Política

"Vou ser mais comedido", diz Lula sobre apoio a Marta

23/09/2004 00:00

Ricardo Stuckert

Créditos da foto: Ricardo Stuckert

São Paulo - Em entrevista coletiva ao vivo concedida a emissoras de rádio de vários Estados do Brasil na manhã desta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu desculpas por ter manifestado apoio público à candidatura de reeleição da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT) (leia matéria Lula entra na campanha e pede voto para Marta Suplicy ).

No último fim-de-semana, Lula participou, como presidente da República, da inauguração da primeira etapa da obra de prolongamento da Avenida Radial Leste, no município de São Paulo. Durante o seu discurso de improviso, acabou pedindo votos de maneira franca e aberta para Marta.

"Se eu cometi o erro, eu, primeiro, sou o presidente da República e não gostaria de dar o exemplo de um presidente tentando denegrir qualquer lei. Portanto, como criaram a palavra desculpa, eu peço desculpas se isso causou mal a alguém. O dado concreto é que a obra está pronta", afirmou Lula aos profissionais do rádio. A entrevista realizada no Palácio do Planalto foi transmitida ao vivo pela Radiobrás (Rádio Nacional AM). 

Leia íntegra da pergunta feita pelo jornalista Felipe Bueno (Eldorado) e da resposta do preisdente Lula.

Felipe Bueno - Bom dia, Presidente. Presidente, foi divulgada nos jornais de hoje a informação de que o discurso que o senhor fez no último sábado em São Paulo, na inauguração do prolongamento da Radial Leste, foi retirado do site oficial da Presidência da República e recolocado sem um trecho, exatamente o trecho no qual o senhor pediu votos para a candidata à reeleição, a prefeita Marta Suplicy. Eu pergunto duas coisas: Isso foi determinado pelo senhor e se foi ou se não foi, houve uma reavaliação de postura com relação às pressões da última semana?

Presidente Lula - Primeiro, bom dia, Felipe. Eu acho que todos vocês, aqui, já acompanharam, em algum momento, campanha política, já acompanharam inauguração de obra.

Veja, eu fui para São Paulo inaugurar uma obra em que a prefeita não podia ir, porque aquela obra tinha dinheiro do governo federal. Eu fui inaugurar aquela obra porque entendia que aquela obra era muito importante para a Zona Leste de São Paulo. Alguns, que estão reclamando de eu ter falado em política, estão na televisão todos os dias defendendo os seus candidatos e eu nunca me incomodei. Eu gostaria que não fosse assim. Eu gostaria que os governadores não estivessem em campanha, mas estão. E estão fazendo publicidade como se fossem eles os candidatos.

Eu fui à Zona Leste. Primeiro, eu fiz um discurso por escrito, que era o meu ato oficial, vocês todos conhecem isso, descerrei a placa, fiz meu discurso. Na verdade, eu já tinha até acabado de falar quando eu recebi um documento da nossa ministra interina, que mostrava o quê? Que mostrava que, em sete anos, o governo passado investiu na capital paulista apenas 590 milhões de reais. E que eu, em apenas 19 meses, já tinha colocado quase 400 milhões de reais na capital de São Paulo. E por que o grande investimento em São Paulo? Porque São Paulo não é dos paulistas, embora seja capital de São Paulo; São Paulo tem gaúcho, tem nordestino, tem amazonense, tem pernambucano, senão, eu não seria presidente da República; então, todos os estados brasileiros estão em São Paulo. Aquilo é uma megalópole que atende o Brasil e o mundo, você encontra qualquer raça do  mundo em São Paulo. Então, qualquer investimento que se faça lá é bom. Eu fiz o pronunciamento.

Depois que eu fui falar de improviso, eu fui tomado de uma emoção muito grande, como todo orador é, de falar da campanha eleitoral, porque falei. Se eu cometi o erro, eu, primeiro, sou o presidente da República e não gostaria de dar o exemplo de um presidente tentando denegrir qualquer lei. Portanto, como criaram a palavra desculpa, eu peço desculpas se isso causou mal a alguém. O dado concreto é que a obra está pronta.

Eu não estava aqui, quando teve esse problema do site. Eu disse ao Ricardo Kotscho, ontem, para colocar no site esse negócio, porque o discurso está por escrito, eu não tenho como dizer que eu não fiz o discurso, porque está por escrito.

E tem o trecho de improviso, porque eu faço as minhas coisas. Eu até, de vez em quando, gosto do improviso como se eu não fosse nem o presidente da República, como se eu fosse um cidadão comum, porque eu tenho uma interação com o povo muito forte, eu gosto dessa interação, me sinto bem. Agora, eu te confesso, Felipe, que eu não entendo porque que os nossos adversários, que estão na campanha todos os dias, ficaram tão nervosos. Eles começaram dizendo que iam fazer uma campanha federalizada, que iam destruir o governo federal. Os números da economia fizeram com que eles fechassem a boca, só faltam pedir voto para mim em palanque, não pedem porque não sou candidato. Então, eles estão sem argumentos. Agora, se isso foi errado, eu só tenho que pedir desculpas. Se eu machuquei alguém, se eu feri alguém, eu vou ser mais comedido daqui para a frente, eu vou evitar que, durante esse processo de campanha, que eu faça meus improvisos falando de eleição, porque pode ajudar o meu candidato, mas não é um exemplo que pode ser bom para a Justiça.

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