Política

"Trensalão tucano" e o cinismo de Serra

José Serra, que agora postula uma vaga no Senado, resolveu debochar: "cartel não é sinônimo de delito. Você não pode olhar do ponto de vista moral".

26/08/2014 00:00

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Créditos da foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Intimado pela Polícia Federal na investigação do "trensalão tucano" – o bilionário esquema de propina montado pelos governos do PSDB de São Paulo com poderosas multinacionais do setor de transporte –, o eterno candidato José Serra, que agora postula uma vaguinha no Senado, resolveu debochar da sociedade.

 

Para Serra, "cartel não é sinônimo de delito. Você não pode olhar do ponto de vista moral. As empresas se articulam... Isso é uma fenômeno super-comum no mundo inteiro", afirmou. A declaração desrespeita a legislação existente no Brasil e desacata o próprio Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico), mas não gerou maior escarcéu da mídia tucana. Não deu nem chamada de capa nos jornalões!

Na prática, o "trensalão tucano" – que foi carinhosamente batizado pela imprensa chapa-branca de "cartel dos trens" – já sumiu do noticiário. A cínica resposta do ex-governador, que beira a ilegalidade, apenas evidencia a cumplicidade do PSDB com este esquema criminoso que sugou os cofres públicos nas gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e do próprio Serra. Ele agora só voltou à tona – não na mídia, que mantém a discrição na cobertura do escândalo – graças à decisão da Polícia Federal de intimar os acusados de envolvimento no caso. José Serra foi chamado para depor sobre as denúncias de que teria participado diretamente das negociações com as multinacionais na licitação de trens.

O envolvimento do ex-governador nas negociatas apareceu no depoimento de um executivo da Siemens e também em e-mails trocados pelas multinacionais com pessoas do Palácio dos Bandeirantes. Além de José Serra, a PF deverá ouvir outras 44 pessoas acusadas de participarem do "trensalão" – como o ex-secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, o atual presidente da estatal CPTM, Mário Bandeira, e o ex-presidente do Metrô, Sérgio Avelleda.

 

Curiosamente, porém, o depoimento do candidato tucano ao Senado ficou marcado para 7 de outubro, dois dias após as eleições para a vaga paulista. Até lá, José Serra poderá continuar debochando da sociedade com suas respostas cínicas!

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