Política

'Não tenho como afirmar que Dilma sabia', diz ex-diretor da Petrobrás

Em depoimento à CPMI, Paulo Roberto Costa desmente tese que uniu oposição e imprensa no período eleitoral para prejudicar a presidenta da República.

02/12/2014 00:00

Antonio Cruz/Agência Brasil

Créditos da foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 
Brasília - Preso pela Operação Lava Jato e beneficiado com o esquema de delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, frustrou as expectativas da oposição ao afirmar em depoimento na CPMI da Petrobrás, de forma categórica, que não sabe se a presidenta Dilma Rousseff tinha conhecimento ou não do esquema de corrupção em curso na maior empresa estatal brasileira. “Eu não posso concluir que Dilma já sabia dos fatos”, repetiu, reiterada vezes.

 

Ele prestou depoimento à CPMI da Petrobrás, na tarde desta terça (2), durante a acareação que o colocou frente ao ex-diretor da Área Internacional da companhia, Nestor Ceveró. O acusado reafirmou a existência de um esquema de corrupção na estatal, pelo qual foi beneficiado com propina de R$ 1,5 milhão. Já Ceveró voltou a dizer que não tinha conhecimento do esquema e que jamais recebeu propina enquanto atuou como diretor da estatal.

 

Costa atribuiu a responsabilidade pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, ao Conselho Administrativo da Petrobrás, presidido por Dilma Rousseff de 2006 a 2010, quando ela era ministra da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva. “A responsabilidade final de aprovar uma compra de um ativo como Pasadena é 100% do Conselho de Administração. A Petrobras tem uma diretoria que faz uma indicação”, esquivou-se.

 

Ele descartou, entretanto, ter conhecimento se a presidenta teria conhecimento sobre o esquema de propinas na estatal. Em outras palavras, disse que Dilma é uma das responsáveis pelo mau negócio da compra da refinaria, já que era membro do conselho, mas isso não significa que ela participe ou mesmo que seja condescendente com qualquer esquema de corrupção, como sugeriram a oposição e a imprensa que a serve, durante o período eleitoral.

 

O ex-diretor, aliás, usou a oportunidade para corrigir diversos erros veiculados pela imprensa na cobertura do caso. Ele ratificou a veracidade do conteúdo do depoimento que prestou ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, mas lembrou que ele segue sob segredo de justiça e só parte dele veio à tona, muitas vezes de forma equivocada.

 

Como exemplo, ele citou o polêmico e-mail encaminhado por ele à Casa Civil, em setembro de 2009, que imprensa e oposição utilizaram durante o período eleitoral como prova de que a presidenta sabia do esquema criminoso na estatal. De acordo com Costa, o documento eletrônico encaminhado atendendo à pedido do próprio ministério, não fala sobre pagamentos de propinas, mas sim sobre erros técnicos do processo apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Segundo ele, naquela altura, ela já “estava enojado com o que acontecia na estatal” e mandou o e-mail como um alerta. “Quando eu mandei este e-mail era para alertar que estávamos com problemas”, justificou.

 

O ex-diretor da estatal alertou também que a corrupção atine praticamente todos os setores da economia brasileira e não é uma prerrogativa das empreiteiras apontadas na Lava Jato ou de governos deste ou daquele partido. “Isso que está no noticiário, que acontecia na Petrobras, acontecia no Brasil inteiro, nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas, isso acontece no Brasil inteiro, é só pesquisar”, disparou.

 

Durante o depoimento, ele revalidou à CPMI todo o conteúdo do seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, que cuida do caso. Entretanto, o depoimento, que corre em segredo de justiça, não é de conhecimento nem mesmo dos membros da CPMI. Apenas os trechos veiculados pela imprensa se tornaram públicos. E boa parte deles, conforme atestou o próprio autor do depoimento, de forma bastante equivocada.

 

Costa esclareceu, por exemplo, que o e-mail relatando problemas na aquisição de Pasadena, encaminhado por ele à Casa Civil em 2010, não continha informações sobre o suposto esquema de propinas n estatal, mas sim sobre os entraves técnicos da operação de compra apontados pelos Tribunal de Constas da União (TCU). Portanto, ao contrário do que vem sendo ventilado pela imprensa, o e-mail não comprova que a presidenta Dilma, na época ministra da Casa Civil, teve conhecimento do esquema.

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