comercial entre ambos se os Estados Unidos continuarem com a política tarifas especiais sobre os seus produtos. No mesmo sentido, os países aliados de Washington denunciaram a política comercial agressiva da gestão de Trump

04/06/2018 10:33

Josué Ferrer

Créditos da foto: Josué Ferrer

 

A China advertiu a administração do presidente Donald Trump que não pretende iniciar nenhum novo acordo comercial entre ambos se os Estados Unidos continuarem com sua atual política de aplicação de tarifas sobre os produtos chineses que chegam ao país.

“Se os Estados Unidos introduzem sanções comerciais, incluindo o aumento de seus direitos de aduana, então os resultados das negociações comerciais e econômicas (entre ambos os países) não terão nenhum efeito”, disse o secretário estadunidense de Comércio, Wilbur Ross.

No mesmo sentido, os países aliados de Washington denunciaram a política agressiva dos Estados Unidos numa cúpula do G7 Finanças, realizada em Whistler, no Canadá.

A reunião do G7 terminou no sábado sem declaração comum, em um contexto de críticas ao governo de Trump por parte dos seus sócios mais importantes, insatisfeitos pela decisão de impor tarifas ao aço e ao alumínio procedentes da União Europeia, do Canadá e do México.

O encontro do G7 foi “tenso e difícil”, segundo o ministro de Economia francês, Bruno Le Maire, quem descreveu o clima dizendo que “na verdade, parecia um encontro do G6 1, com um país (os Estados Unidos, embora ele não tenha especificado nominalmente) sozinho contra todos, o que cria um risco de desestabilização econômica do planeta”.

A União Europeia e o Canadá denunciaram as tarifas aduaneiras de Trump à Organização Mundial de Comércio (OMC), enquanto que o México adotou medidas de represália contra os produtos estadunidenses.

Trump opta por mudar estratégia com a China

Nas últimas semanas, ambas as potências pareciam ter assinado uma trégua comercial. Mas que não durou muito: na terça, Washington voltou a ameaçar com impor tarifas a produtos chineses pelo valor de 50 bilhões de dólares anuais.

O regime comunista denunciou essa “guinada” de Washington e ameaçou com tomar “medidas firmes” para proteger seus interesses. Neste contexto de tensão, o secretário de Comércio Wilbur Ross visitou a China neste fim de semana (2 e 3 de junho) para retomar as negociações.

Em entrevista coletiva, Ross qualificou as negociações com o vice primeiro ministro chinês Liu He como “amistosas e francas”. He é figura muito próxima do presidente Xi Jinping e principal responsável pela política econômica do país.

Após as reuniões, He disse estar satisfeito com os avanços “positivos e concretos”, mas que ainda estão por ser confirmados, em setores como a energia e a agricultura. Porém, em paralelo, o governo asiático advertiu que as negociações “partem do princípio de que as partes não podem atacar uma à outra, nem apostar na guerra comercial”.

Os Estados Unidos pedem que a China abra mais o seu mercado, com o objetivo de reduzir o enorme déficit comercial entre ambas as economias em 200 bilhões de dólares anuais – em 2017, a balança comercial entre os países pendeu em 375 bilhões a favor da China. Porém, a China considera “irreais” os números apresentados pelos norte-americanos.

Trump denuncia com frequência as práticas comerciais “desleais” da China, que impõe barreiras aos investimentos e “obriga” as companhias estrangeiras a transferir tecnologia. Por isso, os Estados Unidos pedem à China “mudanças estruturais”, segundo o secretário estadunidense do Tesouro, Steven Mnuchin, na reunião do G7 Finanças. “Se há mudanças estruturais que garantem às nossas empresas uma concorrência livre (na China), isso terá um efeito no déficit comercial”, assegurou Mnuchin.

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