Poder e Contrapoder

Pompeo cria o hábito de culpar a China, mas politizar vírus não é bom para os EUA

 

02/03/2020 15:41

(Ilustração de Liu Rui/GT)

Créditos da foto: (Ilustração de Liu Rui/GT)

 
Nota do editor:

Na terça-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusou a China e o Irã de censurar informações sobre o surto do COVID-19 e, assim, aumentar o risco para os outros países. Suas acusações são justas? Por que Pompeo ainda está politizando a epidemia nesta fase crítica? O repórter do Global Times, Li Qingqing, conversou com dois especialistas chineses sobre esse assunto.

Ni Feng, vice-diretor do Instituto de Estudos Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais

Esta é a prática habitual de Pompeo. Ele é um extremista político anti-China. Seu entendimento da China vem quase inteiramente de seu ponto de vista ideológico, ao invés de tentar fazer julgamentos com base em fatos.

No começo, de fato, houve problemas com a resposta inicial da China ao surto de COVID-19. Mas não sabíamos a gravidade da epidemia naquele momento. Fomos compreendendo o vírus à medida que a epidemia se desenvolvia, e medidas eficazes foram implementadas, em tempo hábil.

As pessoas precisam de tempo para entender um problema desconhecido. No entanto, Pompeo tem colocado rótulos na China e criticado o sistema do país, o que mostra que ele vê a China por uma perspectiva tacanha.

Tem havido diferentes vozes sobre o COVID-19 nos EUA. Por exemplo, o presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta-feira contradisse um aviso anterior do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) sobre a propagação "inevitável" do COVID-19 nos EUA.

Isso revela uma disputa entre o escritório executivo dos EUA e a agência profissional de prevenção e controle. Os políticos dos EUA podem não querer criar pânico, ou estão priorizando a situação econômica dos EUA e as próximas eleições presidenciais.

Os países têm abordagens próprias para lidar com o COVID-19. Pompeo está tentando beneficiar os EUA com o infortúnio da China. Mas há muitos americanos que acreditam que essa crise de saúde pública é uma ameaça enfrentada por todos os seres humanos, e os países devem se unir para combatê-la. Ainda existem vozes racionais nos EUA, apesar das declarações extremadas de Pompeo.

Pompeo e seus colegas consideram a China um rival estratégico. Eles dizem o que querem, desde que machuque a China. Eles criaram o hábito de culpar a China, independentemente do que o país faz. A atitude deles permanece a mesma, mesmo diante da epidemia, um desafio enfrentado por todos os seres humanos. Tal politização do COVID-19 dificultou a cooperação internacional e levou os EUA a uma situação passiva para lidar com o vírus.

Xin Qiang, vice-diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan em Xangai

Pompeo coloca a culpa de tudo no sistema político de qualquer país que os EUA julguem rival para ludibriar a opinião pública, criar desculpas para a repressão dos EUA e obter apoio político doméstico e de aliados dos EUA. No entanto, os ataques de Pompeo distorcem os fatos.

O mundo vê claramente se a China está ocultando o surto da epidemia. Temos que admitir que, ao enfrentar o COVID-19, vírus completamente novo e desconhecido, houve problemas com a resposta dos governos locais. No entanto, em geral, a China adotou uma atitude aberta e responsável em relação à epidemia.

Além de divulgar informações sobre a epidemia em tempo hábil, a China bloqueou o centro epidêmico e adotou medidas rigorosas de quarentena para impedir que o vírus se espalhasse além de sua fronteira, medidas que causariam danos econômicos à China no curto prazo, mas que são eficazes em conter o vírus.

A China também tem compartilhado informações sobre o COVID-19 e fornecido suprimentos de prevenção para a OMS e outros países e regiões afetados. Pompeo fez vista grossa para isso. Ele não perdeu nenhuma chance de distorcer os fatos e difamar a China.

Pompeo disse em julho de 2019: "Eu era o diretor da CIA. Mentimos, enganamos, roubamos ... Isso lembra a glória do experimento americano". De fato, seus atos estão alinhados com seu status anterior e hábito profissional como diretor da CIA.

Como secretário de Estado dos EUA e um importante membro do governo Trump, Pompeo está tomando todas as medidas para reprimir e conter países como a China, que os EUA consideram rivais. Isso é consistente com a estratégia externa do governo Trump, e Pompeo está se esforçando para divulgar essa estratégia e atrair mais aliados.

Não devemos nos importar muito com as palavras ofensivas de Pompeo. O trabalho duro da China é evidente e não precisamos que os EUA façam um julgamento final. Outros países não acreditam em tudo o que Pompeo diz. A vitória da China sobre o COVID-19 será a melhor arma para combater essa calúnia.

*Publicado originalmente em 'Global Times'  | Tradução de César Locatelli






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