Política

A natureza e a condição humana num retorno radical ou uma interpretação da atual crise capitalista

 

16/03/2020 17:25

 

 

O capitalismo sociologicamente existe há mais de seiscentos anos, sua origem se estabelece na destruição de formas menos inventivas da relação entre a humanidade e a natureza. Até antes do capitalismo, a natureza impunha regras de conduta e de interação da humanidade com o resto do que era natural, óbvio que nós humanos sempre fomos parte dessa condição natural, mas a subordinação de todo o planeta a regra central de que tudo vale render e que o lucro seja o sofisma impossível da existência a partir da exploração racional da força de trabalho nos levou a outro nível, cujos limites parecem que agora estão se expondo grotescamente e questionados.

Dois pontos valem aqui serem desenvolvidos:

i)A competição que o capitalismo estabelece enquanto forma básica de existência social nos leva a uma escala crescente de desenvolvimento tecnológico, óbvio que isso somente se dá mediante a condição de exploração de uma parte da humanidade sobre a maioria da humanidade, o que Marx, o maior cientista de todos os tempos, denominou de mais-valia, uma interação humana básica que possibilita extrair valor a partir de dois elementos centrais: o trabalhador e a natureza.

ii) A permanência disso que chamamos de capitalismo somente se dá por conta de que a flexibilidade dessa forma de existência humana possibilita que a cada crise aguda (estrutural) que sofremos, resolva-se mediante uma solução mágica e trágica, que esse formidável permanecer no mesmo lugar possibilita. Foi assim após a década de 20 do século passado e a crise que levou a UTI do sistema (1929) e logo apos a segunda guerra mundial, ou seja, o tratamento de salvação maior do sistema (sua UTI) é a necessária morte de parte importante da humanidade. Em termos do famoso Schumpter, defensor radical do sistema: a “destruição [e morte] é criadora”.

Outro grande defensor do sistema, Lorde Keynes, em parte execrado pela direita, mas hoje parcialmente cultuado pela esquerda, interpôs a solução possível do “Estado de Guerra”, mesma solução que o famigerado Mister Hitler interpôs. A diferença central é que um era mais condizente com a racionalidade e o outro se esborrava na loucura. Diga-se, aliás, que duas dessas figuras irracionais agora estão no controle de massas e dizeres de duas nações importantes para a humanidade.

A tal solução mágica se dá mediante algo chamado sistema de crédito, formula criada já nos primeiros momentos do capitalismo. Aquele sujeito genial que há pouco lembramos e que todos têm verdadeiro medo (Marx) já notava em 1867 que o crédito condiciona a rotação do capital total (principalmente o fixo) e acelera a circulação das mercadorias, assim como determina o juro médio do sistema e a correspondente taxa de juro.

O capitalismo não equaciona suas crises mediante soluções pacificas, o crédito e a dívida pública foram as ultimas soluções não violentas até certo limite do sistema, sendo que a partir da falência do capitalismo contratado a partir do final da segunda guerra e do fim da URSS, fica a questão do que resultará desde então.

A crise do poder imperial estadunidense exige medidas radicais e eis que cinco medidas e consequências foram observadas:

i) A primeira foi à reconstituição do involucro de poder em torno da eterna cordial e subordinada América Latina, o sucesso foi total: estabeleceram um idiota troglodita no Brasil e destruíram o restante das relações de poder na América Latina, grande sucesso e formidável ganho;

ii) Controle financeiro das regras globais de emissão de divida pública, possibilitando que todos os Estados periféricos (EC 95/16) e parte dos centrais se subordinassem completamente aos EUA.

iii) Buscaram restabelecer a ordem de poder em torno da Arábia Saudita, porém a força do Irã e a histórica inconveniência russa criaram obstáculos que o poder ianque balançou as pernas, a resultante foi o declínio dos preços do petróleo que podem atingir o núcleo de poder ianque, uma derrota que reverbera nos próximos anos;

iv) Buscaram impor uma derrota interna a autoridade chinesa, esfacelando o poder do Partido Comunista com um a brutal crise interna. O vírus Corona tinha o objetivo de recondicionar o poder chinês, estabelecendo a derrota chinesa e o esfacelamento do eixo anti- EUA; parcial ganho, porém a reação chinesa foi imprevista para o poder imperial, alterando as relações geopolíticas;

v) A globalização do vírus Corona, expressão da crise do império. Vale notar que todo império em declínio não consegue prever as consequências de suas ações. Neste caso um vírus de guerra (link) retorna por conta de que a NATUREZA não é uma forma de domínio rentável, mas um sistema de domínio outro que não o CAPITAL.

Como percepção critica desenvolvemos aqui uma tese central: o Corona não é um vírus escapado ou gerado despropositadamente. O tal Covid-19 foi construído e gerado conforme uma necessidade, a de derrotar os chineses e de restabelecer o continuo poder norte americano, o problema é que a NATUREZA não se condiciona ao sofisma do lucro. Bem, será interessante nos prepararmos para uma crise estrutural do sistema e o grau de disputa será além da ignomínia que tomou conta do Brasil. Nesta crise pensar em figuras como Bolsonaro será o mesmo que estar no inferno e se regozijar.

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