Poder e Contrapoder

O equívoco do Ocidente sobre a China cria atitudes sem sentido

 

13/12/2020 11:46

(Ilustração: Liu Rui/GT)

Créditos da foto: (Ilustração: Liu Rui/GT)

 
O jogador de futebol francês Antoine Griezmann disse na quinta-feira que estava encerrando seu contrato de patrocínio com a Huawei por causa das alegações de que a gigante chinesa das telecomunicações estava envolvida no desenvolvimento de um software de reconhecimento facial que reprime os uigures em Xinjiang.

Griezmann talvez nunca tenha estado em Xinjiang, mas recorreu a meios tão radicais para marcar sua posição em relação a Huawei. Isso mostra a seriedade da difamação que a França e o Ocidente têm aplicado contra a Huawei.

No Ocidente, tudo relacionado a Xinjiang seria suspeito de ajudar na repressão aos uigures. Dizem que os produtos de Xinjiang são feitos com trabalho forçado e o simples fato de abrir um negócio em Xinjiang já sofreria a acusação de apoiar a repressão.

O povo chinês pode sentir claramente a histeria e o absurdo desse extremismo. A ação de Griezmann o torna um tolo. Xinjiang não é, de forma alguma, o que o Ocidente descreve. A violência e o terrorismo foram eliminados e sua economia está se recuperando. A situação de controle da epidemia é muito melhor do que na França. Huawei é uma grande empresa. A França não tem nem mesmo uma empresa de alta tecnologia como a Huawei.

Padrões duplos de avaliação também têm seu papel. De acordo com os rígidos padrões morais ocidentais, empresas como Intel e NVIDIA, cujos chips estão instalados no sistema de reconhecimento facial de Xinjiang, também deveriam ser visadas. No entanto, a opinião ocidental raramente faz críticas tão duras a suas empresas, enquanto empresas chinesas como a Huawei se tornam seu alvo de ataques. A moralidade cantada pelo ocidente serve apenas aos interesses ocidentais.

A repressão dos EUA à Huawei tem um objetivo geopolítico. Pessoas que têm pelo menos um pouco de senso político sabem disso. Mas muitas agências de opinião ocidentais ajudam a demonizar profundamente a Huawei. Eles espalharam a suspeita de que a Huawei coletou dados de inteligência para o governo chinês e então marcou a Huawei com esse rótulo. Na terça-feira, o Washington Post publicou um artigo aprofundado que tentava consolidar a acusação de que a Huawei ajudou na "repressão" em Xinjiang.

Huawei é tão ruim assim? A Huawei disse que está aberta a um acordo "sem cláusulas secretas" com qualquer país. Existe alguma grande empresa de TI nos Estados Unidos disposta a assinar tal acordo? Até agora, o mundo ocidental não forneceu evidências que mostrassem o envolvimento de empresas chinesas como Huawei e TikTok na coleta de informações de inteligência, enquanto uma grande quantidade de dados pessoais do mundo está nas mãos de empresas norte-americanas de internet. O escândalo do programa PRISM expôs a ponta do iceberg da vigilância dos EUA no mundo, mas por que as agências de opinião ocidentais não tiveram a coragem de rastreá-lo e divulgar mais sobre a vigilância do governo dos EUA no mundo?

A opinião ocidental é um tigre quando enfrenta a China, mas se transforma em um gato quando enfrenta os EUA. A armadilha norte-americana contra a Huawei é um caso sem precedentes e injusto na história de cerceamento contra empresas de tecnologia. A perseguição política dos EUA contra a Huawei é cristalina. A mídia ocidental não se levantou para impedir tal manobra norte-americana, mas, ao contrário, agiu como cúmplice de sua repressão à Huawei. É vergonhoso que a atuação da opinião pública ocidental seja assim.

O bom senso e a racionalidade nos dizem que o uso de rótulos pode acontecer facilmente na esfera da opinião. A China é um país com complexidades - está se desenvolvendo rapidamente, usa a mesma tecnologia do Ocidente, tem várias conexões com o Ocidente e não se envolveu em qualquer guerra nas últimas décadas. Embora tenha um sistema político e ideologia diferente do Ocidente, não é de forma alguma a "país sombrio" descrito pelo Ocidente.

O entendimento do Ocidente sobre a China tem ido por um caminho errado, o que torna mais difícil a comunicação entre a China e o Ocidente, mas quem mais perde é o Ocidente.

*Publicado originalmente em Global Times | Tradução de César Locatelli

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