Política

'O Brasil precisa de mais democracia, não de golpismo'

Em Brasília, milhares protestaram contra a retirada de direitos, em defesa da Petrobrás, em defesa da democracia e contra o impeachment.

14/03/2015 00:00

Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Créditos da foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Cinco mil manifestantes, conforme os organizadores, e dois mil, segundo a Polícia Militar, protestaram na rodoviária do Plano Piloto de Brasília, o maior centro de circulação de pessoas da capital federal, nesta sexta (13), contra a retirada de direitos dos trabalhadores, em defesa da Petrobrás e contra o golpe à democracia. A carreata pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff, prevista para ocorrer na Esplanada dos Ministérios, no mesmo horário, reuniu apenas seis veículos.
 
O ato dos trabalhadores foi organizado pelos movimentos sociais e sindicais, como CUT e MST, à exemplo do que ocorreu em outras 23 capitais do país. Os manifestantes se reuniram no Conic, um prédio próximo à Rodoviária, e marcharam até lá pela Esplanada dos Ministérios, seguidos por forte aparato militar, que fechou três das seis faixas de trânsito. No trajeto, uma militante pró-impeachment estendeu uma faixa no alto de um prédio com os dizeres “Fora Dilma”. Apesar de isolado, o fato foi ponto alto no noticiário da mídia convencional.
 
Na rodoviária, os manifestantes gritaram palavras de ordem em defesa de bandeiras históricas dos trabalhadores, como a reforma política, a democratização da mídia, a manutenção dos direitos trabalhistas, a não privatização do patrimônio público e em defesa da Petrobrás pública e do povo brasileiro. “Não vai ter golpe” e “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” se somaram ao hino nacional. A receptividade dos trabalhadores que tomavam os ônibus e metrôs no final do expediente foi grande. Nenhum tumulto ou confusão foi registrado.
 
“Esse ato é uma defesa do Brasil, desse Brasil que já passou pelo colonialismo, pela escravidão e pela ditadura. É uma defesa da democracia que, quando faltou, deixou não só marcas na pele, mas também na alma do povo brasileiro. Não podemos permitir que a democracia conquistada com tanta luta seja questionada”, afirmou a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), presente à manifestação.
 
Ela ressaltou que o país nunca viu tanta apuração de crimes de corrupção como agora. “O Brasil está se deparando hoje com a prisão de donos de empresas, com a devolução de dinheiro desviado e fruto da corrupção. E isso é uma reforma democrática, é uma revolução ética que está acontecendo no Brasil e, por isso, nós estamos nas ruas”, defendeu.
 
Para Kokay, são várias as forças que instigam o golpismo. “Primeiro, uma elite que quer fazer as nossas instituições a sua semelhança. Segundo, uma elite que parte de uma concepção patrimonialista que não admite repartir os aviões, dividir os bancos das universidades com a população de baixa renda. Essa elite quer o Brasil subjugado ao seu domínio. Não aceita o Brasil para todos e todas”, afirmou.
 
A deputada ressaltou que defende, assim como seu partido, a investigação de toda e qualquer denúncia de corrupção. Mas acrescentou que um país democrático não pode admitir que um líder da oposição diga que é preciso sangrar a presidenta da república, como o fez o senador Aloysio nunes (PSDB-SP). Ou que o objetivo de uma CPI é pegar Lula e Dilma. “O objetivo da CPI tem que ser passar o Brasil à limpo, é recuperar esse trabalho que está sendo feito pelas instituições, como o Ministério Público e a Polícia Federal. Chega de golpismos. O país não vai mais permitir golpismos”, ressaltou.
 
Secretário executivo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Distrital do DF, Hamilton Pereira também foi ao protestou defender a democracia brasileira, segundo ele conquistada a duras penas. Ex-preso e torturado político, ele afirmou que o Brasil precisa é das reformas política e da comunicação, que permitirão ao povo discutir novas regras para eleger seus governantes, sem tamanho controle do poder econômico, além de usufruir ao direito à informação de qualidade e não manipulada.
 
 
“Golpe nunca mais. Aos 51 anos do golpe de 1964, a direita levanta a cabeça mais uma vez para tentar romper com a constituição democrática da sociedade brasileira. E hoje, nós estamos de volta às ruas para rebater a tentativa de ruptura do sistema democrático instituído pela constituição de 1988. Nós precisamos de mais democracia no Brasil. Nós precisamos é reconstruí-la com reforma política, com a reforma da mídia, dos meios de comunicação no Brasil. Nós precisamos aprofundar a democratização desses meios para que a gente assegure o aprofundamento das conquistas sociais alcançadas ao longo dos últimos 12 anos”, afirmou.



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