Poder e Contrapoder

Repercussões internacionais sobre o bombardeio à Síria

Comunidade internacional se posiciona sobre a ação militar

15/04/2018 13:30

 

 
Do Página/12, da Argentina

O Kremlin e Pequim encabeçaram as críticas à ação militar conjunta de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França contra a Síria. O governo chinês afirmou que “qualquer ação militar unilateral que não seja aprovada pelo Conselho de Segurança é contrária aos propósitos e princípios da Carta da ONU e viola os princípios e normas básicas do direito internacional”, colocando-se contra o ataque em represália ao suposto uso de armas químicas por parte do governo de Bashar Al Assad.

No resto da comunidade internacional, houve diversas interpretações. A chanceler alemã Angela Merkel falou de um ato “necessário, mas proporcionado”, ao dizer que seu país “apoia” a ação contra a Síria “para garantir a vigência da proibição do uso de armas químicas e para advertir o regime sírio sobre as consequências de novas violações” do acordo internacional sobre o não uso de armas químicas. “Todos os indícios à disposição mostram a responsabilidade do regime de Assad” pelo “abominável” ataque químico do sábado passado (7/4), no bairro de Duma, em Damasco, que foi usado como justificativa do bombardeio. Merkel lembrou que a Síria, “usou armas químicas várias vezes, no passado, contra o seu próprio povo”, e lamentou a que Rússia queira “impedir uma investigação independente” sobre o ocorrido há uma semana.

O governo holandês definiu como “correto e proporcional” o ataque norte-americano, segundo o declarado pelo premiê Mark Rutte, que também lamentou o fato de que a Rússia usará seu direito a veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir investigações sobre o possível uso de armas químicas na Síria. Atualmente, a Holanda é um membro não permanente do Conselho.

Na vizinha Bélica, o primeiro-ministro Charles Michel também deu seu apoio à medida de força. “A Bélgica condena firmemente o uso de armas químicas na Síria e compreende a ação conjunta de Estados Unidos, França e Reino Unido”, afirmou.

Na Itália, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni assegurou que nenhum avião utilizado no bombardeio decolou de bases italianas. “O que aconteceu deve servir como sinal de alerta e de estímulo, para se iniciar um processo de diálogo”, estimou, além de defender “tolerância zero” ao uso de armas químicas.

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy não duvidou em dar seu apoio ao ataque, caracterizando o bombardeio como “uma resposta legítima e proporcionada contra os brutais ataques (do governo sírio) contra a população civil”.

O Egito foi um dos países que expressou “grande preocupação” pelo que descreveu como uma “escalada militar”. A chancelaria do país árabe rechaçou o uso de “armas proibidas internacionalmente”, mas também pediu “uma investigação transparente” do caso, e expressou seu temor às “consequências à segurança do povo sírio e a ameaça aos entendimentos alcançados na determinação das zonas de distensão”.

Finalmente, o governo do Irã advertiu sobre as “consequências regionais” do ataque, que definiu como uma “violação flagrante da lei internacional”. O líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei classificou os três governos que realizaram o ataque como “criminosos”, e condenou o bombardeio. O Irã é um aliado de Al Assad e sua chancelaria estima que o suposto ataque químico foi “fabricado” para ser uma “desculpa” para justificar a ação militar.



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